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ANDAR VAZIO

ANDAR VAZIO

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06/30/2009

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Andar vazio"Qual o mínimo de atividades necessárias para a arte que uma pessoa poderealizar e aindaassim pretender o título de artista?" Howard BeckerRecentemente vimos na Bienal de São Paulo uma situação que exemplificadiversos pontos daproblemática atual das artes visuais, não somente no Brasil, onde o fatoocorreu, mas penso eu, no mundo. Pois se a definição do que é arteincomoda, a do que é artista não é menos complicada. A gaúcha Caroline Pivetta da Mota, pichadora, interviu no salão da Bienal noparque do Ibirapuera, com tinta em spray as cândidas e sacrossantasparedes destinadas a obras da produção artística contemporânea, quesegundo a mesma estavam vazias, sem as peças escolhidas pelo apuradogosto da curadoria.A pichadora foi entregue às autoridades sob a acusação de destruição depatrimônio cultural e amargou dois meses por não ser a primeira vez que seenvolve nesse tipo de manifestação -- repetiu o ato na galeria ChoqueCultural, em Pinheiros, e no Centro Universirio Belas Artes sendoprocessada por este último.Apesar do relativo atraso desse texto, e de o acontecido ter sido resolvidocom a intervenção do ministro da Cultura, Juca Ferreira,penso que esse fatonão deva ser esquecido, mesmo que não seja possível, por questão deespaço e pela complexidade desse aparentemente simples ato, esgotar oassunto nessa coluna.Desde o auge do pensamento iluminista (sem querer pensar em umlinearidade histórica), asobras de arte, que sempre foram objetos de culto de uma elite formadora deopinião, tem sidodiscutidas num interesse de aproximar os homens independentemente desuas origens sociais e culturais. Claro, e isso já foi discutido por todas asgerações posteriores, tal pensamento não passou de falácia hipócrita e oque realmente mudou é que as convenções sobre o que é Belo ou relevanteculturalmente apenas passou do domínio da Religião, para o domínio doEstado e, agora, para o controle exclusivo de um Mercado ávido pelaconstante criação de objetos que possam ser produzidos para seremconsumidos e colecionados e, se descartáveis, substituídos por modelosmais recentes e que necessariamente aponte para um futuro quasenunca ou quase sempre(paradoxo contemporâneo) tornado realidade.A pichação parece-me uma forma válida de manifestação artística, nãovista dessa forma pela dificuldade do mercado em tornar vendável o que éproduzido entusiática e gratuitamente por jovens de várias cidadesmundiais -- fenômeno que as próprias mas media ajudaram a difundir comsuas produções cinematográficas -- e, parece-me não ter ligação com ochamadografite, muito mais bem aceito por derivar diretamente da pintura. PaulKlee e Basquiat são as mais óbvias referências que inserem os grafiteiros nocontexto erudito da História da Arte. Mas a pichação vai além disso. Suapoética que também mantém relação com a pintura, seja a rupestre, sejacom o expressionismo abstrato e com a busca iniciada no século passado denovos materiais e suportes, experimentados por dadaístas, artistas pop e

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