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A técnica de análise

A técnica de análise

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09/24/2013

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Ana Luísa Janeira
A técnica de análisede conteúdo nas ciênciassociais:
natureza e aplicações
A análise de conteúdo, muito usada actualmente, pos-sibilita às ciências sociais o emprego de uma técnica que,mormente quando articulada e completada por outros ins-trumentos de estudo, é incontestavelmente fecunda. Interessa,pois, que se conheçam as suas características essenciais, asfases de desenvolvimento por que tem passado e, muitonaturalmente, os campos mais representativos em que temvindo a dar provas, bem como os problemas específicos queem cada um deles levanta. São estes, na verdade, os aspectosfocados no presente artigo, que, situando-se a um nível pura-mente descritivo, tem como objectivo apresentar tambémexemplos da sua utilização.
1.
Finalidades e plano do artigo
Procura-se estudar neste trabalho as aplicações da análise deconteúdo nas ciências sociais. Porque esta técnica é relativamenterecente, pouco conhecida entre nós e implica, por si, certos proble-mas gnoseológicos e metodológicos, começa-se por dar uma ideiadaquilo que a define, seguida de uma história sumária do seu desen-volvimento. Estudam-se depois, em pormenor, algumas das suasimplicações concretas, fecundidade e limites. Este estudo não pre-tende ser nem exaustivo, nem crítico. Limitar-nos-emos, pois, aorientar a exposição a um nível meramente descritivo, segundouma preocupação didáctica de base: fornecer uma informaçãosintética sobre os caracteres específicos desta técnica, os mo-mentos históricos da sua evolução, os vários tipos de aplicaçãoe a fecundidade dos seus resultados.
2.
Definição da analise de conteúdo
à primeira vista, poder-se-á pensar que a análise de conteúdo370 —pelas suas características e seu vasto campo de aplicação, que
 
tocam, por vezes, a literatura
1
, a linguística
2
, a psicologia
8
, ahistória
4
, etc. se identifica com a hermenêutica destas discipli-
nas,
ou, quando muito, só se distingue delas por pretender obterobjectos diferentes e de interesse para as ciências sociais. A mesmaconfusão é possível se se visa a orientação metodológica e, então,pensa-se que, neste particular, só existe uma pequena diferença
maior exigência de rigor e de objectividade.Ê certo que esta análise pode incidir sobre qualquer tipo decomunicação — oral ou escrita, imagética ou textual
5
e que émais enquanto metodologia que como campo de investigação quese diferencia de outras exegeses. Ao impressionismo e intuição,à dependência subjectiva do investigador —no que ele é e lheinteressa— opõe a tendência à quantificação e estandardização:apresenta os dados de modo a poderem ser tratados cientifica-mente. Por isso, implica certas qualidades que, no caso de estaremausentes, anulam a sua validade e fecundidade. Assim,
B.
BERELSON,
depois de inventariar e agrupar uma série de definições já dadas eque ele próprio sujeitou à crítica
6
, apresentou esta: «a análise deconteúdo é uma técnica de investigação para a descrição objectiva,sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunica-ção.»
7
Definição esta que, por sua vez, já tem sido superada poralguns estudiosos desta técnica que encaram de um modo maismaleável as exigências apresentadas por
BERELSON.
Com efeito,para este último, a sua validade decorria de certas exigências:
a)
É necessário que toda e qualquer forma de subjectivismoseia anulada, pois, de contrário, os resultados não podem ser con-siderados fiéis;
b)
Deve ter sempre em linha de conta todos os elementosque poderão servir o fim pretendido, isto é, deve ser exaustiva esistemática;
c)
Como as ciências sociais procuram, e cada vez mais, apre-sentar os seus resultados sob forma quantificada, terá de calculartambém as frequências, se bem que por vezes
a medida
possa, emsentido rigoroso, estar ausente
8
.Quando se estuda toda a complexidade temática sobre quepode incidir esta técnica, ela aparece-nos com uma enorme elasti-cidade, abarcando tudo o que é comunicação social. Por outro lado,se a visarmos nas suas exigências metodológicas, descobrimos queimplica uma formação especial da parte do investigador, bemcomo o auxílio de outras técnicas e processos de análise social.
1
Cf. R.
PINTO
e M.
GRAWITZ,
Méthodes des Sciences Sociales,
Paris,Dalloz, 1964, vol. n, p. 495.
2
ID.,
ibid.,
p. 496.
3
ID.,
ibid.,
mesma página.* ID.,
ibid.,
mesma página.
5
Cf. W.
BEST,
Como Investigar en Educación,
versão e adaptação deG. Gonzalo
MAINER,
Madrid, Ed. Morata, 1967, p. 75.
6
Cf. B.
BERELSON,
«Content Analysis», in Gardner
LINDSEY,
ed.,
Hand-
òoofe
of Social Psychology,
Harvard University Press, 1967, pp. 488-489.
7
ID.,
ibid.,
p. 489.
8
Cf. R.
PINTO
e
M.
GRAWITZ,
op. cit,
p. 498.
 
Por isso, segundo A. A.
MOLES,
a análise de conteúdo procuradefinir e inventariar os «átomos da cultura»
9
; coloca-se mais aonível «de uma estatística» que «de uma dinâmica da cultura».O seu objectivo específico será captar na «torrente das mensagenssaídas de uma sociedade humana ou dos indivíduos
,
transmi^tidas ou conservadas pelos
mass-media,
uma certa quantidade deelementos suficientemente constantes, evidentes e homogéneospara se estabelecer um inventário. Cada um dos elementos encon-trar-se-á, pois, ligado a um índice de frequência ou de importânciae colocado numa ordenação, segundo uma lei, tornando-se acessí-
vel,
pelo menos em princípio, ao observador
ao sociólogo dacultura»
10
. E, ao referir-se directamente aos meios de comunicaçãode massa, este autor lembra-nos que estes, num dado momento enum certo lugar, produzem um conjunto de mensagens que é possí-vel estudar-se objectivamente, constituindo-se, assim, «o
quadrosodoculturál
de que a análise de conteúdo dita 'temática' nos daráa estrutura estatística»
n
. A constituição deste quadro está subordi-nada a uma técnica e implica, como é natural, toda uma gama deexigências e requisitos de ordem metodológica.
3.
Momentos mais importantes do desenvolvimento histórico da
técnica
de análise de conteúdo
Nos últimos trinta anos, esta técnica tem obtido um grandedesenvolvimento. Quer pelo número de aplicações anuais, querpelos assuntos estudados, é possível avaliar esta expansão.É curioso notar que já em 1938 o professor
THOMAS,
da Uni-versidade de Chicago, em colaboração com o polaco
ZNANIECKI,
nointuito de estudar os problemas relacionados com os imigrantespolacos nos Estados Unidos da América, sujeitou a «uma espéciede análise de conteúdo»
12
um vasto conjunto documental (cartaspessoais, arquivos paroquiais, relatórios de tribunais e de orga-nismos de carácter social). Os resultados deste estudo, focandoespecialmente «atitudes» e valores, apareceram publicados sob o tí-tulo de
The Polish Peasant in Europe and America.
De início começou a ser empregue pelos estudiosos do jorna-lismo, que se serviam dela para conhecerem o conteúdo dos jor-
nais.
Esta investigação «culminou no estudo de Malcolm
WILLEY,
The Country Newspaper,
em 1926»
13
. Por sua vez, os estudiososde literatura, ao fazerem investigação estilística
14
, deram tam-
9
A. A. MoiiBS,
Sociodynamique de Ia Culture,
Mouton, Paris-Haia,1967, p. 33.
10
ID.,
ibid.,
p. 37.
11
ID.,
ibid.,
p. 42.
12
Th.
CAPLOW,
UEnquête Sociologique,
A. Colin, Paris, 1970, p. 22.
13
B. BERELSON,
op. cit.,
p. 489.
14
Sobre a importância da literatura, estilística, etc, para as ciênciassociais, ver E.
KOEHLER,
«Les possibilites de Pinterprétation sociologiqueillustrées par Panalyse de textes littéraires français de diférents époques»,
in
Litérature et Sotiété
problèmes de méthodologie en Sociologie de Ia
Lité-
372 rature,
Université Libre de Bruxelles, Bruxelas, 1967, p. 48.

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