questionável do ponto de vista do conhecimento da realidade concreta da escola a que se candidata, cria uma outra situação difícil desustentar, relativamente aos requisitos para admissão ao concurso: enquanto que um director pedagógico de um colégio particular, aindaque sem formação específica, se pode candidatar, um professor de uma escola pública, com vários anos de serviço, formaçãoespecializada em administração escolar e até experiência de gestão, não poderá candidatar-se se não pertencer ao quadro de nomeaçãodefinitiva.Ainda relativamente aos requisitos para o exercício de cargos, não se compreende que, para o cargo de "Adjunto" do Director se imponhaa condição de ser docente do quadro de escola ou agrupamento quando, para os Assessores, se exige apenas que estejam em exercíciode funções na escola/agrupamento.6.
A recentralização do poder através do Director,
privilegiando o ME o controlo directo e imediato sobre a gestão das escolas. Oreforço da dependência hierárquica do Director, em cujos deveres específicos se inclui: "Cumprir e fazer cumprir as orientações daadministração educativa", é o que pode justificar que este projecto preveja que a tomada de posse do Director seja feita perante a DirecçãoRegional e que o seu mandato, para além de poder cessar por deliberação do Conselho Geral, fundada em "manifesta desadequação darespectiva gestão" ou "por despacho fundamentado do director regional de Educação, na sequência de processo disciplinar", possa aindacessar "a todo o momento, por despacho fundamentado do membro do governo responsável pela área da educação na sequência deprocesso de avaliação externa ou de acção inspectiva".Também o argumento, aduzido por responsáveis do ME, de que a impossibilidade de um professor presidir ao Conselho Geral visa"garantir que não é posta em causa a autoridade do Director", prova que a grande aposta deste modelo é o Director e não o reforço dopoder das representações externas à escola, retoricamente invocado.7
.
A
redução
da participação e da influência dos docentes
na direcção e gestão das escolas. As alterações propostas visamfundamentalmente retirar espaços de intervenção aos professores, garantindo que estarão sempre em minoria no órgão de direcçãoestratégica (com um peso de entre 30 e 40%) e não poderão assumir a presidência desse Conselho ? discriminação absurda e inaceitável.Igualmente incompreensível, à luz da natureza política deste órgão, é a exigência de que pelo menos 25% dos candidatos à representaçãodos docentes tenham que ser "professores titulares", o que, para além de inexequível em muitas escolas, configura uma limitação àescolha por parte dos professores dos seus representantes nesse Conselho.A contestação à redução da representação dos professores nesse órgão não radica em nenhum receio de perda de poder. Quem conhecea realidade das escolas sabe que as opiniões e os saberes dos professores são, e continuarão a ser, devidamente valorizados pelosrestantes parceiros educativos que, com eles, têm assento nos órgãos. A gravidade desta proposta está na desautorização pública que elarepresenta do trabalho e do papel dos professores e educadores. Neste particular, em bom rigor, não se pode acusar o actual Governo defalta de coerência.8.
A retórica do reforço da participação da comunidade
não encontra correspondência no articulado do projecto. A este respeito, nadaindica que o órgão de participação e representação da comunidade educativa, agora designado Conselho Geral, deixe de ter, enquanto"órgão de direcção estratégica da escola", os mesmos défices de funcionamento da actual Assembleia, que o Programa de AvaliaçãoExterna, levado a cabo pelo Centro de Estudos da Escola agrupou em três categorias: défice de informação, défice de democracia e déficede utilidade.Em vez de criar condições para uma participação efectiva dos representantes da comunidade escolar e comunitária no órgão de direcçãoda escola (nomeadamente os alunos), o Governo limita-se a redistribuir o peso relativo de cada corpo ou grupo representado, parecendomais preocupado com a fiscalização e controlo político do que com a cooperação e co-responsabilização em níveis adequados, dosdiversos intervenientes. É, certamente, esta preocupação que justifica a atribuição, ao Conselho Geral, da competência de "fiscalizar aacção dos demais órgãos de administração e gestão", potenciadora de ingerência e conflitualidade na relação entre esses órgãos.Neste contexto, a própria criação de uma Comissão Permanente, de composição muito mais restrita, na qual podem ser delegadas todasas competências (com excepção da eleição do Director) deixa antever uma grave amputação das áreas de intervenção dos diversosgrupos representados no Conselho Geral.
9. Contratos de autonomia.
A FENPROF considera negativa a manutenção da ideia da contratualização como forma privilegiada deconstrução da autonomia das escolas. A experiência recente de assinatura de vinte e dois contratos, em que as escolas viram aspropostas que implicavam aumento de custos 'recusadas' pela administração, veio confirmar as reservas da FENPROF na virtualidade decontratos celebrados entre partes com poder negocial tão desigual. Como refere Virgínio Sá, "quando o mesmo é celebrado entre dois (oumais) contratantes dispondo de um poder negocial muito assimétrico, o mais provável é que o "contrato", em vez de assumir a forma de um"
tratado
" (em que os parceiros consensualizam direitos e deveres das partes), se configure antes como um "
ditado
" (em que uma daspartes impõe/dita unilateralemnte a sua agenda). Por isso, a FENPROF tem defendido, em alternativa, a aprovação de uma Lei deAutonomia e Financiamento para estes sectores de educação e ensino.10. A
agregação de agrupamentos
. Ao consagrar que o ME, de forma autocrática, pode avançar com a referida agregação, o Governoassume uma atitude de desvalorização das posições das comunidades educativas e procura legitimar, e acelerar, o processo de fusão deescolas e agrupamentos, criando grandes unidades de gestão determinadas por critérios financeiros e administrativos, mas sem qualquerracionalidade pedagógica.A terminar, a FENPROF sublinha, em síntese, as seguintes questões:O Governo procura justificar a alteração do DL 115-A/98 com a necessidade de concretização de três objectivos: i) "reforçar a participaçãodas famílias e das comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino"; ii) favorecer o desenvolvimento de "boaslideranças e lideranças fortes"; iii) reforçar a autonomia das escolas". Ora, quer a análise do actual regime jurídico quer a evidênciaempírica disponível permitem concluir que não existe incompatibilidade normativa entre o actual regime jurídico e a concretização dosobjectivos invocados.Relativamente ao reforço da participação comunitária, importa ter em conta que no DL 115-A/98 não existe um tecto para a participaçãodos pais/encarregados de educação na Assembleia de Escola, nada impedindo que possa ser superior a 50%. Trabalhos de váriosespecialistas na área da administração escolar têm vindo a demonstrar que, também a este nível, as mudanças não se conseguem por vianormativa.Quanto ao desenvolvimento de "boas lideranças e lideranças fortes", como lembra J. Barroso no seu Parecer sobre este projecto de Dec.-Lei, a avaliação externa levada a cabo pela IGE em 2006/2007 a 100 escolas/agrupamentos, atribuiu a 91% dessas escolas umaapreciação de Muito Bom ou Bom no domínio da 'organização e gestão escolar' e a 83% idêntica apreciação no domínio da 'liderança',ficando, portanto, claro que a existência de Conselhos Executivos não impede a afirmação de "boas lideranças" (individuais e colegiais).No que diz respeito à autonomia, se é certo que ela, no essencial, não tem passado de uma invocação retórica, nada no projecto dediploma em análise aponta para o seu efectivo reforço. Pelo contrário, e de forma totalmente incongruente, este projecto pretende atéretirar às escolas alguns dos poderes de decisão que Dec.-Lei 115-A/98 lhes conferiu relativamente à sua organização interna ? impondo atodas as escolas a obrigatoriedade de um órgão de gestão unipessoal; impondo a todas as escolas a obrigatoriedade de acumulação docargo de Director e de Presidente do Conselho Pedagógico; impondo a todas as escolas a obrigatoriedade de os professores estarem emminoria no órgão de direcção estratégica; impondo a todas as escolas a obrigatoriedade da existência de apenas quatro departamentoscurriculares.Pretender "reforçar a autonomia das escolas" ao mesmo tempo que se lhes retiram algumas das (poucas) margens de liberdade que hojetêm, impondo arbitrariamente uma solução única, não tem qualquer credibilidade. Como afirma J. Barroso no seu Parecer, "O projecto dediploma não resolve, antes acentua o carácter híbrido e contraditório do discurso em vigor em Portugal, há mais de 10 anos, sobre aautonomia das escolas".Finalmente, a FENPROF considera que a alteração do regime de gestão era a peça que faltava para a consolidação de um certoparadigma de escola, congruente com a concepção de professor que o actual Estatuto da Carreira Docente configura ? cumpridor acrítico
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