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 11ª ediçãoPrimeira edição, 1982Editora BrasilienseRua da Consolação, 2697São Paulo SPFone (011) 280-1222
 
 
ÍNDICE
Direito e lei ........................................................................................................................... 3Ideologias jurídicas ............................................................................................................... 7Principais modelos de ideologia jurídica .............................................................................. 14Sociologia e direito .............................................................................................................. 30A dialética social do direito .................................................................................................. 42Indicações para leitura.......................................................................................................... 59
 
DIREITO E LEI
A maior dificuldade, numa apresentação do Direito, não será mostrar o que ele é,mas dissolver as imagens falsas ou distorcidas que muita gente aceita como retrato fiel.Se procurarmos a palavra que mais freqüentemente é associada a Direito, veremosaparecer a lei, começando pelo inglês, em que law designa as duas coisas. Mas já deviamservir-nos de advertência, contra esta confusão, as outras línguas, em que Direito e lei sãoindicados por termos distintos: lus e lex (latim), Derecho e léy (espanhol), Diritto e legge(italiano), Droit e loí (francês), Recht e gesetz (alemão), Pravo e zakon (russo), Jog e tõrveny(húngaro) e assim por diante. Noutra passagem deste livrinho, teremos de enfrentar a sugestãodo grego, em que nomos (lei) também não se identifica, sem mais, com o Direito e Dikaionpropõe a questão do Direito justo. As relações entre Direito e Justiça constituem aspectofundamental de nosso tema e, também ali, muitas nuvens ideológicas recobrem a nuarealidade das coisas.Em todo caso, não se trata dum problema de vocabulário. A diversidade daspalavras atinge diretamente a noção daquilo que estivermos dispostos a aceitar como Direito.Por isso mesmo, os autores ingleses e americanos tem de falar em Right, e não law, quandopretendem referir-se exclusivamente ao Direito, independente da lei ou até, se for o caso,contra ela (isto não significa, note o leitor, que o verdadeiro Right não possa ser um Direitolegal, porém que ele continuaria a ser Direito, se a lei não o admitisse.A lei sempre emana do Estado e permanece, em última análise, ligada à classedominante, pois o Estado, como sistema de órgãos que regem a sociedade politicamenteorganizada, fica sob o controle daqueles que comandam o processo econômico, na qualidadede proprietários dos meios de produção. Embora as leis apresentem contradições, que não nospermitem rejeitá-las sem exame, como pura expressão dos interesses daquela classe, tambémnão se pode afirmar, ingênua ou manhosamente, que toda legislação seja Direito autêntico,
legítimo e indiscutível. Nesta última alternativa, nós nos deixaríamos embrulhar nos “pacotes”
legislativos, ditados pela simples conveniência do poder em exercício. A legislação abrange,sempre, em maior ou menor grau, Direito e Antidireito: isto é, Direito propriamente dito, retoe correto, e negação do Direito, entortado pelos interesses classísticos e caprichos continuístasdo poder estabelecido.A identificação entre Direito e lei pertence, aliás, ao repertório ideológico doEstado, pois na sua posição privilegiada ele desejaria convencer-nos de que cessaram as
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