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A POLÍTICA SOCIALISTA PARA PORTUGAL
partilha e cultura colectiva, esvaziando a componente intelectual e a autonomia necessária do trabalho docenteem troca da sua disciplina e desejada obediência acrítica.A sub-representação dos jovens em todas as tomadas de decisão da vida da escola, em particular a ver-gonhosa representação dos estudantes em todos os órgãos de gestão, só adia a responsabilidade. Temos umaescola que não reconhece os jovens como sujeitos.A encruzilhada é muito exigente: há que responder às desigualdades sociais e culturais de partida e que seprolongam no sistema de ensino; há que compatibilizar respostas aos direitos de pais e mães que trabalham,com ofertas de qualidade para os/as seus/suas filhos/as, respondendo, simultaneamente, à sobre-instituciona-lização das crianças e à debilidade dos seus direitos; finalmente, temos que dignificar as condições de exercíciodos profissionais da escola.As repostas a estes desafios começam nas creches e nos jardins de infância de oferta pública, onde é urgenteinvestir nas redes de proximidade e na conciliação dos horários de trabalho com as responsabilidades parentais,ultrapassando o actual negocismo à custa dos cuidados das crianças.O país precisa construir uma outra cultura para a escola pública – centrada nas crianças e nos jovens, que dêprioridade aos equipamentos, às aprendizagens, aos horários, e aos direitos. Este é o compromisso que projectaa escola democrática no futuro.
O PODER E A EDUCAÇÃO: GOVERNO A MAIS, ESTADO A MENOS
A governamentalização das instituições e a debilidade do papel do Estado na definição dos grandes com-promissos para a educação, consagrados na Constituição ou mesmo na Lei de Bases do Sistema Educativo,têm sustentado o experimentalismo legislativo. Nenhum governo foi tão pródigo e tão afoito como o último nahiper-produção legislativa, como nem nenhum outro foi tão consistente na afirmação de um modelo de ensinoe de escola em regime de pensamento único, que desprezou as escolas e abalou a imagem das instituições e dosseus profissionais.Apesar da guerra aberta, o país continua à espera de um projecto educativo nacional que se afirme
universal
– direccionado para todos e para todas, independentemente da sua idade e nacionalidade;
democrático
– por-que combate as desigualdades sociais;
participativo
– porque se organiza numa lógica de implicação de toda/os; e ecológico – porque integra a diversidade dos saberes científicos e populares, técnicos e artísticos ao serviçoda dimensão individual e colectiva.A imposição do pensamento único produziu resultados escolares politicamente simpáticos para quem go-verna, prescindindo de fazer o investimento necessário na qualificação e na capacidade de inclusão do sistemaeducativo. Como no período em que Manuela Ferreira Leite dirigiu o ensino superior, a “reforma educativa”do PS foi de “baixo custo”: a “educação para todos” prescindiu do velho lema que insistia na educação de qua-lidade para todos e deu prioridade à igualdade do acesso sobre a igualdade de oportunidades.Nesta opção o governo PS juntou outros trunfos: desvalorizou o conhecimento e a memória, enquantoenaltecia o valor absoluto das novas tecnologias da informação. Assim se propagou o mito de que o sucessoescolar se resolve com aquelas, desde que os profissionais sejam dóceis e que a qualificação se identifique comcredenciação administrativa. Para o governo do PS, docentes motivados e jovens empenhados converteram-senuma exigência “conservadora”.Assolada pela retórica da reforma pronta-a-vestir (e pronta-a-pensar), a escola vive hoje sufocada numexcesso regulador que impôs mensurabilidades estranhas a um projecto pedagógico criativo e libertador e foisubmersa por uma linguagem importada da gestão empresarial (objectivos, medições e “competências” para omercado de trabalho), sem qualquer lógica inclusiva e democratizadora.De fora ficou o essencial: a definição da missão pública da escola e a superação da debilidade das políticaspúblicas para a infância e para a adolescência – precisamente as que impõem a urgência de um programa de
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