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PORQUE SOU CONTRA A TRANSFERÊNCIA DE ÁGUA ENTRE A BACIA DO RIO SÃO FRANCISCO E AS BACIAS HIDROGRÁFICAS DO NORDESTE SETENTRIONAL DO BRASIL?
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Salvador 19/09/2008 Dilermando Alves do
Nascimento
Geólogo pesquisador do (IBGE) especialista em hidrogeologia e meio ambiente
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PORQUE TEMOS A REGIÃO SEMI-ÁRIDA MAIS AÇUDADA DO PLANETA O MAIOR INDICE PLUVIOMETRICO E AS SECAS JÁ SÃO
PREVISÍVEIS
Os estados do
Ceará
,
Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco
contemplados parareceber as águas do
“
Projeto de Integração
do
Rio São Francisco
com as
BaciasHidrográficas
do Nordeste Setentrional
”
,
possuem uma das maiores redes de açudes domundo, compondo o maior estoque de águas artificialmente represadas em uma região semi-árida do planeta
.
Segundo o ex-diretor do
DNOCS e da CODEVASF
o engenheiro e hidrólogo Manoel Bomfim,
“são mais de
70.000 açudes
espalhados pelo Nordeste com cerca de
60%
com características
anuais
, ou seja, não suportam dois anos sem novas chuvas, não podem estruturar umapropriedade. São pequenas obras construídas no braço. Cerca de
20% são
plurianuais,
suportando as secas normais e não as excepcionais. Os
20%
restantes, em torno de
14 milaçudes, são interanuais
suportando as grandes travessias estivais, não secam jamais, apesar dasgrandes secas que ocorrem a cada
26 anos
".As séries dos ciclos das secas prolongadas do Nordeste foram analisadas por
Girardi eTeixeira (1978)
a partir dos estudos da
série histórica da pluviometria de Fortaleza-
CE
(1849-1977).
Submetendo os dados à análise harmônica através da Série de Fourier aqueles autoresidentificaram dois períodos dominantes de secas,
em dois ciclos que se repetem a cada
13 e26 anos
. Conforme esses estudos a presença de um novo ciclo de secas prolongadas seaproxima para o Nordeste Brasileiro previsto entre
2005 e 2010.
Cerca de 80% das águas existentes no Semi-Árido, algo em torno de 30 bilhões de m³
ocorre acumulada nos
açudes interanuais
que suportam grandes períodos de estiagens. Ospequenos açudes sofrem os drásticos efeitos da evaporação, mas, anualmente se recuperam totalou parcialmente Bomfim (2008).Os açudes de médio a grande porte projetado nas últimas décadas obedeceram a critérios delocação que permitiu uma disposição geográfica compatível com o substrato das rochascristalinas em posições estratégicas para facilitar a aproximação e a distribuição das águas paraas regiões onde a escassez de água é mais intensa.Faço minhas as palavras do Manoel Bomfim, ao afirmar que falta somente vontade política paraencher o nordeste de canais e adutoras partindodos
açudes plurianuais
aqueles que atendem àsnecessidades por até
2 ou 4 anos consecutivos sem a renovação de suas reservas
. São 27açudes
interanuais
com capacidade individual acima
de 100 milhões m³,
que encontram-seaptos para fornecer e distribuir as águas sem correr risco de secar nos próximos 5 anos mesmoque atravesse o período de estiagem prolongada sem chover uma só
“
gota d´água
”
. Cito comoexemplo os açudes
Castanhão no Ceará
(
6,7 bilhões m³) Orós (2,1 bilhões m³), e Banabuiú( 1,7 bilhões m³) no Rio Grande do Norte
a
Barragem do Açu (2,4 bilhões m³)
e na Paraíba ocomplexo
Coremas - Mãe D'Água (1,358 bilhões m³).
Os Açudes
Eng. Ávidos
(255 milhões m³)
, o
Epitácio Pessoa
o
Boqueirão (418,88 milhõesm³)
, juntos com o recém inaugurado
Açude Acauã (253 milhões m³)
completam o sistema desuprimento d´água para esta região da Paraíba compondo a maior rede de açudagem do Brasilcom potencial hídrico para atender o estado e principalmente a região do município de Campina
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