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ASSIBGE 
 –
SINDICATO NACIONAL
 / 
NÚCLEO DIGEO-BA
 
OS NÚMEROS CONTRADITÓRIOS DO PROJETO DETRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
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Salvador 23 de Abril de 2007
Dilermando Alves do Nascimento Geólogo pesquisador do (IBGE) especialista em hidrogeologia e meio ambiente 
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1- CONHEÇA DETALHES HISTÓRICOS DA TRANSPOSIÇÃO
- Século XIX (1820), o Imperador Dom João VI lança a idéia de utilizar aságuas do Rio São Francisco para combater os efeitos da seca no sertãoNordestino. A idéia continuou sendo analisada durante os reinados de DomPedro I e Dom Pedro II.- No ano de 1847, o engenheiro cearense Marcos de Macedo intendente doMunicípio do Crato, deputado pelo Ceará, apresentava ao Imperador Pedro IIo plano de transposição para resolver os problemas gerados pela seca donordeste, nada foi realizado.- Entre 1851 e 1854, o engenheiro Henrique Halfeld fez um detalhadolevantamento do Vale do São Francisco, desde a Cachoeira de Pirapora até o Oceano Atlântico que deu origem ao Atlas e Relatório Concernente àExploração do Rio São Francisco. Dificuldades financeiras fizeram com que aidéia do desvio de águas do São Francisco fosse arquivada.- Em 1856, uma Comissão Científica de Exploração, chefiada pelo Barão deCapanema, encarregada de estudar o problema das secas, recomendou aabertura de um canal ligando o Rio São Francisco ao Rio Jaguaribe. Osestudos foram complementados em 1859, por cientistas do Instituto Históricoe Geográfico Brasileiro (IHGB) e arquivado.- Na grande seca entre 1877 e 1879, que vitimou 1,7 milhões de pessoas, aidéia retorna. A estiagem catastrófica obriga o imperador D.Pedro II a instituirem 07.12.1877 uma Comissão Imperial chefiada pelo Barão de Capanema,incumbida de minorar os efeitos da seca. A comissão recomenda as seguintesmedidas: a construção de três ferrovias e 30 açudes, a instalação deobservatórios meteorológicos, bem como um plano, a saber: a abertura de umcanal comunicando as águas do Rio Jaguaribe com as do Rio São Francisco.Consta ainda que a comissão aventasse a importação de 12 camelos quelevariam água do São Francisco para o Nordeste
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Não foi encontrado registrosobre os resultados das medidas propostas.
 
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- Em 1886, mais um engenheiro cearense, Tristão Franklin Alencar, reativou aidéia, mas dificuldades financeiras e viabilidades técnicas do projeto fizeramcom que ele desistisse da idéia da transposição.- O projeto de transposição teve ainda iniciativas posteriores, sem sucesso. Em1909 foi criada a Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS), que elaborouum mapa com o canal que interligaria o Rio São Francisco ao Rio Jaguaribe,projeto repensado em 1919 com criação da Inspetoria Federal de Obras Contraas Secas (IFOCS), e arquivado.- No governo Getúlio Vargas, com a criação do Departamento de ObrasContra as Secas (DNOCS), o assunto voltou a ser tema de estudo.- Entre os anos de 1981 e 1985 o projeto começou a ser examinado noDNOCS, aonde os técnicos chegaram a elaborar um projeto de transposiçãoem parceria com um organismo norte-americano especializado em agricultura,irrigação, solos e recursos hídricos. A idéia era captar 15% da vazão do VelhoChico. O projeto foi analisado por um grupo de consultores do coronel MárioAndreazza, para atender a seus interesses políticos, já que ambicionava aPresidência da República, na sucessão ao Presidente Figueiredo, o projeto foiarquivado.- Em 1993, no Governo de Itamar Franco, o Ministro da Integração Nacional,Aluízio Alves reabriu a discussão, propondo a construção de um canal emCabrobó, para retirar do São Francisco até 150m³/s de água, com o propósitode beneficiar áreas do Ceará e Rio Grande do Norte. Em 1994, o GovernoItamar Franco chegou a anunciar que faria a licitação para que fossem feitosos projetos básicos das obras. O projeto foi fulminado por um parecer doTribunal de Contas da União que alegou ser o projeto prejudicial à produçãodas hidrelétricas, impedia o crescimento da irrigação em Minas Gerais e naBahia, não fazia parte do planejamento da administração federal e eraignorado pelo Ministério da Agricultura.- Em 1995, primeiro mandato do Presidente Fernando Henrique Cardoso, oprojeto esteve muito próximo de ser executado. O governo federal tinha gastoR$ 10 milhões para a elaboração do projeto básico, feito no segundo semestredo ano anterior. Na época, foram contratados 480 técnicos (entre engenheiros,economistas e agrônomos) para dar parecer sobre os estudos da transposição.Ainda nessa época, o governo federal chegou a realizar audiências públicaspara que o projeto fosse realizado e depois lançou um edital para execução dasobras. No entanto, algumas empresas entraram com uma ação na Justiça comum pedido de suspensão para impedir que os vencedores da licitação
 
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iniciassem a obra.- Os paraibanos Cícero Lucena e Fernando Catão, quando ocuparam aSecretaria Especial de Políticas Regionais, durante o primeiro mandato doPresidente Fernando Henrique Cardoso, redesenharam o projeto de AluízioAlves. Nesse período, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do SãoFrancisco (CODEVASF) desenvolveu um projeto próprio para fornecer água atoda a região do semi-árido, mas esbarrou no elevado custo da obra, US$ 20bilhões, e no prazo para a sua conclusão, entre 25 e 30 anos.- Com uma versão mais simplificada, onde o grande atrativo seria o baixocusto da construção dos canais de interligação, um bilhão de dólares, oMinistro da Integração Nacional do Governo Fernando Henrique, SenadorFernando Bezerra, tentou mais uma vez a ressurreição do sonho datransposição. Em seu projeto, o volume de água a ser desviado seria de 70m
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 /s, e além do Ceará e Rio Grande do Norte, a Paraíba seria beneficiada coma perenização dos rios Peixe e Piranhas-Açu. Em 2001, a crise do "apagão"adiou os planos do governo. O projeto defendido pelo Ministro da IntegraçãoNacional teve licenciamento ambiental suspenso pela justiça.Inicialmente, o Presidente Fernando Henrique concordou que o MinistroFernando Bezerra impulsionasse o plano, contudo José Carlos Carvalho, queem 2002 assumiu o Ministério do Meio Ambiente, na última hora convenceu oPresidente de que era um erro colossal o projeto defendido por FernandoBezerra.- Entre 2003 e 2006, a comunidade científica do país vê com indignação oPresidente Lula ressuscitar a famigerada idéia da transposição, sepultada portantas vezes e rejeitada amplamente por toda sociedade brasileira, delegandoplenos poderes ao então Ministro Ciro Gomes para implantar e executar obra.Ao assumir o comando, Ciro Gomes garante que o projeto do governo passadofoi modificado radicalmente, e que o atual iria levar água a quem tem sede.- Durante os últimos quatro anos do Governo Lula uma avalanche de ações naJustiça contra a execução do projeto manteve paralisada a obra até dezembrode 2006, quando o Ministro Sepúlveda Pertence, do STF, derrubou todas asliminares que seguravam o início da obra. Desta vez, o Ministro SepúlvedaPertence, determinou a suspensão das liminares que impediam olicenciamento ambiental do IBAMA para a obra, e considerou ilegítimas asentidades civis que abriram processos no STF.- Em 12 de fevereiro de 2007, o Procurador-Geral da República, Antônio
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