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Resumo
Esse artigo procura analisar a representação feminina no seriado A Grande Família, através daanálise das personagens Nenê, Bebel e Marilda. Não se trata de uma descrição identitária, masde se tentar entender como os enunciados – as falas, o figurino, o cenário – das personagensreproduzem a multiplicidade dos comportamentos da mulher contemporânea. Na primeiraparte do artigo, serão tratados os conceitos de seriado e sitcom. A idéia é mostrar, através daexposição da linha narrativa dos seriados, que, apesar das semelhanças, cada série possui umaforma específica de representar seus personagens. Dentre os tipos de seriado, seráaprofundado o sitcom, onde está inserido A Grande Família. Num segundo momento, o artigoanalisará as representações socais e midiáticas, relacionando-as às formações identitárias dasociedade. A intenção é mostrar como a televisão se aproveita de crenças e mitos popularesque formam as identidades atuais para representar a sociedade. Dessa forma, o artigo tratará arepresentação midiática feminina a partir de diferentes elementos históricos que foramconstruindo e modificando a identidade da mulher até os dias atuais. Por fim, todos osconceitos anteriores serão reunidos na análise das representações femininas das personagensNenê, Bebel e Marilda, em A Grande Família.Palavras-chave: sitcom – representação social – identidade – mulherA maneira como são construídos os produtos culturais de massa revela os padrões e asnegociações com as tradições da cultura que os consome. No Brasil, essa relação é maisperceptível nas narrativas ficcionais televisivas, que, ao expor hábitos, crenças, tendências econtradições, aciona o processo de reconhecimento no público a partir das históriasdesenvolvidas.A televisão se impõe como espaço privilegiado da disputas de forças entre as tradiçõese as práticas culturais emergentes. Embora privilegiem, de início, os setores sociaisconservadores, a tendência dos produtores de narrativas audiovisuais é equilibrar as múltiplasexpressões da cultura. Essa negociação permanente interfere no comportamento individual ecoletivo das pessoas em seu cotidiano. O consumo – entendido aqui como uma prática ativa,reguladora dos produtos culturais, e também modificada por eles – das narrativas ficcionaispode reforçar ou introduzir novos valores em sociedade.O conjunto desses valores forma as identidades sociais, que interferem e sofreminterferência das representações sociais, num processo circular. Indivíduos e grupos sociaissão formados enquanto sujeitos sociais a partir da representação, expressas no discurso etambém na diferença, a partir do lugar do outro.No que se refere à formação do sujeito, as questões de gênero exercem um papelimportante . É o movimento feminista que insere importantes questões relacionadas ao sujeito
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