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Quando os corvos vestem Branco - o histórico elitismo da medicina brasileira se faz mais explício

Quando os corvos vestem Branco - o histórico elitismo da medicina brasileira se faz mais explício

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Temos, neste caso dos médicos cubanos, duas faces.
Uma, velha, velhíssima: um anticomunismo arcaico, que já era doentio há 50 anos, na Guerra Fria e hoje é, simplesmente, lunático.
Parece que, como há 59 anos, naquele 24 de agosto fatídico, a razão está sob ataque dos corvos, agora em penas brancas.
Outra, mais e mais e mais velha ainda: o desprezo pelos seres humanos pobres, cujos direitos – inclusive os mais básicos, como a saúde e a vida – devem esperar que o “mercado” os resolva.
Temos, neste caso dos médicos cubanos, duas faces.
Uma, velha, velhíssima: um anticomunismo arcaico, que já era doentio há 50 anos, na Guerra Fria e hoje é, simplesmente, lunático.
Parece que, como há 59 anos, naquele 24 de agosto fatídico, a razão está sob ataque dos corvos, agora em penas brancas.
Outra, mais e mais e mais velha ainda: o desprezo pelos seres humanos pobres, cujos direitos – inclusive os mais básicos, como a saúde e a vida – devem esperar que o “mercado” os resolva.

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Quando os corvos vestem branco
 
A histórica deturpação elitista damedicina brasileira se faz explícita
 
24 de agosto de 2013 | 14:46
Fonte: Tijolaço.com.br   Paulo Moreira Leite publicou na
um artigo que só merece uma qualificação:magistral.A argumentação é cerebral, mas a indignação é figadal.Porque quem escreve e fala não pode, sob pena de emburrecer ou desumanizar-se
 – 
oque não é o mesmo, mas é parecido
 – 
deixar de pensar, como não pode deixar de sentir,com funda humanidade.Temos, neste caso dos médicos cubanos, duas faces.Uma, velha, velhíssima: um anticomunismo arcaico, que já era doentio há 50 anos, naGuerra Fria e hoje é, simplesmente, lunático.
 
Parece que, como há 59 anos, naquele 24 de agosto fatídico, a razão está sob ataque doscorvos, agora em penas brancas.Outra, mais e mais e mais velha ainda: o desprezo pelos seres humanos pobres, cujosdireitos
 – 
inclusive os mais básicos, como a saúde e a vida
 – 
devem esperar que o
“mercado” os resolva.
 O tema voltará e voltará por muitos dias, até que a realidade desmanche os preconceitos,os benefícios anulem o ódio e faça a brutalidade recuar das bocas para os coraçÑoesmiúdos desta gente.Reproduzo o artigo magistral, repito, de Moreira Leite:
Em vez Havana? 
 
O debate sobre a chegada de médicos cubanos évergonhoso.
 
Paulo Moreira Leite 
 Do ponto de vista da saúde pública, temos um quadro conhecido. Faltam médicos emmilhares de cidades brasileiras, nenhum doutor formado no país tem interesse emtrabalhar nesses lugares pobres, distantes, sem charme algum
 – 
nem aqueles que se formam em universidades públicas sentem algum impulso ético de retribuir algumacoisa ao país que lhes deu ensino, formação e futuro de graça.
 
 Respeitando o direito individual de cada pessoa resolver seu destino, o governo Dilmadecidiu procurar médicos estrangeiros. Não poderia haver atitude mais democrática,com respeito às decisões de cada cidadão.
 
O Ministério da Saúde conseguiu atrair médicos de Portugal, Espanha, Argentina,Uruguai. Mas continua pouco. Então, o governo resolveu fazer o que já haviaanunciado: trazer médicos de Cuba.
 
Como era de prever, a reação já começou.
 
 E como eu sempre disse neste espaço, o conservadorismo brasileiro não consegueesconder sua submissão aos compromissos nostálgicos da Guerra Fria, base de umanticomunismo primitivo no plano ideológico e selvagem no plano dos métodos. É umaturma que se formou nesta escola, transmitiu a herança de pai para filho e para netos. Formou jovens despreparados para a realidade do país, embora tenham grandeintimidade com Londres e Nova York. Hoje, eles repetem o passado como se estivessem falando de algo que tem futuro.
 
 Foi em nome desse anticomunismo que o país enfrentou 21 anos de treva da ditadura. E é em nome dele, mais uma vez, que se procura boicotar a chegada dos médicos cubanoscom o argumento de que o Brasil estará ajudando a sobrevivência do regime de Fidel Castro. Os jornais, no pré-64, eram boicotados pelas grandes agencias de publicidadenorte-americanas caso recusassem a pressão americana favorável à expulsão de Cubada OEA. Juarez Bahia, que dirigiu o Correio da Manhã, já contou isso.
 
Vamos combinar uma coisa. Se for para reduzir economia à política, cabe perguntar aquem adora mercadorias baratas da China Comunista: qual o efeito de ampliar ocomércio entre os dois países? Por algum critério
 – 
político, geopolítico, estético, patético
 – 
qual país e qual regime podem criar problemas para o Brasil, no médio,curto ou longo prazo?
 
Sejamos sérios. Não sou nem nunca fui um fã incondicional do regime de Fidel. Jáescrevi sobre suas falhas e imperfeições. Mas sei reconhecer que sua vitória marcouuma derrota do império norte-americano e compreendo sua importância comoafirmação da soberania na América Latina.
 
Creio que os problemas dos cidadãos cubanos, que são reais, devem ser resolvidos por eles mesmos.Como alguém já lembrou: se for para falar em causas humanitárias para proibir aentrada de médicos cubanos, por que aceitar milhares de bolivianos que hoje tocam pedaços inteiros da mais chique indústria de confecção do país?
 
 Denunciar o governo cubano de terceirizar seus médicos é apenas ridículo, nummomento em que uma parcela do empresariado brasileiro quer uma carona na CLT eliberar a terceirização em todos os ramos da economia. Neste aspecto, temos a farsadentro da farsa. Quem é radicalmente a favor da terceirização dos assalariadosbrasileiros quer impedir a chegada, em massa, de terceirizados cubanos. Dizem que são escravos e, é claro, vamos ver como são os trabalhadores nas fazendas de seusamigos.
 
 Falar em democracia é um truque velho demais. Não custa lembrar que se fez isso em64, com apoio dos mesmos jornais que 49 anos depois condenam a chegada doscubanos, erguendo o argumento absurdo de que eles virão fazer doutrinaçãorevolucionária por aqui. Será que esse povo não lê jornais?
 
 Fidel Castro ainda tinha barbas escuras quando parou de falar em revolução. E seuirmão está fazendo reformas que seriam pura heresia há cinco anos.
 
O problema, nós sabemos, não é este. É material e mental. Nossos conservadores não acharam um novo marqueteiro para arrumar seu discurso para os dias de hoje. São contra os médicos cubanos, mas oferecem o que? Médicos doSírio Libanês, do Einstein, do Santa Catarina?
 
 Não. Oferecem a morte sem necessidade, as pragas bíblicas. Por isso não têm propostas alternativas nem sugestões que possam ser discutidas. Nem se preocupam. Ficam irresponsavelmente mudos. É criminoso. Querem deixar tudo como está. Seusmédicos seguem ganhando o que podem e cada vez mais. Está bem. Mas por queimpedir quem não querem receber nem atender?Sem alternativa, os pobres e muito pobres serão empurrados para grandes arapucas de saúde. Jamais serão atendidos, nem examinados. Mas deixarão seu pouco e suadodinheiro nos cofres de tratantes sem escrúpulos.
 

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