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FENPROF CONTINUA A DEFENDER A SUSPENO DA AVALIAÇÃO DEDESEMPENHO E SUBSTITUIÇÃO DO ACTUAL MODELONesta Conferência de Imprensa promovida para falar sobre Avaliação deDesempenho dos Professores, duas notas prévias:1.ª – A negociação, confirma-se, é um simulacro e, quando não há tempoou não interessa, nem formalmente se respeita. O Conselho de Ministrosaprovou ontem e o ME já divulgou, o calendário escolar para 2009/2010.Esta é matéria de negociação obrigatória para a qual a FENPROF, nas duasúltimas reuniões com o ME, referindo-se ao atraso na apresentação de umaproposta, chamou a atenção da necessidade desta ser apresentada dedecorrer um processo negocial.A FENPROF dará conta, à Assembleia da República, de mais este atentado àlei da negociação.2.ª – Sobre a revisão do ECD, o Secretário de Estado Adjunto e da Educaçãoreferiu hoje que o ME não abdicará dos princípios organizativos em queassenta o actual ECD. A FENPROF também não abdicará dos princípiosorganizativos que levaram os professores a exigirem esta revisão do ECD.Eram objectivos dos professores e da FENPROF, entre outros, eliminar adivisão da carreira, substituir o actual modelo de avaliação, acabar com aprova de ingresso. O ME não mexe em nada disso, limitando-se, na suaproposta, a procurar consolidar esses aspectos, ou seja: é mantida a provade ingresso; é mantida a estrutura da carreira que a divide em duascategorias sendo, na prática, introduzida uma terceira (o 4.º escalão dacategoria de professor-titular, pela forma como a ele se acede). Estaproposta prova, ainda, que o acesso ao topo da carreira (todos os escalõesque integram a categoria de professor-titular) não depende do mérito, masdos aspectos financeiros que irão permitir, ou não, a abertura de vagas.Isto é, haverá uma prova para acesso a professor-titular e haverá umconcurso. À Educação competirá elaborar a prova e verificar do sucesso quenela terão os docentes; às Finanças caberá decidir se autoriza a abertura deconcurso e qual o número de vagas. É criado um escalão novo na categoriade professor (o 7.º) destinado a quantos, tendo obtido sucesso no que àEducação respeita e sido candidato a lugar, não o obteve, não por falta demérito, mas por falta de vaga. Ou seja, a Educação, mais uma vez, limita-sea ser uma simples sub-secretaria de Estado do Orçamento.AVALIAÇÃO DE DESEMPENHOA FENPROF soube hoje que só na primeira semana de Julho haverá umaproposta do ME. Qual o seu conteúdo, desconhece-se, mas os responsáveisministeriais sentiram-se muito incomodados, hoje, quando a FENPROF quissaber se estaríamos perante um a verdadeira alternativa ou, apenas, alguns
 
retoques e ajustamentos. Segundo o ME, a FENPROF considera nãoserem retoques ou ajustamentos propostas que eliminem as quotas que,mais uma vez, nesta reunião, foram consideradas como fundamentais paragarantir a diferenciação. Curioso é que isto foi dito no mesmo dia em que aSenhora Ministra terá afirmado que admitiria acabar com as quotas nofuturo… Qual futuro? Aquele de que a Senhora Ministra já não fará parte?Grande compromisso aquele que assumiu…Mas sobre quotas, a FENPROF sente-se cada vez mais acompanhada. Hojeé o próprio Conselho Científico da Avaliação de Professores a questionar osseus efeitos. É o relatório Benchmark de Avaliação de Desempenho que nosinforma de que Portugal é o único, de um conjunto de países importantes daUnião Europeia, que tem um sistema desses que não distingue o mérito pelomérito, mas por decisão política e via administrativa. Contudo, a situação éainda pior, mesmo em Portugal, só o continente, só quem é tutelado poreste Ministério da Educação está sujeito às quotas, pois nem a RA dosAçores, nem a RA Madeira adoptaram tão perverso sistema de quotização.No Ministério da Educação parece ainda vingar a máxima doorgulhosamente sós”!Mas o desacordo da FENPROF com o actual modelo de avalião odecorre só das quotas, longe disso, conforme se pode constatar pela leituradas propostas que apresentámos sobre a matéria. Tal como defendemos, aavaliação de um docente deverá incidir sobre os aspectos pedagógicos enão sobre os administrativos, pois esses têm consequência em outrosdomínios. No nosso país é ao contrário e quando houve necessidade desimplificar, aproveitou-se o que era buroctico e o o que erapedagógico… essa é uma lógica que terá de ser completamente alterada,não nos parecendo, todavia, ser essa a intenção do ME.Hoje, a FENPROF voltou a propor a suspensão do processo de avaliação,este ano, ou, em alternativa, que o tenham consequências asclassificações que vierem a ser atribuídas, dada a forma descoordenada,confusa e desigual como tem vindo a decorrer o processo de avaliação. Éverdade que os efeitos do Regular e Não Satisfaz, por força da lei, não sefarão sentir, mas o Excelente e Muito Bom terão efeitos, designadamente nagraduação profissional dos docentes contratados que, no próximo ano,procurarão emprego, sendo essa a situação mais preocupante, mashavendo também efeitos que se farão sentir para os docentes dos quadros.Há prejuízos que poderão ser irreversíveis e isso não é aceitável.Contribuem, para reforçar a nossa opinião e renovar esta exigência, entreoutros aspectos:
 
- Algumas recomendações do CCAP. Por exemplo, que deveria haver umpeodo experimental antes da generalização, mas o houve; que osefeitos das quotas deverão ser ponderados, o que, claramente, oaconteceu com as consequências que antes se referiram quanto aos efeitosde quem obtiver tais classificações; que os ciclos de avaliação são curtos.Sendo estes, hoje, de dois anos, na verdade, o actual ciclo, para mais de90% dos docentes é de apenas um;- A forma como a DGRHE veio introduzir um novo forte ruído no sistema, aoanunciar a existência de um aplicativo informático para preenchimento dasfichas, o que levou algumas escolas, por o aguardarem, a suspender osprocessos que nelas decorriam. As fichas agora divulgadas, para além deapresentarem campos que antes não existiam, no caso da que se destina àauto-avaliação na Educação Pré-Escolar, introduz mesmo um novo item,alterando, ilegalmente, o disposto no despacho n.º 16.872/2008 que contémos modelos de ficha.- Por fim, o que se passa no terreno, ou seja, nas escolas, mas que o MEconsidera excepções. Não são e não se trata de atribuir culpa às escolas,que a não têm, antes são vítimas da indefinição, da instabilidade, da dúvida,da informação que logo é contrariada, de uma postura do Ministério daEducação que, custe o que custar, dê por onde der, aconteça o que vier aacontecer, importante é chegar ao final do ano e dizer que houve avaliação.Para que serviu, que focos de instabilidade criou, que dificuldades foramenfrentadas, que consequências para o trabalho dos professores e para aorganização das escolas, isso de pouco importa: Importante é mesmochegar ao fim e dizer que se fez; que o ME ganhou, pois impôs a suavontade e os professores, obedientes, tiveram de cumprir, sendo esse o seudever: cumprir até o que é absurdo! E se absurdo for o que o ME impõe,então vence o absurdo!Nas escolas encontrámos as seguintes situações:- alterações sucessivas de calendários, ora por razões de organização daescola, ora por indefinição do ME e de informações sobre informações;- pressões para entrega de proposta de objectivos individuais, agora queestá em vias de terminar o ciclo de avaliação. Há casos em que os novosprazos estabelecidos são coincidentes com a auto-avaliação, havendomesmo um caso em que o prazo termina um dia depois da entrega da auto-avaliação;
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