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REVISTA ESPIRITA
JORNAL
DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS
COLETÂNEA FRANCESA
 
CONTENDO
Os fatos de manifestação dos Espíritos, assim como todas as notícias relativas ao Espiritismo. - O ensino dos Espíritos sobre as coisasdo mundo visível e do mundo invisível, sobre as ciências,
moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e seu futuro. - Ahistória do Espiritismo na antigüidade; suas relações com o magnetismo e o sonambulismo; a explicação das lendas e crenças popula-
 
res, da mitologia de todos os povos, etc.
 
PUBLICADA SOB A DIREÇÃO DE
ALLAN KARDEC
Todo efeito tem uma causa.Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito.
 
OITAVO ANO- l865
INSTITUTO DE DIFUSÃO ESPÍRITA
 
Av. Otto Barreto, 1067 - Caixa Postal 110
 
Fone: (19) 541-0077 - Fax: (19) 541-0966
 
CEP 13.602.970 -Araras - Estado de São Paulo – Brasil
Título original em francês: 
REVUESPIRITEJOURNAL D'ÉTUDES PSYCHOLOGIQUES
Tradução: 
SALVADOR GENTILE
Revisão: 
ELIAS BARBOSA
 
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a
edição - 1.000 exemplares – 1996
© 1996, Instituto de Difusão Espírita
1
 
REVISTA ESPIRITA
JORNAL
 
DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS
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o
ANO NO. 1 JANEIRO 1865
AOS ASSINANTES DA
REVISTA ESPIRITA.
A
Revista Espírita 
começa seu oitavo ano; já é uma façanha muito grande tratando-se de uma idéia nova, ao mesmo tempo que um desmentido dado àqueles que prediziama morte prematura do Espiritismo. Como nos anos precedentes, a época da renovaçãodas assinaturas é, para a maioria dos leitores que se dirigem diretamente a nós, a ocasiãode reiterar a expressão de seu reconhecimento pelos benefícios da Doutrina. Não poden-do responder a cada um em particular, nós lhes pedimos aceitar aqui nossos agradeci-mentos sinceros pelos testemunhos de simpatia que consentiram em nos dar nesta cir-cunstância. Se
Doutrina faz o bem, se dá consolação aos aflitos, se fortalece os fracos elevanta as coragens abatidas, primeiro é a Deus que é preciso agradecer, por isso antesque ao seu servidor, depois aos grandes Espíritos, que são os verdadeiros iniciadores daidéia e os diretores do movimento. Com isto não somos menos profundamente tocadoscom os votos que nos são dirigidos, para que a força de ir até o fim de nossa tarefa nosseja conservada; é o que nos esforçamos por merecer pelo nosso zelo e nosso devota-mento, que não falharão, a fim de entregar a obra tão avançada quanto possível às mãosdaquele que deve nos substituir um dia, e aperfeiçoar com um maior poder o que restaráinacabado.
GOLPE DE VISTA SOBRE O ESPIRITISMO EM 1864.
O Espiritismo progrediu ou diminuiu? Esta questão interessa, ao mesmo tempo, aosseus partidários e aos seus adversários. Os primeiros afirmam que ele aumenta, os outrosque declina. Quais deles se iludem? Nem uns nem os outros; porque aqueles que pro-clamam a sua decadência sabem muito bem em que se pegar para isso, e o provam acada instante pelos temores que manifestam e a importância que lhe concedem. Alguns,no entanto, são de boa-fé; têm neles uma tal confiança que, porque deram um grandegolpe no ar, se dizem seriamente: Ele está morto! ou melhor: Ele deve estar morto!Os Espíritas se apoiam sobre os dados mais positivos, sobre os fatos que foram ca-pazes de constatar. Por nossa posição, podemos melhor ainda julgar do movimento doconjunto, e somos felizes as afirmar que a Doutrina ganha incessantemente terreno emtodas as classes da sociedade, e que o ano de 1864 não foi menos fecundo que os outrosem bons resultados. À falta de outros indícios, nossa Revista já seria uma prova materialdo estado da opinião com relação às idéias novas. Um jornal especial que está em seuoitavo ano de existência, e que vê todos os anos o número de seus assinantes crescernuma notável proporção; que desde a sua fundação viu três vezes se esgotarem as cole-ções dos anos anteriores, não prova a decadência da Doutrina que ele sustenta, nem aindiferença de seus adeptos. Até o mês de dezembro, recebeu novas assinaturas para o
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ano expirado, e o número daqueles inscritos em 1
e
de janeiro de 1865 já era de um quintomais considerável do que não o era na mesma época do ano precedente.Está aí um fato material que, sem dúvida, não é concludente para os estranhos, masque para nós é tanto mais significativo quanto não solicitamos as assinaturas de ninguém,e não as impomos como condição em nenhuma circunstância; não há, pois,
ninguém,
quem seja a isso forçado, ou o preço de uma condescendência particular. Além disso, nãobajulamos ninguém para obter adesões à nossa causa; deixamos as coisas seguirem oseu curso natural; dizendo-nos que se nossa maneira de ver e de fazer não é boa, nadapoderia fazê-la prevalecer. Sabemos muito bem que, na falta de ter incensado certos indi-víduos, nós os distanciamos de nós e que se voltaram do lado em que vinha o incenso;mas que nos importa! Para nós, as pessoas sérias são as mais úteis à causa, e nós nãoconsideramos como sérios aqueles que não se atraem senão pela sedução do amor-próprio, e mais de um o provou. Não queremos a sua adesão: lamentamos por eles teremdado mais importância à fumaça das palavras do que à sinceridade. Temos a consciênciade que, em toda a nossa vida, jamais devemos à adulação nem à intriga; é por isso queacumulamos grande coisa, e não seria com o Espiritismo que teríamos começado.Louvamos com alegria os fatos realizados, os serviços prestados, mas jamais, porantecipação, os serviços que se podem prestar, ou mesmo que se prometem prestar: porprincípio, primeiro, em seguida porque não temos senão uma medíocre confiança sobre ovalor real dos impulsos tirados do orgulho; é por isso que dele jamais tiramos. Quandodeixamos de aprovar, não censuramos, guardamos o silêncio, a menos que o interesseda causa nos force a rompê-lo.Aqueles, que vêm a nós aqui vêm livremente, voluntariamente, atraídos unicamentepela idéia que mais lhes convém, e não por uma solicitação qualquer, ou por nosso méritopessoal, que é questão secundária, tendo em vista que, qualquer que possa ser esse mé-rito, não poderia dar valor a uma idéia que não tivesse valor. É por isso que dizemos queos testemunhos que recebemos se dirigem à idéia, e não à pessoa; haveria tola presun-ção de nossa parte em tirar disso vaidade. O ponto de vista da Doutrina, esses testemu-nhos nos vêm, pela maioria, de pessoa que jamais vimos, a quem freqüentemente jamaisescrevemos, e a quem, certamente, jamais escrevemos primeiro. A idéia de captação oude associação estando assim descartada, eis porque dizemos que a situação da
Revista 
tem um significado particular, como indício do progresso do Espiritismo e foi só por issoque dele falamos.Além disso, o ano viu nascerem vários órgãos da idéia: o
Sauveur dês peuples, a Lumière,
a
Voix d'outre-tombe,
em Bordeaux; o
Avenir,
em Paris; o
Médium évangélique,
em Toulouse; em BruxeIles, o
Monde musical que,
sem ser um jornal especial, trata aquestão do Espiritismo de maneira séria. Seguramente, se os fundadores dessas publica-ções tivessem acreditado a idéia em declínio, não teriam se aventurado a semelhantesempreendimentos.O progresso, em 1864, é ainda marcado pelo crescimento do número dos grupos esociedades espíritas que se formaram numa multidão de localidades onde elas não existi-am, tanto no estrangeiro quanto na França. A cada instante, recebemos o aviso da cria-ção de um novo centro. Esse número é ainda bem maior do que parece, pela multidãodas reuniões íntimas e de família, que não têm nenhum caráter oficial. É contra essas re-uniões que todos os rigores de uma oposição sistemática são impotentes, fosse mesmoela inquisitorial, como na Espanha, onde, no entanto, elas existem em mais de trinta cida-des, e nas casas dos personagens da mais alta classe.Ao lado desses índices materiais, há aquele que se revela pelas relações sociais. Éraro encontrar hoje pessoas que não conhecem o Espiritismo, ao menos de nome, e,quase por toda a parte, encontram- se os que lhe são simpáticos. Aqueles mesmos quenão crêem dele falam com mais reserva, e cada um pôde constatar o quanto o espírito
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