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Faculdades EST TEXTO 5
Curso de IntegralizaçãoDisciplina:
Temas de MissiologiaProf. Roberto Zwetsch
Missão como com-paixão: por uma teologia da missão emperspectiva latino-americana
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Roberto Zwetsch
1 – Missão como com-paixão: o evangelho para o século 21
Com-paixão pode ser uma expressão chave que resume em nossos dias o evangelhode Deus, encarnado em Jesus de Nazaré, para o bem da humanidade de todos os tempos.Sempre é temerário resumir, abreviar, concentrar. Corre-se o risco de reduzir o que não épassível de caber num conceito. Mesmo assim, arrisco-me a afirmar que a missão de Deusencontra nesta palavra-expressão um ponto alto, uma experiência que transcende tempo eespaço, conceito e história.Deus se compadeceu de nós. E se solidarizou definitivamente com o nosso extravio.Em Jesus de Nazaré, ele se aproximou para sempre do seu povo que caminha neste mundopara conduzir-nos ao seu reino de amor, justiça e bem-aventurança. E isto em e através dotempo e não de maneira ahistórica.A compaixão de Deus poderia ser a tradução da sua
missio
para os temposmodernos ou pós-modernos.
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Vivemos num tempo em que impera a objetividade do
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Este texto é parte do capítulo 4 de minha tese de doutorado. Cf. ZWETSCH, Roberto E.
Missão como com-paixão.
Por uma teologia da missão em perspectiva latino-americana. São Leopoldo: EST, 2007, p. 272-283; 342-349.
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Cf. ESCOBAR, Samuel. Missiologia evangélica: olhando para o futuro na virada do século. In: TAYLOR,William D.
Missiologia global para o século XXI
 .
A Consulta de Foz do Iguaçu. Londrina: Descoberta,2001, p. 164. O autor coloca lado a lado a conversão a Jesus Cristo e a compaixão como dimensõescentrais da missão cristã. Cf. ainda BOSCH, David J.
Missão transformadora.
São Leopoldo: Sinodal,EST, 2002,
 
p. 348-353. Nos séculos 18 e 19 o “motivo do amor” tornou-se um “vigoroso incentivo” para o
 
processo histórico, a insensatez da corrida pelo lucro a qualquer custo, o descalabro dadestruição da natureza, a insensibilidade pelo sofrimento de milhões de pessoas, que nãoencontra limites ou remédio. Vivemos tempos incompassivos, duros, cruéis, como a últimaedição do Fórum Social Mundial realizada em Nairóbi, Quênia (fevereiro de 2007), oatestou novamente. Diante dessa situação, que alternativa(s) se anuncia possível e viável,diante das inseguranças e aporias do futuro neste século 21? Esta busca não é apenas deordem política, econômica e social. Ela também desafia as igrejas e suas teologias frenteaos sinais dos tempos. Daí a importância de pensar missão e teologia a partir da com-paixão.
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 Não será tarefa fácil acreditar na compaixão divina se considerarmos apenas otestemunho das igrejas cristãs. Sua divisão histórica, a inconsistência de seu testemunho, aguerra provocada pela concorrência religiosa, os escândalos que solapam a credibilidade doevangelho da paz, da justiça e da reconciliação, todos estes são motivos suficientes paradesfigurar a promessa do evangelho. Na verdade, fazem tremer os alicerces das igrejas queconfessam ser Jesus Cristo seu Senhor, compassivo e desafiador, cujo espírito nos envia aproclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para uma nova vida. Por isto, sema presença do Espírito Santo que sopra onde quer e transforma pessoas e instituições,haveria pouco o que fazer. Como escreveu José Comblin, é no poder do Espírito que aigreja cumpre sua missão.
O Espírito prepara a Igreja no meio das nações. [...] Por isso nãoprecisamos partir para a missão já com um projeto de Igreja, nem com umprojeto de evangelho elaborado. [...] O Espírito é quem revela Cristo àsnações. Nós o anunciamos, mas não sabemos como vão conhecê-lo. O queimporta é a apresentação de Cristo assim como ele se apresentou: peloscaminhos da humildade e da cruz. Cristo parte da pobreza, dos meiospobres. Apresenta-se como sem poder. A revelação de Cristo é arevelação da sua cruz vivida como real caminho. [...] O Cristo da missãonão será um discurso humano sobre Cristo, mas uma presença viva e real
despertamento missionário. Mais tarde a questão foi superar o paternalismo missionário que redundou dolegítimo motivo original do amor. Conforme Bosch, “compaixão e solidariedade haviam sido substituídaspor dó e condescendência” (p. 352).
3
Cf. BOFF, Leonardo; MÜLLER, Werner.
Princípio de compaixão e cuidado.
Petrópolis: Vozes, 2001.Boff e Müller resgatam o princípio com-paixão, encontrável em todos os povos e culturas, como umaresposta necessária e urgente diante do mundo atual.
 
de Jesus feito homem pobre e sem poder, de uma maneira capaz de tocarno coração dos pobres das nações. Desse modo, Cristo e o Espírito estãounidos também na missão e somente a sua unidade torna possível amissão nesta hora do mundo.
4
 
Sem este poder do Espírito libertador de Cristo, a igreja permanece uma instituiçãopuramente humana e limitada em sua perspectiva histórica. Ela não dará conta da vocação aque foi chamada.Entretanto, este é o desafio da
missio Dei
.
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 Ainda ressoa em minha mente e coração a palavra
compassion
proferida no discursodo Dalai Lama, o líder espiritual do Budismo, na Vigília das Religiões, durante a ECO 92,na praia do Flamengo, Rio de Janeiro. O Dalai Lama proclamou que o mundo inteironecessita de compaixão. E não só o mundo, as pessoas, os povos. O meio ambiente, ocosmos inteiro clama por compaixão. Desde então, esta palavra não saiu mais da minhamente e com freqüência retorna como um pensamento que precisa ser traduzido em práticade vida, em programas de ação, em alternativas de sobrevivência, para que outro mundoseja possível e a humanidade consiga respirar novamente em mútua solidariedade. Entendoque o desafio do budismo não pode ser desconsiderado pela teologia cristã. É preciso levá-lo a sério e procurar nas raízes da teologia cristã como relacionar a compaixão de Deus comesta proposta de uma compaixão que mobilize os corações humanos em vista de uma novahumanidade.O mundo atual é o da concorrência, da corrida de quem chega primeiro em todos ossetores da vida e da sociedade. Que o digam os executivos de empresas e bancos, estes os
4
Cf. COMBLIN, José.
O Espírito Santo e a libertação
. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1988, p. 202s.
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Cf. BAESKE, Albérico. Testemunhando a Jesus Cristo em nossos dias.
Estudos Teológicos,
São Leopoldo,ano 42, n. 2, p. 85-107, 2002. Escreve o autor: “A fé no Deus da revelação bíblica anunciada confessa a
missio Dei’
, que termina na ‘
actio Dei’
.
 Missio
é a autocomunicação de Deus, ‘onde e quando lhe apraz’,em meio à criação, toda sua, embora rebelde. Mediante a sua ação integral [...] Deus liberta, de vez, a suacriação da rebeldia, solapando-a e transladando-a para dentro da sua nova criação” (p. 87). Sobre a ação deDeus em Jesus Cristo e as formas como ele mesmo realiza sua contínua
contextualização
no mundo, oautor escreve que é preciso: “aceitar novas formas de autocontextualização de Jesus Cristo para dentro dopensar, querer e desejar de indivíduos e povos. Ele próprio, Jesus Cristo, [...] aprofunda, recoloca, liberta,sacia, excede e recria esses pensamentos, querenças e desejos” (p. 91). Ao fim, a autêntica fé evangélicaserá aquela que aprende a gritar: “Eu creio, ajuda-me na minha falta de fé” (Marcos 9.24) (p. 92).
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