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Corpo de Guitarra

Corpo de Guitarra

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04/23/2015

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Sobre o acoplamento corda-corpo em guitarras elétricas esua relação com o timbre do instrumento
Rodrigo Mateus Pereira,
1,
Albary Laibida Junior,
2,3, †
e Thiago Corrêa de Freitas
4, ‡
1
Tecnologia em Luteria,Universidade Federal do Paraná, R. Dr. Alcides Vieira Arcoverde, 1255, 81520-260, Curitiba, Paraná, Brasil
2
Faculdades Integradas Espírita - FIES, R. Tobias de Macedo Júnior, 246, 82010-340, Curitiba, Paraná, Brasil
3
Centro Universitário Campos de Andrade, R. João Scuissiato, 1, 80310-310, Curitiba, Paraná, Brasil
4
 Departamento de FísicaUniversidade Federal do Paraná,C. P. 19044, 81531-980, Curitiba, Paraná, Brasil
Foram construídos 9 corpos de guitarra elétrica no modelo Telecaster pelo autor RMP, estes foram monta-dos utilizando-se o mesmo conjunto de braço e captador. Uma vez que cada corpo foi montado, procedeu-serealizando a excitação mecânica de duas cordas da guitarra elétrica, o som obtido diretamente do instrumentomusical foi gravado para posterior análise. Também foi gravado um trecho musical tocado com cada guitarraelétrica. Para estes sons foi realizado um tratamento de forma a se obter os harmônicos que os formam via trans-formada de Fourier, estes harmônicos são reponsáveis pelo timbre do instrumento. Os espectros de harmônicosde cada guitarra elétrica são comparados entre si e não se verificam diferenças significativas entre eles. Assim,as variações de timbre de guitarras elétricas, segundo os resultados aqui obtidos, dependem de outros fatoresque não a madeira do corpo em si, fato que decorre da não existência de uma acoplamento significativo entrea corda e o corpo do instrumento. Também é feita uma proposta de modelagem do acoplamento corda-corpo,a qual mostra que apenas uma quantidade desconsiderável de energia da corda vibrante chega até o corpo doinstrumento e que uma quantidade menor ainda retorna até a corda.
I. INTRODÃO
A confecção de instrumentos musicais exige uma mão de obraextrememente especializada e também materiais que passampor processos de seleção muitas vezes não científicos, porémrigorosos. A segunda premissa é válida para instrumentos di-versos, como exemplo tem-se: o pau-brasil (
Caesalpinia echi-nata
) usado em arcos para instrumentos de corda, o ébano(
 Diospyros ebenum
) usado nos tubos de instrumentos de so-pro como o clarinete e o oboé. Estes materiais já são bemestabelecidos, e resistem apesar de tentativas de introdução deoutros materiais sintéticos ou menos ameaçados na natureza[1]. Esta resistência advém tanto de questões técnicas reais,como de tradições obscuras que pouco resistiriam a uma aná-lise científica detalhada [1–3]. Nosso objetivo é analisar a in-fluência de diferentes tipos de madeira no timbre da guitarraelétrica e entender as relações de acoplamento da corda como corpo do instrumento. É importante salientar que neste casoa situação é diferente da situação dos instrumentos acústicos,poisa obtenção do som naguitarraelétrica seatravés deumprocesso de indução eletromagnética [4–9]. Assim para queo som seja influênciado pelo corpo do instrumento, a cordaprecisa interagir com o este de forma a alterar sua vibração,pois somente a vibração da corda é capturada pelo captador etransformada posteriormente em som [8, 9]. Alguns estudosrealizados com diferentes tipos de madeiras sugerem que dife-
rentes madeiras interagem de forma diferente com o som [10],algo esperado para materiais não-homogêneos e com propri-edades anisotrópicas como a madeira. Estes estudos porémconsideram apenas a madeira, e não o instrumento montadocomo feito neste trabalho. Por outro lado Hiscock [11] dizque, experimentando duas guitarras elétricas de uma reno-mada marca norte-americana, idênticas em todos os sentidos,inclusivedemesmoanodefabricação, tendocomúnicadistin-ção a madeira do corpo, sendo uma delas
Fraxinus americana
(comumente chamada de ash, ash americana ou ash branca)e a outra
Alnus rubra
(comumente chamada de alder ou aldervermelha), ambas soaram iguais na questão timbre.Figura 1: Corpos construídos das diferentes madeirasnomeadas na Tab. I. O corpo I encontra-se montado com obraço e o captador utilizados no experimento.
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Physicæ
9,
2010
 
Sobre o acoplamento corda-corpo em guitarras elétricas e sua relação com o timbre do instrumento 
II. MATERIAIS E MÉTODOS
Para a análise dos sons das guitarras elétricas com corpos dediferentes madeiras, ver Tab. I e Fig. 1, foram realizados al-guns procedimentos para garantir a reprodutibilidade dos da-dos, sendo: obraço, ocaptador, aponteeastarraxasutilizadosforam os mesmos para os diferentes corpos, também foi utili-zado um conjunto novo de cordas
GEEGST 10 Série Guitarra
da marca Giannini para cada corpo.Tabela I: Madeiras utilizadas na construção dos corpos dasguitarras elétricas, de A até I. São apresentados o nomevulgar, o nome científico, a massa do corpo e a velocidade depropagação do som no corpo.
Corpo Nome
m
(
×
10
3
g
)
v
(
m
/
s
)
 Nome científico
AraucáriaA
Araucaria angustifolia
2,73 6780Cedro-rosaB
Cedrela fissilis
1,83 5252FreijóC
Cordia goeldiana
2,67 5931ImbuiaD
Ocotea porosa
3,18 1792JequitibáE
Cariniana sp.
3,36 5428MarupáF
Simarouba amara
1,93 5562MognoG
Swietenia macrophylla
2,86 4496PinusH
Pinus tæda
2,20 4055TauariI
Couratari sp.
4,03 5887
Para a excitação das cordas foi construído um dispositivoconstituído de uma mola acoplada a uma alavanca, ver Fig. 2,esta alavanca possui uma palheta para tocar guitarra elétricade 0,75mm parafusada em sua extremidade. A força aplicadana alavanca pela mola foi calibrada de modo a se obter umsom próximo do que seria a execução por um instrumentista.Para a obtenção de dados, procedeu-se sempre montando obraço e o captador no corpo, em seqüência as cordas são afi-nadas utilizando um afinador analógico Boss TU15, com pre-cisão de
±
1Hz. Somente a corda que estava sendo exci-tada estava disponível a vibrar, as outras cordas foram pre-sas. Este processo mantém as tensões existentes no corpo doinstrumento uma vez que todas as cordas estão presentes esimplifica a análise dos resultados, pois poderiam ocorrer res-sonâncias entre a corda excitada e as outras cordas levandoa um espectro sonoro mais complexo. Uma vez montado oinstrumento, para cada corpo foram feitas excitações mecâni-cas nas corda
mi
(
 f mi
0
=82,4Hz) e
ré 
(
 f ré 
0
=146,8Hz). O pontoonde o dispositivo de excitação foi colocado está localizadoa 20mm da base da ponte. Isso corresponde a uma posiçãode 96mm da extremidade de onde a corda está presa, sendocomprimento da corda
L
=647mm. O som obtido foi captu-rado diretamente do captador da guitarra elétrica usando umaplaca de som externa do tipo
M-audio Fast Track USB
ligadaa um notebook para a gravação e também ligada a uma caixade som para monitoramento. Também foi gravado para cadaguitarra elétrica montada com cada corpo da Tab. I um tre-cho musical de aproximadamente 30
s
composto e executadopelo autor RMP. Os arquivos de som foram analisados como software Audacity [12], versão 1.3. Para cada corpo foramobtidos e gravados cinco sons, de cada um deles foi obtidoo espectro de harmônicos, com estes cinco espectros foi feitauma média. Este espectro médio é o espectro utilizado parafins de comparação dos timbres resultantes das guitarras elé-tricas construídas com corpos de diferentes madeiras. Na Tab.I são apresentados os valores das massas de cada corpo e avelocidade de propagação do som em cada corpo, resultadoobtido utilizando o
Lucchimeter 
[13], com medida realizadano sentido das fibras da madeira e a temperatura ambiente.
III. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para garantir a reprodutibilidade dos resultados é fundamen-tal que as excitações mecânicas realizadas nas cordas sejamidênticas. Esta prerrogativa é verdadeira, pois pode ser ve-rificada nos espectros obtidos via excitação mecânica para acorda
mi
(
 f mi
0
=82,4Hz) da guitarra elétrica montada no corpo
A
mostrados na Fig. 3. Como os espectros são idênticos, onúmero de cinco medidas para a obtenção do espectro médiofoi considerado suficiente.O primeiro conjunto de medidas realizado consistiu em ob-ter o espectro para a nota
mi
(
 f mi
0
=82,4Hz), a qual corres-ponde a corda com a nota de menor freqüência da guitarra elé-trica. Seguindo o procedimento experimental descrito anteri-ormente e o processo descrito para o tratamento dos dados, fo-ram obtidos os espectros médios para cada corpo, os quais sãoFigura 2: Dispositivo palhetador construído para garantir areprodutibilidade dos sons obtidos para cada uma dasguitarras elétricas. A porca borboleta permite além doacionamento do dispositivo a alteração da intensidade daforça aplicada pela mola no braço do palhetador. A setaindica a direção do movimento do braço do palhetador.
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Sobre o acoplamento corda-corpo em guitarras elétricas e sua relação com o timbre do instrumento 
mostrados na Fig. 4. Nesta são mostrados as 10 componen-tes mais intensas do espectro médio obtido para cada corpo,possuindo as freqüências
nmi
0
, com
n
inteiro de 1 até 10.Verifica-se que os espectros obtidos não apresentam sinais daexistência de ruído proveniente da eletrônica utilizada para arealização das medidas. Quando comparados, estes espectrosmédios mostram-se equivalentes, não sendo possível apontardiferençassignificativasentreeles. Estaéaprimeiraevidênciaque aponta para o fato de que diferentes corpos construídos demadeiras diferentes não afetam o som produzido pela guitarraelétrica. Para que isso aconteça não deve haver um acopla-mento significativo entre a corda da guitarra elétrica e o seucorpo, como proposto por Fleischer e Zicker [8, 9].
100200300400500600700800900      
   
   
M5      M4      M3      M2      
   i       n    t      e       n      s   i       d      a       d      e       (       u       n   i       d      a       d      e      s         a    r       b   i    t    r      á    r   i      a      s    )
freqüência(Hz)    M1      
Figura 3: Espectros de harmônicos obtidos para a corda
mi
(
 f mi
0
=82,4Hz) da guitarra elétrica com o corpo
A
(ver Tab. I)em cinco medidas via excitação mecânica (
M1
a
M5
). Asformas e as intensidades dos diversos picos são idênticas,fato que garante a reprodutibilidade das medidas segundo ametodologia adotada e justifica o uso de cinco medidas paraa obtenção do espectro médio de uma determinada notaobtida com a guitarra elétrica montada em um certo corpo.O segundo conjunto de medidas realizado consistiu em ob-ter o espectro para a nota
ré 
(
 f ré 
0
=146,8Hz), a qual corres-ponde terceira corda da guitarra elétrica indo do grave para oagudo. Procedeu-se como para a nota
mi
. O conjunto de es-pectros médios obtidos para cada um dos corpos é mostradona Fig. 5, sendo mostradas as 10 componentes mais intensas,possuindo as freqüências
nré 
0
, com
n
inteiro de 1 até 10. Es-tes espectros também não apresentam ruídos e são idênticosentre sí quando comparados, fato que reforça a idéia de que ainteração entre o corpo da guitarra elétrica e a corda deve serdesprezível.No intuito de realizar um experimento mais próximo da re-alidade, o autor RMP executou um trecho musical de sua au-
100200300400500600700800900      
   
   
   i       n    t      e       n      s   i       d      a       d      e       (       u       n   i       d      a       d      e      s         a    r       b   i    t    r      á    r   i      a      s    )
freqüência(Hz)    A        B        C        D        E       F       G        H        I   
Figura 4: Espectros médios de harmônicos obtidos para oscorpos descritos na Tab. I para a corda
mi
(
 f mi
0
=82,4Hz).toria, com aproximadamente 30
s
de duração em cada uma dasguitarras elétricas montadas com cada um dos corpos da Tab.I. Estes trechos musicais foram gravados com a mesma mon-tagem utilizada para as gravações das excitações mecânicase procedeu-se obtendo o espectro sonoro [
?
], os quais sãomostrados na Fig. 6 e são idênticos entre sí. Como nestetrecho musical não foram utilizadas as notas extremamenteagudas, optou-se por mostrar a faixa de freqüências que vaidesde 82,4Hz (nota mais grave emitida pela guitarra elétrica)até 1600 Hz. A complexidade deste espectro sonoro está asso-ciada ao fato de que para cada nota tocada, existe um conjuntode harmônicos associado e, como foram tocadas inúmeras no-tas de diferentes freqüências, todos estes conjuntos de harmô-nicos de cada nota possuem contribuições neste espectro. Esteconjunto de espectros é o resultado mais importante aqui apre-sentado, pois ao contrário da excitação mecânica controladaque pouco tem relação com a execução musical, foi realizadocom um trecho musical tocado por uma pessoa. Como inúme-ras notas musicais de diferentes freqüências foram tocadas, oespectro obtido tem uma forma bem mais complexa que osespectros obtidos para uma única corda excitada mecânica-mente.O fato de espectros complexos como os mostrados na Fig. 6serem semelhantes em uma gama considerável de freqüênciaevidencia que os resultados obtidos para as cordas
mi
e
ré 
po-dem ser extendidos para outras cordas e outras notas musicaisdediferentesfreqüências, poisosespectrosnãocomeçamadi-fererir a partir de um determinado valor de freqüência. Pode-se argumentar a partir destes resultados que de forma geralas cordas não possuem um acoplamento significativo com ocorpo da guitarra elétrica.
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