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Rudolf Steiner
A Ciência Oculta
Esboço de uma cosmovisão supra-sensorial
4ª edição
Tradução:
Rudolf LanzJacira Cardoso
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Nota à quarta edição brasileira
Decorridos quinze anos da primeira edição deste livro em português, pareceu-nosoportuno proceder a uma detalhada reelaboração da tradução, remanescente dosprimeiros esforços para propiciar ao público leitor brasileiro o contato com a vasta e sig-nificativa obra de Rudolf Steiner. Tendo sido este o título inaugural de nossas publicações,coube-lhe também refletir a primeira e difícil tentativa de verter para o nosso idioma alinguagem reveladora da Antroposofia, que também em seu idioma original — o alemão —decorre em inusitadas e complexas construções lingüísticas. Após os incontáveis títulossubseqüentes que hoje integram nossa já razoável produção editorial, cremos ser boa horapara conferir à quarta edição deste texto o cunho de uma longa experiência adquirida notrabalho com as sucessivas traduções das obras do Autor. Uma formulação mais fluente,uma terminologia unificada para certas expreses exclusivas da conceituãoantroposófica, notas explicativas de fatos ou nomes estranhos à nossa época ou universocultural, são resultados que buscamos oferecer nesta nova versão ora apresentada.Ts outros procedimentos m acrescentar-se ao exposto: o primeiro é asubstituição de palavras ou expressões de acordo com a trigésíma edição revista dooriginal em alemão (1989), cujas modificações relativas a edições anteriores consignamos,para efeito informativo, em notas de roda; o segundo é a subdivisão de certosparágrafos excessivamente longos, bem como dos dois maiores capítulos do livro — assimestruturados pelo Autor nos pontos onde nos pareceu aceitável fazê-lo para facilitar ebalizar a leitura; e o terceiro é o acréscimo, no final do livro, de um quadro sinóptico dashierarquias espirituais mencionadas no capítulo ‘A evolução do Universo e o homem.E assim uma vez mais, cônscios de nossa grande responsabilidade, e conformeexpressou o tradutor em nossa primeira edição, “colocamos
 A Ciência Oculta
nas mãos dosque, por seu destino, serão seus leitores”.
 A editora
Observações preliminares à primeira edição
[
do original
]
Quem publica um livro como este deve ser capaz de imaginar com serenidade todaespécie de crítica possível, na atualidade, às suas exposições. Poderia acontecer, porexemplo, de alguém começar a ler a presente explicação deste ou daquele assunto, játendo sobre ele idéias concebidas segundo os resultados da investigação científica, echegar à seguinte conclusão: “É surpreendente como tais afirmações são possíveis emnossa época. A forma como o autor maneja os conceitos mais simples das Ciências Naturaisrevela um ignorância inconcebível, mesmo das noções mais elementares. Ele empregaconceitos, como por exemplo o de ‘calor’, de um modo típico de quem não teve contatoalgum com as concepções da Física contemporânea. Bastaria alguém conhecer rudimentosdessa ciência para demonstrar-lhe que suas teorias nem ao menos merecem a qualificaçãode dilentatismo, mas somente a de ignorância absoluta.” Muitos outros julgamentos dessetipo poderiam ser citados. Mas também se poderia chegar, segundo as declarações acima,a uma conclusão como a seguinte: “Quem leu algumas páginas deste livro poderá,conforme seu temperamento, colocá-lo de lado com um sorriso ou indignação e dizer: ‘Érealmente estranho a que aberrações pode conduzir, hoje em dia, um modo equivocado depensar. O melhor será arquivar estas considerações entre muitas outras curiosidades com
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que nos deparamos hoje em dia’.”Ora, o que dirá o autor deste livro diante da possibilidade de realmente sofre talcítica? Não deverá simplesmente, a partir de
seu
ponto de vista, considerar o crítico umleitor incompetente ou desprovido de boa vontade para chegar a um juízo compreensivo? Aisso cabe a seguinte resposta:
Não, absolutamente
― o autor nem sempre faz isso.
Ele pode muito bem imaginar que seu crítico seja uma personalidade muito inteligente,até mesmo um cientista capaz, que forme seus juízos de maneira bastante conscienciosa
pois ele próprio, o autor, está em condições de colocar-se mentalmente no lugar dessecrítico e compreender os motivos que o levariam a tal julgamento.Para tornar realmente compreenvel o que desejamos comunicar, julgamosnecessário algo que a nós mesmos parece descabido no geral, mas que justamente nestelivro encontra motivo imperioso: falar sobre um assunto pessoal. Em verdade, nessesentido nada será exposto que não se relacione com a decisão de escrever esta obra. Oque aqui se diz não teria, certamente, qualquer razão de ser se contivesse apenas umcaráter pessoal. Este livro
deve
conter exposições a que
todo
ser humano possa ter acesso,e de uma forma a ser evitado, na medida do possível, qualquer matiz pessoal. Portanto,nesse sentido o elemento pessoal não deve ser considerado; só cabe relacioná-lo com aintenção de esclarecer como o autor pode achar compreensível a mencionada crítica àssuas exposições e, mesmo assim, escrever esta obra. Na verdade, haveria umapossibilidade de tornar supérflua a exposição de tal aspecto pessoal: ressaltar todos ospormenores que evidenciassem como, na realidade, a exposição contida neste livrocoincide com todos os progressos da ciência contemporânea. Para isso, no entanto, seriamnecessários muitos volumes introdutórios; e como essa é uma tarefa inexeqüível nomomento, parece-nos necessário dizer por quais circunstâncias pessoais nos sentimosautorizados a considerar, de maneira satisfatória, tal coincidência como possível.Certamente nunca nos teríamos proposto publicar o que, por exemplo, expomosneste livro acerca dos processos calóricos, caso não pudéssemos afirmar o seguinte: hámais de trinta anos, tivemos condições de dedicar-nos a um estudo da Física em seusdiversos âmbitos. No domínio dos fenômenos calóricos, nessa época ocupavam o pontocentral as explicações relativas à chamada ‘teoria mecânica do calor’. E essa ‘teoriamecânica do calor’ nos interessou de modo especial. A evolução histórica das interpreta-ções pertinentes ao assunto, ligada então a nomes como Julius Robert Mayer, Helmholtz,Joule, Clausius, etc.
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, fez parte de nossos contínuos estudos. Com isso criamos, nessaépoca, a base e a possibilidade suficientes para continuar acompanhando de perto, atéhoje, todos os efetivos progressos no domínio da teoria do calor, sem encontrar quaisquerdificuldades ao tentar penetrar em tudo o que a ciência realiza nesse campo. Setivéssemos de constatar nossa incapacidade para fazê-lo, isso seria uma razão para nosabstermos de dizer ou escrever os assuntos expostos no livro. Nós nos impusemosrealmente o lema de dizer ou escrever, no âmbito da Ciência Espiritual, somente aquilo acujo respeito também soubéssemos falar satisfatoriamente no sentido da ciência atual.Com isso não desejamos, em absoluto, exprimir algo que seja uma exigência genéricapara todos os homens. Toda pessoa pode, com razão, sentir-se impelida a comunicar epublicar aquilo que esteja afeito ao seu próprio discernimento, seu sadio sentido daverdade e seu sentimento, mesmo ignorando o ponto de vista da ciência contemporâneasobre o assunto. Só que o autor deste livro prefere manter-se na atitude referida acima.
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Julius Robert von Mayer (1814—1878), médico e físico, descobridor da lei da conservação da energia;Hermann von Helmholz (1821—1894) teórico pioneiro da medicina, anatomista, fisiólogo e fisico; JamesPrescott Joule (1818—1889), fisico inglês que determinou, entre outras coisas, a quantidade de calor produzidopelo trabalho mecânico; Rudolf Emanuel Clausius (1822—1910), físico, fundador da teoria mecânica do calor.(N.E. orig.)
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