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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINACENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICASHISTÓRIA DO DIREITOResenha não-crítica do livro “Síntese de uma História das IdéiasJurídicas”: da Antigüidade Clássica à ModernidadeVictor CavalliniFlorianópolis2009RESENHA DO LIVRO “SÍNTESE DE UMA HISTÓRIA DAS IDÉIASJURÍDICAS”: DA ANTIGÜIDADE CLÁSSICA À MODERNIDADE, DEANTONIO CARLOS WOLKMER
 
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- Informações técnicas:
WOLKMER, Antonio Carlos. “Síntese de uma História das IdéiasJurídicas”: da Antigüidade Clássica à Modernidade. Florianópolis: Fundação Boiteux,2006. 232p.
CAPÍTULO I: AS ORIGENS DO PENSAMENTO JURÍDICO NAANTIGUIDADE CLÁSSICA
Introdução:
Não se pode definir a existência do pensamento jurídico ático nos temposhoméricos (antes do século VII a.C), observando-se o surgimento de uma culturagrega de viés racional com a formação das cidades-estado. O mundo simbólicopassou a ser sucedido por uma consciência humana que busca explicar as coisaspor processos de racionalização, com um traço forte pela especulação e pelametafísica, o que diferenciou bastante os gregos dos romanos, que se preocupavamcom coisas mais práticas, objetivas e instrumentais.se que o mundo helênico não se inclinava à especificidade domundo jurídico, apesar de se haver uma forte discussão sobre os princípios e osfundamentos de justiça, que tinha uma origem divina. Entre os séculos V e IV, noperíodo clássico, que se começou a conceber um conceito desmistificado, ideal emoral de justiça.
1.1Concepção de lei justa na dramaturgia ática:
A primeira conscientização feita no tocante à resistência humana às leisinjustas dentro da cultura helênica evidenciou-se com os pensadores sofistas, queafirmavam que as leis o resultantes da foa arbitraria dos que exercem econtrolam o poder, que as elaboram segundo seus interesses privados, onde a justiça existe para camuflar o domínio dos detentores do poder. Evidente fica ochoque entre justiça por natureza (lei superior dos deuses) e justiça por convenção(lei dos “mais fortes”), onde a primeira seria mais justa, tendo em vista que asegunda geralmente tende a desrespeitar a dignidade humana para garantir privilégios – embate bem ilustrado pela tragédia de Sófocles:
 Antígona
.
1.2Filosofia jurídica como expressão da natureza cósmica:
Além da
 Antígona
, também contribuíram para o processo detransformação do pensamento grego com a inserção dos problemas sociais,políticos e morais relacionados à condição humana, substituindo o naturalismocósmico, inserção inicialmente feita pelos sofistas, cuja herança é repassada aospensadores clássicos, como Sócrates, Platão e Aristóteles.
 
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Sócrates resgatava a idéia de caráter justo da lei, ou seja, por ser válida alei tornava-se uma forma de justiça que deveria ser respeitada como um imperativoimprescindível, mesmo que fosse uma lei errada ou criminosa.Platão, discípulo de Sócrates, faz uma projeção ideal de um Estado quetem a função ética de realizar a justiça, onde a justiça é identificada à sabedoria e àvirtude da alma, ou seja, um homem sábio e virtuoso, e não mais um representantedos deuses na terra, deveria governar e ter a plena responsabilidade pela justiça. Aconcepção de Platão o es, eno, objetivada em termos de direitos eobrigações, situando-se na esfera da moralidade social. As leis, para Platão, seriamúteis, com um valor educativo da lei enquanto instrumento ético.Já Aristóteles rompe com o idealismo ao elaborar um sistema metafísicoque viria a influenciar a sistematização da teoria do conhecimento e a construção dalógica dedutiva clássica. Sua ética e filosofia político-jurídica são permeadas por uma idéia de virtuosidade, de equilíbrio. Aristóteles propõe uma ordenação doscritérios de justiça de acordo com a natureza dos diferentes tipos de pessoaspresentes no corpo social da polis, criando assim um equilíbrio (virtude) social. Jáque a justiça apresenta certa ambigüidade, ele examina a justiça no sentido total ougeral e no sentido particular. A primeira é mais universal, o acatamento da lei norespeito àquilo que vige para o bem de todos, e a segunda refere-se ao outrosingularmente no relacionamento direto entre as partes. Seria, eno, mais“particular”.Ele também vinculava o princípio de justiça aos homens iguais, comcapacidade para a virtude e para as práticas cívicas. Tratamento dos iguais de formaigual. Após sua morte, a filosofia grega entra em declínio, favorecendo o surgimentode algumas correntes menores que repercutiram no mundo antigo pós-clássico,como as escolas cínica, estóica e epicuréia.
1.3Fundamentos estóicos do direito natural em Roma:
Os romanos, por sua natureza prática e pouco voltada a especulaçõesprofundas, souberam absorver diversas fontes e compuseram um apreciável modode vida pluralista. Essa vocação pela vida prática combinada com essa grandeabsorção de culturas exteriores fez com que os romanos legassem à posteridade asua maior e mais duradoura contribuição, um eficiente sistema normativo, um Direitoque desempenhava um papel de força agregadora do império.Cícero foi um autor que soube sistematizar o ideário grego do Direitonatural superior e universal, vindo de Platão, Aristóteles e do estoicismo, adequandode acordo com o ideal de uma legalidade material, um espírito prático e à naturezaoperacional dos romanos.“[...] suas preocupações éticas e culturais com a formação do homem naprática da virtude, da equidade e da justa contribram pra desenvolver as
humanidades
em Roma.” (p. 36)As idéias ciceronianas sobre justiça e sobre o Direito Natural fluíram dosgregos para os antigos cristãos, e depois para os grandes escolásticos medievais.
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