ano expirado, e o número daqueles inscritos em 1
e
de janeiro de 1865 já era de um quintomais considerável do que não o era na mesma época do ano precedente.Está aí um fato material que, sem dúvida, não é concludente para os estranhos, masque para nós é tanto mais significativo quanto não solicitamos as assinaturas de ninguém,e não as impomos como condição em nenhuma circunstância; não há, pois,
ninguém,
quem seja a isso forçado, ou o preço de uma condescendência particular. Além disso, nãobajulamos ninguém para obter adesões à nossa causa; deixamos as coisas seguirem oseu curso natural; dizendo-nos que se nossa maneira de ver e de fazer não é boa, nadapoderia fazê-la prevalecer. Sabemos muito bem que, na falta de ter incensado certos indi-víduos, nós os distanciamos de nós e que se voltaram do lado em que vinha o incenso;mas que nos importa! Para nós, as pessoas sérias são as mais úteis à causa, e nós nãoconsideramos como sérios aqueles que não se atraem senão pela sedução do amor-próprio, e mais de um o provou. Não queremos a sua adesão: lamentamos por eles teremdado mais importância à fumaça das palavras do que à sinceridade. Temos a consciênciade que, em toda a nossa vida, jamais devemos à adulação nem à intriga; é por isso queacumulamos grande coisa, e não seria com o Espiritismo que teríamos começado.Louvamos com alegria os fatos realizados, os serviços prestados, mas jamais, porantecipação, os serviços que se podem prestar, ou mesmo que se prometem prestar: porprincípio, primeiro, em seguida porque não temos senão uma medíocre confiança sobre ovalor real dos impulsos tirados do orgulho; é por isso que dele jamais tiramos. Quandodeixamos de aprovar, não censuramos, guardamos o silêncio, a menos que o interesseda causa nos force a rompê-lo.Aqueles, que vêm a nós aqui vêm livremente, voluntariamente, atraídos unicamentepela idéia que mais lhes convém, e não por uma solicitação qualquer, ou por nosso méritopessoal, que é questão secundária, tendo em vista que, qualquer que possa ser esse mé-rito, não poderia dar valor a uma idéia que não tivesse valor. É por isso que dizemos queos testemunhos que recebemos se dirigem à idéia, e não à pessoa; haveria tola presun-ção de nossa parte em tirar disso vaidade. O ponto de vista da Doutrina, esses testemu-nhos nos vêm, pela maioria, de pessoa que jamais vimos, a quem freqüentemente jamaisescrevemos, e a quem, certamente, jamais escrevemos primeiro. A idéia de captação oude associação estando assim descartada, eis porque dizemos que a situação da
Revista
tem um significado particular, como indício do progresso do Espiritismo e foi só por issoque dele falamos.Além disso, o ano viu nascerem vários órgãos da idéia: o
Sauveur dês peuples, a Lumière,
a
Voix d'outre-tombe,
em Bordeaux; o
Avenir,
em Paris; o
Médium évangélique,
em Toulouse; em BruxeIles, o
Monde musical que,
sem ser um jornal especial, trata aquestão do Espiritismo de maneira séria. Seguramente, se os fundadores dessas publica-ções tivessem acreditado a idéia em declínio, não teriam se aventurado a semelhantesempreendimentos.O progresso, em 1864, é ainda marcado pelo crescimento do número dos grupos esociedades espíritas que se formaram numa multidão de localidades onde elas não existi-am, tanto no estrangeiro quanto na França. A cada instante, recebemos o aviso da cria-ção de um novo centro. Esse número é ainda bem maior do que parece, pela multidãodas reuniões íntimas e de família, que não têm nenhum caráter oficial. É contra essas re-uniões que todos os rigores de uma oposição sistemática são impotentes, fosse mesmoela inquisitorial, como na Espanha, onde, no entanto, elas existem em mais de trinta cida-des, e nas casas dos personagens da mais alta classe.Ao lado desses índices materiais, há aquele que se revela pelas relações sociais. Éraro encontrar hoje pessoas que não conhecem o Espiritismo, ao menos de nome, e,quase por toda a parte, encontram- se os que lhe são simpáticos. Aqueles mesmos quenão crêem dele falam com mais reserva, e cada um pôde constatar o quanto o espírito
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