• Embed Doc
  • Readcast
  • Collections
  • 1
    CommentGo Back
Download
 
Rudolf Steiner
A fisiologia oculta
Aspectos supra-sensíveis do organismo humano:Elementos para uma medicina ampliada
Nove conferências (oito sobre o tema e uma complementar)proferidas em Praga, de 20 a 28 de março de 1911Tradução:Dra. Sonia Setzer
 
20 de março de 1911
A entidade humana
Neste ciclo de conferências, que será ministrado a convite de nossos amigos dePraga, abordaremos um tema muitíssimo próximo do homem por tocar direta eprecisamente a entidade humana, tratando de aspectos relacionados com sua própria vidafísica. No entanto, mesmo sendo esse um tema tão ligado ao homem por abordar a elepróprio, devemos dizer que não deixa de ser um assunto de difícil acesso — pois já aobservação do apelo “conhece-te a ti mesmo” —, transmitido através de todos os tempos edirigido ao homem pelas alturas místico-ocultas, nos mostra que o autoconhecimento, overdadeiro e real autoconhecimento, é algo muito difícil. E isso não só com relação aoautoconhecimento pessoal e individual, mas principalmente ao conhecimento da entidadehumana. E já que o homem — como se pode notar pelo eterno desafio “conhece-te a timesmo”— está tão distante da própria essência, tendo um caminho tão longo para seautoconhecer, o objeto de nossas considerações destes dias será, em certo sentido, algobastante longínquo, que exigirá uma série de coisas. E não foi sem motivo que só apóslongo tempo e muita reflexão decidi falar sobre o assunto. Esse é um tema em relação aoqual se torna necessário, absolutamente necessário (se quisermos chegar a umaobservação real e verdadeira) algo que, na observação científica, é comumente deixadode lado. Frente a esse tema é necessário venerar a essência humana, isto é, não aessência de cada homem — principalmente quando essa pessoa singular somos nós —, masa essência do homem em geral. E deve ser uma condição fundamental para nossasobservações seguintes venerar o que a essência humana significa no verdadeiro sentido dapalavra.Como podemos cultivar a verdadeira veneração diante disso? Em primeiro lugar,deixando de ver a pessoa — é indiferente tratar-se de nós mesmos ou de outrem — comoela se nos apresenta no dia-a-dia e elevando-nos à seguinte concepção: a pessoa, comtoda a sua evolução, não esta aí por sua própria causa, mas para revelar o espírito, todo omundo divino-espiritual; ela é uma revelação da divindade cósmica, do Espírito Universal.E quem reconhece que tudo o que nos cerca é uma expressão das forças divino-espirituaistambém pode sentir essa veneração não apenas em relação ao próprio divino-espiritual,mas também diante da manifestação desse divino-espiritual. E ao dizermos que o homemestá procurando um autoconhecimento cada vez mais perfeito, precisamos ter claro quenão devemos ser impelidos à busca do autoconhecimento por mera curiosidade ou atémesmo por sede de saber, mas sentir como um dever estruturar cada vez mais perfei-tamente o conhecimento da manifestação do Espírito Universal por meio do homem. Éneste sentido que deverão ser compreendidas as seguintes palavras: continuar ignoranteonde o conhecimento é possível significa um pecado contra a determinação divina dohomem — pois o Espírito Universal deu-nos a faculdade de conhecer, e se não quisermosfazê-lo estaremos recusando sermos a manifestação do Espírito Universal, o que emverdade não poderíamos; e cada vez mais deixaremos de ser uma manifestação do EspíritoUniversal para tornar-nos sua caricatura. É nosso dever almejar conhecimento e tornar-nossempre mais uma imagem do Espírito Universal. Só quando pudermos dar sentido àspalavras “tornar-se uma imagem do Espírito Universal” e reconhecermos o dever deconhecer, somente então poderemos ter o sentimento de veneração, aqui previamenteexigido, em relação à essência do homem. E para quem quiser observar a vida do homem esua essência no sentido oculto, permear-se de veneração diante da natureza humanatorna-se uma necessidade absoluta, pois única e exclusivamente essa permeação pela
2
 
veneração é apropriada para despertar nossos olhos e ouvidos espirituais, toda a nossacapacidade de contemplação espiritual — ou seja, para despertar as forças que nospermitem penetrar nos fundamentos espirituais da natureza humana. Quem, como videnteou pesquisador espiritual, não pudesse sentir diante da natureza humana a veneraçãodesenvolvida no mais alto grau, e quem não conseguisse imbuir-se até às fibras maisíntimas da alma com o sentimento de veneração diante da natureza humana, darepresentação do espírito, teria os olhos fechados a tudo o que se relaciona com a essên-cia mais profunda do próprio homem, mesmo que seu olho estivesse bem aberto para estesou aqueles segredos espirituais do mundo. Pode haver muitos clarividentes capazes de verisso ou aquilo na periferia espiritual de nossa existência; mas se lhes faltar essa veneraçãolhes faltará a capacidade de olhar dentro das profundezas da natureza humana, e eles nãoterão algo correto para dizer sobre a essência do homem.A teoria dos processos vitais do homem é denominada ‘Fisiologia’. Esta ciência nãodeverá ser considerada aqui como se faz na ciência exterior, e sim como se nos apresentaà contemplação espiritual; de modo que, partindo das formas exteriores do homem, daestrutura e dos processos vitais de seus órgãos, sempre olhemos para a base espiritual,supra-sensível dos órgãos, das formas vitais e dos processos vitais.
1
E como não é nossaintenção praticar aqui essa ‘fisiologia oculta’ — como também poderíamos chamá-la — semobjetividade, às vezes será necessário referir-nos de modo despreocupado a certas coisasque, de início, poderão parecer bastante improváveis aos leigos no assunto. É precisoacentuar expressamente que este ciclo de conferências, mais do que muitos outros jáproferidos por mim, constitui um todo de onde não é possível arrancar trechos isoladospara julgamento, principalmente das conferências iniciais, visto que muito deverá ser ditodespreocupadamente. Somente depois de terem ouvido as conferências finais é que osSenhores podeo julgar todo o conjunto. É que o tema deveser tratado aquidiferentemente da fisiologia exterior. Também as razões iniciais serão comprovadas nofim. De certo modo, não iremos descrever uma linha reta do começo ao fim; seguiremospor uma linha circular, chegando, no final, ao ponto de partida.O que vamos oferecer aqui é uma observação do homem. Em primeiro lugar, ohomem se nos apresenta aos sentidos exteriores com sua forma externa. Já sabemos que,ao que uma observação puramente exterior e leiga do homem pode informar, hoje já seacrescenta muita coisa pesquisada pela ciência. Por isso, devemos completar o que hojesabemos exteriormente sobre ele — a partir de experiências e observações externas queaté um leigo tem condições de fazer em si e em outras pessoas — com o que a ciência foicapaz de descobrir e concluir sobre a corporalidade humana por meio de métodos einstrumentos admiráveis.Se condensarmos tudo o que, como leigos, podemos ver exteriormente no homem eque talvez tenhamos aprendido de descrições populares, talvez não seja incompreensívelse chamarmos a atenção para o fato de à configuração humana, tal como se nos apresentano mundo exterior, ser constituída de uma dualidade. Para quem quiser penetrar nasprofundezas da natureza humana, é absolutamente necessário tornar-se consciente de queo homem, já em sua forma e configuração exterior, representa fundamentalmente umadualidade.A primeira coisa que podemos distinguir nitidamente no homem é tudo o que se achaencerrado em órgãos, oferecendo estes a maior proteção possível contra o mundoexterior; é tudo o que consideramos participante da esfera do cérebro e da medulaespinhal. Tudo o que pertence à natureza humana nessa área — cérebro e medula espinhal— está firmemente envolto por estruturas ósseas seguras e protetoras. Se quisermosrepresentar esquematicamente o que pertence a esses dois âmbitos, poderemos fazê-lo da
3
of 00

Leave a Comment

You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...

esse livro parece interesante e revelador... obrigado

You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...