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CAPÍTULO 1 – COMUNICAÇÃO E MÚSICA
Este primeiro capítulo procura demonstrar as amarras que nos permitem pensara música como uma linguagem comunicacional, através do relacionamento entre asduas teorias. Em um momento inicial, o primeiro e o segundo qaurto do capítulo, sãoapresentadas as principais noções teóricas, tanto da comunicação quanto damúsica, para estabelecermos nosso modo de observar esses dois fenômenos.Depois, em um segundo momento, a terceira parte do capítulo é destinada aevidenciar algumas concepções acerca da percepção sonora e musical. E por últimofazemos as amarras dos pontos de intersecção entre as teorias, fazendo umparalelo entre suas noções e buscando o lugar onde a música se façacomunicacional e a comunicação possa ser musicada.
1.1. A Comunicação
Para falar proveitosamente de comunicação é preciso estabelecer que tipo defenômeno este termo está designando (PERUZZOLO, 2006, p. 17), isso porquecomunicação vai muito além de um termo lingüístico
é uma categoria conceitual pela qual podemos trabalhar certos fenômenos(aí vem a questão crucial!) gerais ou especiais, precisos ou difusos,pertinentes ao universo ou aos seres vivos ou a parte deles ou a um tipo deação, com muitos significados ou mesmo com expressão nenhuma(PERUZZOLO, 2006, p. 18).
É por isso que, ao iniciarmos uma discussão onde a comunicação vai figurar comoum dos atores principais, nós temos a necessidade de especificar qual a baseteórica que estamos utilizando para observar o processo comunicacional.
 
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Inicio dizendo que assumo a opção, neste trabalho, de utilizar um conceitocomunicacional que estabeleça seus limites mínimos, as condições primordiais paradefinir comunicação. Isso porque, acredito que esta observação mínima facilite acompreensão de critérios práticos que demonstrem a partir de qual momentoestamos falando em um processo comunicacional ou em que momento estamosdiante de outro tipo de relação.Na medida em que esta pesquisa associa conceitos nascidos relativamentedistantes, e por isso, não necessariamente concebidos para dialogar, como a teoriacomunicacional e a teoria musical, essa marcação mais concisa facilita a relaçãomais precisa entre eles.1.1.1. Conceito de ComunicaçãoPodemos pensar a comunicação como “primordialmente uma relação”(PERUZZOLO, 2004, p. 21), um ato que precisa acontecer no tempo e no espaço,uma ação. Essa ação de relação também precisa acontecer entre dois sujeitos: umque procura alguém, o emissor, e outro que é procurado, o receptor. O sujeitoemissor provoca o ato comunicacional quando produz e envia uma mensagemdestinada a um sujeito receptor. Já este outro, pratica o ato comunicacional quandose assume na posição de receber e ler
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esta mensagem produzida pelo emissor(PERUZZOLO, 2006 b)
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.Acho importante ressaltar que o termo “sujeito” aqui é entendidoprincipalmente no seu sentido gramatical: sujeito, aquele que pratica a ação(PERUZZOLO, 2006 b). Então, quando nos referimos à comunicação como umarelação entre dois sujeitos, estamos enfatizando a atividade dos dois personagenscomunicacionais: o emissor e o receptor. Isso revela que, primeiro, o personagemcomunicacional receptor não é passivo, ele também é sujeito, pratica uma açãoativamente, aceita-se na posição de receptor; segundo, sem a existência dos doissujeitos (um que pratica a ação de emissão e o outro que pratica a ação derecepção) não vai existir processo comunicacional.
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O termo “ler” empregado aqui como ação de decodificar “textos” que não só verbais - tambémpictóricos, visuais, sonoros, gestuais - concebidos em outras formas de linguagem.
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PERUZZOLO, Adair Caetano: 2006. Anotações da disciplina de Semiótica, ministradas no 1°semestre de 2006, Curso de Comunicação Social, UFSM.
 
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Ainda temos dentro do conceito mínimo de comunicação a mensagem. Ela éo meio material por onde os dois sujeitos entram em relação, é na sua produção eno seu envio que o emissor faz seus investimentos comunicacionais (PERUZZOLO,2004, p. 21). Quando decide iniciar uma relação de comunicação com outro sujeito oemissor vai primeiro relacionar-se com a mensagem que se torna então
um conjunto de elementos representantes do emissor, seja porque ele osorganizou de uma forma intencional, seja porque ele os escolheu assimcomo são, para que cheguem e despertem o interesse e significados noreceptor (PERUZZOLO, 2004, p. 23) .
Para isso, o emissor faz algumas suposições a respeito do receptor e organiza amensagem de acordo com elas, montando suas estratégias (PERUZZOLO, 2004, p.23).É também na recepção e decodificação da mensagem que o receptor fazseus investimentos e que colhe significados e sentidos. Mas, além disso, olhandopara a mensagem, o receptor pode fazer certas conjeturas a respeito do emissor –observando os modos e as estratégias que este empregou na sua produção – e arespeito das suposições que o emissor fez dele, receptor. (PERUZZOLO, 2004, p.23).Uma outra característica fundamental à mensagem é a necessidade que estatem de ser produzida dentro de códigos comuns aos dois sujeitos (PERUZZOLO,2004, p. 20), afim de que o segundo possa compreender a mensagem codificadapelo primeiro. É necessário que o emissor e o receptor compartilhem um mesmocódigo para que um possa fazer circular no outro, através dos sinais da mensagem,os mesmos sentidos.Uma relação conceitual importante para este momento é a existente entrecódigo e linguagem. Na verdade, as linguagens assumem o papel de código dentroda comunicação, já que regulamentam a construção das mensagens através desinais e significados comuns ao emissor e ao receptor, deslanchando assim umprocesso comunicacional. Portanto quando nos referimos aos processos decomunicação, podemos tomar linguagem como sinônimo de código.
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