que nos deparamos hoje em dia’.”Ora, o que dirá o autor deste livro diante da possibilidade de realmente sofre talcítica? Não deverá simplesmente, a partir de
seu
ponto de vista, considerar o crítico umleitor incompetente ou desprovido de boa vontade para chegar a um juízo compreensivo? Aisso cabe a seguinte resposta:
―
Não, absolutamente
― o autor nem sempre faz isso.
Ele pode muito bem imaginar que seu crítico seja uma personalidade muito inteligente,até mesmo um cientista capaz, que forme seus juízos de maneira bastante conscienciosa
―
pois ele próprio, o autor, está em condições de colocar-se mentalmente no lugar dessecrítico e compreender os motivos que o levariam a tal julgamento.Para tornar realmente compreensível o que desejamos comunicar, julgamosnecessário algo que a nós mesmos parece descabido no geral, mas que justamente nestelivro encontra motivo imperioso: falar sobre um assunto pessoal. Em verdade, nessesentido nada será exposto que não se relacione com a decisão de escrever esta obra. Oque aqui se diz não teria, certamente, qualquer razão de ser se contivesse apenas umcaráter pessoal. Este livro
deve
conter exposições a que
todo
ser humano possa ter acesso,e de uma forma a ser evitado, na medida do possível, qualquer matiz pessoal. Portanto,nesse sentido o elemento pessoal não deve ser considerado; só cabe relacioná-lo com aintenção de esclarecer como o autor pode achar compreensível a mencionada crítica àssuas exposições e, mesmo assim, escrever esta obra. Na verdade, haveria umapossibilidade de tornar supérflua a exposição de tal aspecto pessoal: ressaltar todos ospormenores que evidenciassem como, na realidade, a exposição contida neste livrocoincide com todos os progressos da ciência contemporânea. Para isso, no entanto, seriamnecessários muitos volumes introdutórios; e como essa é uma tarefa inexeqüível nomomento, parece-nos necessário dizer por quais circunstâncias pessoais nos sentimosautorizados a considerar, de maneira satisfatória, tal coincidência como possível.Certamente nunca nos teríamos proposto publicar o que, por exemplo, expomosneste livro acerca dos processos calóricos, caso não pudéssemos afirmar o seguinte: hámais de trinta anos, tivemos condições de dedicar-nos a um estudo da Física em seusdiversos âmbitos. No domínio dos fenômenos calóricos, nessa época ocupavam o pontocentral as explicações relativas à chamada ‘teoria mecânica do calor’. E essa ‘teoriamecânica do calor’ nos interessou de modo especial. A evolução histórica das interpreta-ções pertinentes ao assunto, ligada então a nomes como Julius Robert Mayer, Helmholtz,Joule, Clausius, etc.
, fez parte de nossos contínuos estudos. Com isso criamos, nessaépoca, a base e a possibilidade suficientes para continuar acompanhando de perto, atéhoje, todos os efetivos progressos no domínio da teoria do calor, sem encontrar quaisquerdificuldades ao tentar penetrar em tudo o que a ciência realiza nesse campo. Setivéssemos de constatar nossa incapacidade para fazê-lo, isso seria uma razão para nosabstermos de dizer ou escrever os assuntos expostos no livro. Nós nos impusemosrealmente o lema de dizer ou escrever, no âmbito da Ciência Espiritual, somente aquilo acujo respeito também soubéssemos falar satisfatoriamente no sentido da ciência atual.Com isso não desejamos, em absoluto, exprimir algo que seja uma exigência genéricapara todos os homens. Toda pessoa pode, com razão, sentir-se impelida a comunicar epublicar aquilo que esteja afeito ao seu próprio discernimento, seu sadio sentido daverdade e seu sentimento, mesmo ignorando o ponto de vista da ciência contemporâneasobre o assunto. Só que o autor deste livro prefere manter-se na atitude referida acima.
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Julius Robert von Mayer (1814—1878), médico e físico, descobridor da lei da conservação da energia;Hermann von Helmholz (1821—1894) teórico pioneiro da medicina, anatomista, fisiólogo e fisico; JamesPrescott Joule (1818—1889), fisico inglês que determinou, entre outras coisas, a quantidade de calor produzidopelo trabalho mecânico; Rudolf Emanuel Clausius (1822—1910), físico, fundador da teoria mecânica do calor.(N.E. orig.)
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