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Julgamento do Mensalão: A sentença e a execração pela mídia

Julgamento do Mensalão: A sentença e a execração pela mídia

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Os jornais celebram a pena imposta ao ex-ministro José Dirceu no julgamento da Ação Penal 470, conhecida como o caso do “mensalão”. Também há profusão de referências à sentença de José Genoíno, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, mas todo o arsenal do discurso jornalístico é dirigido contra Dirceu.

Ele incorpora, por seu temperamento incisivo e sua absoluta dedicação à política, tudo que a imprensa detesta na alternativa de poder representada pelo PT. Pela mesma razão, ele acumulou também desafetos no próprio partido, que mal conseguem dissimular o alívio por vê-lo aparentemente exilado do núcleo mandatário.
Os jornais celebram a pena imposta ao ex-ministro José Dirceu no julgamento da Ação Penal 470, conhecida como o caso do “mensalão”. Também há profusão de referências à sentença de José Genoíno, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, mas todo o arsenal do discurso jornalístico é dirigido contra Dirceu.

Ele incorpora, por seu temperamento incisivo e sua absoluta dedicação à política, tudo que a imprensa detesta na alternativa de poder representada pelo PT. Pela mesma razão, ele acumulou também desafetos no próprio partido, que mal conseguem dissimular o alívio por vê-lo aparentemente exilado do núcleo mandatário.

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Published by: Carlos Antonio Guimarães on Sep 17, 2013
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Do Observatório da Imprensa,16 de setembro de2013
JULGAMENTO DO MENSALÃO
A sentença e a execração
 
Por Luciano Martins Costa em 13/11/2012 na edição 720Comentário para o programa radiofônico do
OI 
, 13/11/2012Os jornais celebram a pena imposta ao ex-ministro José Dirceu no julgamento
da Ação Penal 470, conhecida como o caso do “mensalão”. Também há
 profusão de referências à sentença de José Genoíno, ex-presidente do Partidodos Trabalhadores, mas todo o arsenal do discurso jornalístico é dirigidocontra Dirceu.Ele incorpora, por seu temperamento incisivo e sua absoluta dedicação à política, tudo que a imprensa detesta na alternativa de poder representada peloPT. Pela mesma razão, ele acumulou também desafetos no próprio partido,que mal conseguem dissimular o alívio por vê-lo aparentemente exilado donúcleo mandatário.
 
 Folha de S.Paulo
e
 Estado de S.Paulo
dedicam cadernos especiais ao assunto,que de novo tem somente a definição das penas, e aproveitam para fazer aapologia do processo sobre o qual, claramente, pesou a influência da própriamídia.
Na contramão
 Destaque-se, de início, a diferença entre narrativa e discurso. A narrativa,linguagem própria da literatura, ganha validade no jornalismo quando temcomo pressuposto a busca da fidelidade com relação ao fato narrado. Emboraliteratura e jornalismo se confundam em suas origens, já faz muito tempo quese diferenciam justamente pela narrativa.O discurso, ao contrário, não tem relação natural com nenhum dos doisgêneros. Trata-se de uma estratégia comunicacional de convencimento.
OGlobo
, o
 Estadão
e a
 Folha
oferecem, nas edições de terça-feira (13/11), umaoportunidade valiosa para a análise dessa linguagem.Os dois jornais paulistas dedicam cadernos especiais ao acontecimento, mas éna
 Folha
que as escolhas editoriais explicitam mais claramente o propósito daexecração: não há justificativa, no campo jornalístico propriamente dito, paraa decisão de ilustrar a primeira página do suplemento com uma grade de
cadeia sobre o título “José Dirceu é condenado a 10 anos e 10 meses de prisão”.
 Mesmo em casos muito escabrosos, em que foram expostas ao público açõesde autores de crimes hediondos, são raras as ocasiões em que a imprensachegou tão baixo.O editorial na primeira página da
 Folha
, outra raridade descolada para oacontecimento que a imprensa considera histórico, comemora sem pudores oque os jornais consideram uma decisão jurídica exemplar.Há divergências na própria
 Folha
, como a que é apresentada por Janio de
Freitas sob o título “A voz das provas”, mas esse texto foi publicado noespaço comum da editoria “Poder” e não foi incluído no caderno que será
guardado pelos leitores.Janio de Freitas expõe o que considera contradições do relator do processo,
ministro Joaquim Barbosa, afirmando que ele “se expandiu em imputaçõescompostas só de palavras, sem provas”. Na contramão de praticamente toda a
imprensa, Freitas não considera que o julgamento representa a refundação do poder Judiciário ou da própria República: na sua opinião, cresce o descrédito,
e a decisão sobre as penalidades “decepciona e deprecia (o Supremo Tribunal
Federal)
 – 
 
o que é péssimo para dentro e para fora do país”.
 

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