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Pedro Markun
Diretor 
Felipe Meyer Daniela Silva
EditoresFelipe Meyer Sobre artes de Will Eisner e Gustave Doré
Capa
Felipe CunhaFelipe Meyer Gil Tokio
Quadrinhos
Felipe Meyer 
DiagramaçãoRevisão
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Daniela SilvaFelipe Meyer Júlia Almeida Alqueres
Redação
Paulo RamosSebastião Seabra
Colaboração
Daniela Silva
Eu já falei quevamos fazer uma edição sósobre quadrinhos durante aFLIP?Acho que não...mas o que tema verquadrinhos coma flip?Vamos discutir arelação entre HQ eliteratura, diferenças,similaridades, etc...Mas HQ é HQ eliteratura é literatura...ou estouenganado?Talvez, mas não dá pra desperdiçar achance de ter caras comoPaulo Ramos e Seabra namesma edição.O que caras dessecalibre decidirem, euassino embaixo!
Texto:
Felipe Meyer 
Arte:
Leandro Robles
 
Sandman
foi aclamado como umquadrinho para intelectuais e
Neil Gai-man
, seu criador, elogiado por suascapacidades literárias. Os elogiadoresesquecem que quadrinhos não são umsubgênero literário como o romance ou oconto. O quadrinho é uma arte autônoma – até onde se é possível separar uma arteda outra nos tempos atuais. Analisando a nomeação do Sandmancomo “ascendente às esferas literárias”,parto para a divisão vista nos quadrinhos:texto e imagem. Os textos de Gaiman sãoditos literários e capazes de umanarração surpreendente. As imagens,menos comentadas que os textos, sãotidas por muitos dos críticos da obracomo responsáveis pelo clima de terror. Ainserção do texto de Gaiman noparadigma do “bem escrito” e do “bomcontador de histórias” opõe-se aos de-senhos que operam apenas paracomplementar o conteúdo das histórias.Servem apenas para dar forma ao escritopor Gaiman.Nesse sentido, os críticos têm seresguardado à tradicional visão de querepousa na Literatura o dom de narrar boas histórias. Transpondo-se aosquadrinhos, esse conceito conforma acrença de que no roteiro (literário)residiria o conteúdo narrativo, enquantoque nos desenhos, estaria a forma queapresenta o conteúdo. Uma idéiabastante frágil, mas que ainda domina amaneira como os quadrinhos sãoencarados e que cria um conflito bináriobizarro entre forma (como sendo osquadrinhos) x conteúdo (representadopelo roteiro dos quadrinhos, mas tendosua representação máxima, neste casoespecífico, na Literatura). A divisão em forma e conteúdo vemsofrendo críticas há muito tempo, dosformalistas russos aos teóricos daformatividade da arte. É cada vez maisconcordante, entre os acadêmicos, quemuitas vezes o suposto conteúdo damensagem só significa algo a depender da maneira como a forma o modula. EmSandman, não importa apenas adescrição alto-astral que Gaiman faz daMorte, como também cada acessório quereveste seu corpo e a maneira comoarruma os cabelos. A Morte se portacomo uma cantora gótica dos anos 80,mas com um lado punk bastante vívido,informações não contidas em seus textosde descrição pela HQ, mas que seconfiguram também como conteúdo.Nesse aspecto, não se pode esquecer que cada recordatório (caixinha de texto)possui diagramação e colorizaçãoprópria em Sandman, o que dá forma acada um dos textos escritos.Portanto, os quadrinhos da sérieSandman não devem ser vistos comoliterários, pois não são puro conteúdo eforma escritas. O desenho é diferente daescrita e possui seus conteúdos eformas. E conteúdo e forma, não importaem qual arte seja, encontram-se mis-cigenados e imiscíveis. Note, por exemplo, a sensação que temos aoescutar a música como
Smells Like TeenSpirit 
na versão original cantada peloNirvana e na versão da inglesa Tori Amos:é apenas a forma que muda, ou ossentimentos que afloram na audição sãooutros? Creio que conteúdo e formamudam igualmente.Por fim, é bom perceber que não édom exclusivo ou supremo da Literatura ode contar histórias. Quadrinhos, cinema equaisquer outras artes podem fazer issocom igual competência. O recon-hecimento literário da obra Sandman ébastante importante exatamente por validar esta competência narrativa, e só.Quadrinhos e Literatura são artes, por igual, mas que possuem contornosdiferentes. Sem oposições, semnecessidade de dicotomias baratas.
Sandman, personagemcriado pelo escritor britânico Neil Gaiman,convidado da FLIPno ano passado
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