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O CONTABILISTA FRENTE AO CRIME DE LAVAGEM DEDINHEIRO
Área: CONTABILIDADECategoria: PESQUISALeandro Spier
Unioeste, Cascavel, leandro_spier@yahoo.com.br
Juliana Savaris Martins Machado
Unioeste , Cascavel, julianasavaris@hotmail.com
Sonia Mendes da Silva Spier
Unioeste , Cascavel, sonia.spier@gmail.com
Uevilem Pereira Machado
Unioeste , Cascavel, uevilem@hotmail.com
Evandro Spier
Unioeste , Marechal Cândido Rondon,spier.spier@gmail.com (Co-autor)Professor Elias Garcia
Resumo
Este artigo conceitua a “lavagem de dinheiro”, relacionando-a com o trabalho cotidiano docontabilista. Analisa a legislação brasileira sobre branqueamento de capitais, Lei 9.613 de1998. O foco da análise da legislação é a inexistência de mecanismos mais efetivos paracontrolar a profissão contábil, mecanismos que são propostos por alguns órgãos nacionais einternacionais. Dentre os órgãos de combate ao crime de lavagem de dinheiro analisados,destaca-se o Grupo de Ação Financeira sobre Lavagem de Dinheiro (GAFI), criado pelo G7em 2000, e o Conselho de Administração Fazendária (COAF), instituído por lei no Brasil em1998. Este artigo também debate a amplitude do sigilo profissional do contabilista quandodeparado com o crime de lavagem de dinheiro. Descreve os mecanismos do crime de lavagemde dinheiro, suas fases de introdução do dinheiro do crime no mundo empresarial, comotambém, o modo em que o contabilista se encontra com este processo criminoso, quer sejacomo o contabilista de uma rede criminosa ou mesmo como um contabilista que, ao realizarseu serviço para alguém, presencia a prática do crime. Por fim, ao longo deste trabalho, oobjetivo é demonstrar para os profissionais de contabilidade e leitores, como a posiçãoprivilegiada ao lado do patrimônio das pessoas e empresas é objeto de debate legal para tornaro contabilista um fiscal no crime de lavagem de dinheiro, e os desafios que terão de enfrentarpara tanto.
Palavras-chave:
lavagem de dinheiro, ética, contabilista.
 
 
O contabilista frente ao crime de lavagem de dinheiro
Área: CONTABILIDADECategoria: PESQUISAResumo
Este artigo conceitua a “lavagem de dinheiro”, relacionando-a com o trabalho cotidiano docontabilista. Analisa a legislação brasileira sobre branqueamento de capitais, Lei 9.613 de1998. O foco da análise da legislação é a inexistência de mecanismos mais efetivos paracontrolar a profissão contábil, mecanismos que são propostos por alguns órgãos nacionais einternacionais. Dentre os órgãos de combate ao crime de lavagem de dinheiro analisados,destaca-se o Grupo de Ação Financeira sobre Lavagem de Dinheiro (GAFI), criado pelo G7em 2000, e o Conselho de Administração Fazendária (COAF), instituído por lei no Brasil em1998. Este artigo também debate a amplitude do sigilo profissional do contabilista quandodeparado com o crime de lavagem de dinheiro. Descreve os mecanismos do crime de lavagemde dinheiro, suas fases de introdução do dinheiro do crime no mundo empresarial, comotambém, o modo em que o contabilista se encontra com este processo criminoso, quer sejacomo contabilista de uma rede criminosa ou mesmo como um contabilista que, ao realizarseu serviço para alguém, presencia a prática do crime. Por fim, ao longo deste trabalho, oobjetivo é demonstrar para os profissionais de contabilidade e leitores, como a posiçãoprivilegiada ao lado do patrimônio das pessoas e empresas é objeto de debate legal para tornaro contabilista um fiscal no crime de lavagem de dinheiro, e os desafios que terá de enfrentarpara tanto.
Palavras-chave:
lavagem de dinheiro, ética, contabilista.
1.
 
INTRODUÇÃO
A emergência de grupos criminosos organizados, movimentando anualmente bilhõesde dólares, tornou-se nos últimos anos um dos problemas mais graves com os quais sedefronta a humanidade. Seu poderio financeiro flui por toda a sociedade, em todas as nações,corroendo os poderes constituídos e representando um sério risco para os segmentos que nãose submetem às suas vontades. O Fundo Monetário Internacional estima que de 2 a 5 porcento do Produto Interno Bruto mundial, algo entre 590 bilhões e 1,5 trilhões de dólares combase nas estatísticas do ano de 1996, derivem de atividades ilegais e sejam “lavados” peloscriminosos para introdução na economia formal dos países.Contabilistas continuam a ser profissionais muito requisitados nesse cenário. Alguns,aderindo à criminalidade e colocando o seu conhecimento a serviço das organizaçõescriminosas. Outros, especializando-se na investigação contábil e ajudando a desvendar osmais intrincados “crimes de colarinho branco.Este artigo descreverá através de pesquisa bibliográfica, como o contabilista estásendo cobrado legalmente, e como alguns órgãos internacionais e brasileiros estão se
 
 esforçando para divulgar e exigir uma postura cada vez mais ética e responsável desteprofissional. 
2. CONCEITUAÇÃO DO CRIME DE LAVAGEM DE DINHEIRO
O contabilista, como qualquer profissional liberal, está em contato com uma variedadede clientes e pode inclusive deparar-se com práticas criminosas como a lavagem de dinheiro.Inicialmente pode-se definir que lavagem de dinheiro, seu sinônimo branqueamento decapitais ou ainda o termo inglês
money laundering
, como:
[...] o processo pelo qual o criminoso transforma recursos ganhos ematividades ilegais em ativos com uma origem aparentemente legal. Essaprática geralmente envolve múltiplas transações, usadas para ocultar aorigem dos ativos financeiros e permitir que eles sejam utilizados semcomprometer os criminosos. A dissimulação é, portanto, a base para todaoperação de lavagem que envolva dinheiro proveniente de um crimeantecedente.” [COAF, 1999, p. 1].,
Desta forma, lavagem de dinheiro é uma prática derivada de um crime anterior. Com alavagem de dinheiro o objetivo final é introduzir o dinheiro na economia e dar a ele aparênciade licitude. A lavagem de dinheiro se torna uma preocupação também pela sua relação comalguns crimes. Esta preocupação está presente na Organização das Nações Unidas que arelaciona com a corrupção econômica, o terrorismo e outras formas de delinquência.[Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, 2003.]Nesta pesquisa, cita-se uma versão romantizada sobre a origem da lavagem dedinheiro, a história é contada pelo perito legista Leví Inimá de Miranda para o jornal OGlobo:
Alphonsus Gabriel Capone (Brooklin, Nova Iorque, 17 de janeiro de 1899— Palm Beach, Flórida, 25 de janeiro de 1947), vulgo “Al Capone”.Capone tinha um contador chamado Meyer Lansk, que não sabia comolegitimar as colossais somas que a clandestinidade rendia ao poderosochefão. Como todos sabem, Capone comandava assaltos a bancos,explorava a prostituição, lucrava no contrabando. Enriqueceu no crime.Lansk teve, então, uma idéia inicial: montou no estado inteiro uma cadeiade máquinas automáticas de lavar roupa. Cada maquina era uma verdadeiramina de ouro. Esse negócio movimentava dinheiro rapidamente, o quefacilitava a mistura do capital legalmente ganho com o advindo deatividades ilícitas, promovendo a desvinculação dos recursos provenientesdas atividades criminosas. [BARROS, 2009]
Apenas com o material consultado não se tem como saber ao certo se esta é a origemdo termo
money laudering
, literalmente “lavagem de dinheiro”, porém este mito de origemserve para ajudar a conceituar a prática de lavagem de dinheiro. A história de Mirandacontinua descrevendo o destino de Al Capone:
Al Capone foi preso por sonegar impostos e não pelos crimes que haviacometido. E como tinturaria não era negócio de peso, o Fisco americanodesconfiou. Al Capone acabou condenado por fraude fiscal. Em 1931, foicondenado pela justiça americana por sonegação de impostos, com 11 anos dereclusão. [BARROS, 2009]
Esta parte da história sabe-se que ocorreu. Al Capone foi preso não pelos primeiroscrimes que cometeu e sim porque o fisco norte-americano conseguiu cruzar dados e descobrirque este não poderia ter movimentado tanto dinheiro. O cruzamento de dados no exemplo deAl Capone foi fundamental para prendê-lo.
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