como situação comum a certos indiví duos. Sua importância é
fundamental para o entendimento das características das socie -
dades modernas, para o funcionamento destas sociedades, e
de suas transformações. Por exemplo,
Acom pa nhar as meta mor fo ses dos sig nificados e vivênci as
soci a is da juventude é um recur so ilu mi nador para o enten-
di mento das meta mor fo ses da pró pria moder nidade em di-
ver sos as pectos, como a arte-cul tu ra, o la zer, o mer cado de
con su mo, as relações cotidi a nas, a polí tica não-institucio -
nal, etc
4
.
As especificidades da juventude são gestadas historica-
mente, isto é, a modernidade
5
construiu a juventude como hoje
ela é conhecida. A característica moderna do instantâneo, da fa-
ci lidade de cons truir e destruir valores e instituições transforma e
remodela as variáveis, isto é, os elementos sociais, conforme as
necessidades históricas que se apresentam. Segundo Borrego
6
,“a juventude reflete as realidades de qualquer sociedade”.É preciso remontar ao surgimento da categoria social
ju-ventude
no discurso das Ciências Soci ais. Com o advento do ca-
pitalismo, as relações de produção destacam novos elementos
que compõem a sociedade. A juventude é uma construção his-
tórico-social, que aparece nos discursos dos séculos
XVII
e
XVIII
,de forma insuficiente e, quando isso ocorre, está representada
apenas no seio da sociedade burguesa. Mais tarde é percebida
em todos os estratos sociais. A divisão social do trabalho, até
este mo mento, se dava por idade e gê nero, e os mem bros des-
sas sociedades, cresciam seguindo o exemplo paterno, paradig-
ma de su jeito adulto
7
. Com a modificação das relações familia-
res e so ci ais, a in fân cia se prolon ga, e a ju ventude pas sa a ser
um gru po em fase de pre para ção para assumir as rendas do ca-
pital familiar. A escola surge, então, para assumir esse papel pre -
Cadernos IHU Idéias
3
4Ibidem, p. 17.5A modernidade, segundo Marshall Ber man (1986: 15), constituiu-se “nas aven-
turas, no po der, no cres cimento e na transfor mação das coisas ao re dor”.
Implica mais complexidade nas relações entre ser humano e ambiente, mas im-
plica também a efemeridade destas relações. A modernidade aproxima cultu-
ras, raças, ideologias no que concerne ao humano e também enfraquece as teias
que se engendram no seio das nossas relações. Modernidade e juventude são
dois conceitos que podem ser trabalhados de forma paralela, encontrando-se
em algumas etapas do caminho e distanciando-se, na medida em que as le-
sões modernas na juventude são causas de certos silenciamentos sobre os
nossos agentes polí ticos.
6
BORREGO
, Natividad Guerrero. Concepções e realidades atuais da juventude:
aexperiência cubana. In:
AZEVEDO
, Fábio Pa lácio de (org.).
Juven tude, Cul tu ra e
Polí ticas Pú blicas
: intervenções apresentadas no Seminário Teórico-Polí tico do
Centro de Estudos e Memória da Juventude (
CEMJ
). São Paulo: Anita Garibaldi,
2005.7
PÀMPOLS
, Carles Feixa.
A Construção Histó rica da Juventude
. In:
CACCIA-BAVA
, Augusto;
PÀMPOLS
, Carles Feixa;
CANGAS
, Yanko Gonzáles (org.).
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. São Pa u lo: Escri tu ras, 2004. p. 257 – 327.
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