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A TRANSIÇÃO DO DESENVOLVIMENTO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Lafaiete Santos Neves
1
Luiz Augusto M. Kleinmayer 
Regis Tocach
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RESUMO
O presente artigo tem por objetivo identificar a transição do conceito de desenvolvimento parao conceito de desenvolvimento sustentável atualmente aplicado à sociedade capitalista. Efetua-se também a explicitação da crítica ao conceito de desenvolvimento, o qual se mostra comoverdadeira ilusão ou mito, na franca intenção de demonstrar a fragilidade da construção teóricaaté então hegemônica. Por fim, é feita a análise do conceito de desenvolvimento sustentável,tendo por escopo a identificação da evolução conceitual e a superação das deficiênciasteóricas e práticas do conceito de desenvolvimento. A tentativa de se analisar a transição entreum conceito e outro é a temática principal do presente estudo, de modo que se mostranecessário avaliar as características do conceito até então hegemônico de desenvolvimento,bem como as razões pelas quais se tornou necessário superar as suas limitações pela inclusãode um novo enfoque, qual seja, o de desenvolvimento sustentável. Como resultado desseprocesso de transformação, está se caminhando para a superação do entendimento dedesenvolvimento como crescimento econômico em favor do desenvolvimento sustentável, oqual, além da dimensão econômica, atenta também para os aspectos social, espacial, culturale ambiental.
Palavras-chave
:Desenvolvimento; Crescimento Econômico; Desenvolvimento Sustentável.
 
1
Doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná e Professor do Mestrado emOrganizações e Desenvolvimento da UNIFAE - Centro Universitário Franciscano do Paraná.
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Mestrando em Organizações e Desenvolvimento pela UNIFAE – Centro Universitário Franciscano doParaná, Bacharel em Administração pela UNIFAE – Centro Universitário Franciscano do Paraná, Graduandodo curso de Direito pela UNICURITIBA – Centro Universitário Curitiba. gutokleinmayer@uol.com.br 
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Mestrando em Organizações e Desenvolvimento pela UNIFAE – Centro Universitário Franciscano doParaná, especialista em Direito Empresarial Societário pelo UnicenP – Centro Universitário Positivo,Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Paraná, Advogado. regis_2@yahoo.com
 
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1INTRODUÇÃO
O objetivo deste artigo é contribuir para a compreensão de como se deu a passagemdo conceito de desenvolvimento para o conceito de desenvolvimento sustentável.Historicamente o conceito de desenvolvimento têm dois sentidos. O primeiro estárelacionado à evolução do sistema de produção, ao processo de acumulação e progressotécnico, com o objetivo de elevar a produtividade da força de trabalho.O segundo diz respeito à relação entre desenvolvimento e o grau de satisfação dasnecessidades humanas (FURTADO,1980).Os dois sentidos de desenvolvimento implicam na compreensão dos seusdesdobramentos, que estão relacionados à eficácia do sistema social de produção, àsatisfação das necessidades elementares da população e ao interesse dos grupos dominantesna economia na utilização dos recursos naturais.Exatamente nesse último aspecto, dos recursos naturais, que a concepção dedesenvolvimento encontra seu maior dilema, ou seja, como conciliar a exploração dos recursosnaturais escassos, com a satisfação das necessidades da população, sem degradar suascondições de existência.A pressão pelo consumo cada vez mais crescente, dada a péssima estrutura dedistribuição de renda nos países semi-periféricos e emergentes,onde uma pequena parcela dapopulação tem o padrão de consumo dos países desenvolvidos, ou a distribuição de rendamais equilibrada nos países do núcleo orgânico (ARRIGHI, 1997) têm levado a uma pressãosobre a produção industrial ou agrícola que leva à destruição progressiva dos recursos naturaisnão renováveis.Isto tem levado a uma degradação progressiva do meio ambiente, que tem obrigadogovernos e instituições a alertarem as nações sobre as conseqüências irreversíveis se nãohouver uma busca do desenvolvimento com sustentabilidade para compatibilizar desenvolvimento com preservação da natureza.O atual modelo de desenvolvimento industrial, baseado na produção de bens deconsumo duráveis para atender à demanda de estratos de média e alta renda, tem agravado adestruição do meio ambiente à medida que o processo de globalização desse tipo de produçãoindustrial dos países do núcleo orgânico tem se espalhado pelos países semi-periféricos eemergentes.Há uma pressão cada vez maior desse modelo de produção industrial em ampliar suademanda por recursos naturais. Nos países desenvolvidos a realidade é de esgotamento dosrecursos naturais e para manter esse modelo de produção é cada vez maior a demanda derecursos naturais dos países periféricos que ainda detém uma grande reserva dessas riquezas.Logo, o ataque ao meio ambiente está diretamente relacionado à lógica do modeloatual de produção, com seu aparato tecnológico, desenvolvido pelo países do núcleo orgânicodo capitalismo e difundido como forma de progresso global.
 
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Porém, esse propagado progresso global é inviável para uma população que até osanos 2050 atingirá 8 a 9 bilhões de pessoas. Isso significa que será impossível atender essamassa humana num padrão de vida minimamente médio próximo sequer ao padrão de vidados europeus e norte-americanos, porque não haverá recursos naturais disponíveis para seatingir esse padrão médio de vida (DUPAS, 2007, p.85).Assim, em um primeiro momento pretende-se identificar a transição do conceito dedesenvolvimento para o conceito de desenvolvimento sustentável atualmente aplicado àssociedades capitalistas contemporâneas. Após a análise do conceito de desenvolvimentoefetua-se a explicitação da crítica ao conceito de desenvolvimento que se mostra comoverdadeira ilusão ou mito, na franca intenção de demonstrar a fragilidade da construção teóricaaté então hegemônica. Por fim, é feita a análise do conceito de desenvolvimento sustentável,tendo por escopo a identificação da evolução conceitual e a superação das deficiênciasteóricas e práticas do conceito de desenvolvimento.
2O CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO
Segundo José Eli da Veiga (2005, p.17-18), três são os entendimentos acerca dodesenvolvimento, sendo dois deles mais comumente divulgados, até mesmo por serembastante simplistas. Já o terceiro entendimento seria de maior complexidade, o que, em muitoscasos, acaba por ser um empecilho para a sua disseminação.Uma primeira corrente seria a dos fundamentalistas. Nesse entendimento, odesenvolvimento teria o mesmo significado de crescimento econômico. Essa noção aindaapresenta grande força na atualidade, tendo como principal exemplo de sua aplicação acomum medição do desenvolvimento com base no Produto Interno Bruto per capta de um país.O desenvolvimento seria uma decorrência natural do crescimento econômico em razão do quese chama de "efeito cascata" (SACHS, 2004, p. 26).Esse entendimento foi enfraquecido com o Programa das Nações Unidas para odesenvolvimento (PNUD) através do "Relatório do Desenvolvimento Humano" e do lançamentodo "Índice de Desenvolvimento Humano" (IDH). A criação desse programa e do índice tevecomo causa a percepção de que o crescimento econômico apresentado por alguns países nadécada de 1950 não trouxe consigo os mesmos resultados sociais ocorridos em outros paísesconsiderados desenvolvidos (VEIGA, 2005, p.18-19).A segunda corrente nega a existência do desenvolvimento, tratando-o como um mito.Aos pensadores que partilham essa idéia deu-se o nome de pós-modernistas. Para o grupo, anoção de desenvolvimento sustentável em nada altera a visão de desenvolvimento econômico,sendo ambas o mesmo mito. Assim, o desenvolvimento poderia ser entendido como uma"armadilha ideológica construída para perpetuar as relações assimétricas entre as minoriasdominadoras e as maiorias dominadas" (SACHS, 2004, p.26).
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