veneração é apropriada para despertar nossos olhos e ouvidos espirituais, toda a nossacapacidade de contemplação espiritual — ou seja, para despertar as forças que nospermitem penetrar nos fundamentos espirituais da natureza humana. Quem, como videnteou pesquisador espiritual, não pudesse sentir diante da natureza humana a veneraçãodesenvolvida no mais alto grau, e quem não conseguisse imbuir-se até às fibras maisíntimas da alma com o sentimento de veneração diante da natureza humana, darepresentação do espírito, teria os olhos fechados a tudo o que se relaciona com a essên-cia mais profunda do próprio homem, mesmo que seu olho estivesse bem aberto para estesou aqueles segredos espirituais do mundo. Pode haver muitos clarividentes capazes de verisso ou aquilo na periferia espiritual de nossa existência; mas se lhes faltar essa veneraçãolhes faltará a capacidade de olhar dentro das profundezas da natureza humana, e eles nãoterão algo correto para dizer sobre a essência do homem.A teoria dos processos vitais do homem é denominada ‘Fisiologia’. Esta ciência nãodeverá ser considerada aqui como se faz na ciência exterior, e sim como se nos apresentaà contemplação espiritual; de modo que, partindo das formas exteriores do homem, daestrutura e dos processos vitais de seus órgãos, sempre olhemos para a base espiritual,supra-sensível dos órgãos, das formas vitais e dos processos vitais.
1
E como não é nossaintenção praticar aqui essa ‘fisiologia oculta’ — como também poderíamos chamá-la — semobjetividade, às vezes será necessário referir-nos de modo despreocupado a certas coisasque, de início, poderão parecer bastante improváveis aos leigos no assunto. É precisoacentuar expressamente que este ciclo de conferências, mais do que muitos outros jáproferidos por mim, constitui um todo de onde não é possível arrancar trechos isoladospara julgamento, principalmente das conferências iniciais, visto que muito deverá ser ditodespreocupadamente. Somente depois de terem ouvido as conferências finais é que osSenhores poderão julgar todo o conjunto. É que o tema deverá ser tratado aquidiferentemente da fisiologia exterior. Também as razões iniciais serão comprovadas nofim. De certo modo, não iremos descrever uma linha reta do começo ao fim; seguiremospor uma linha circular, chegando, no final, ao ponto de partida.O que vamos oferecer aqui é uma observação do homem. Em primeiro lugar, ohomem se nos apresenta aos sentidos exteriores com sua forma externa. Já sabemos que,ao que uma observação puramente exterior e leiga do homem pode informar, hoje já seacrescenta muita coisa pesquisada pela ciência. Por isso, devemos completar o que hojesabemos exteriormente sobre ele — a partir de experiências e observações externas queaté um leigo tem condições de fazer em si e em outras pessoas — com o que a ciência foicapaz de descobrir e concluir sobre a corporalidade humana por meio de métodos einstrumentos admiráveis.Se condensarmos tudo o que, como leigos, podemos ver exteriormente no homem eque talvez tenhamos aprendido de descrições populares, talvez não seja incompreensívelse chamarmos a atenção para o fato de à configuração humana, tal como se nos apresentano mundo exterior, ser constituída de uma dualidade. Para quem quiser penetrar nasprofundezas da natureza humana, é absolutamente necessário tornar-se consciente de queo homem, já em sua forma e configuração exterior, representa fundamentalmente umadualidade.A primeira coisa que podemos distinguir nitidamente no homem é tudo o que se achaencerrado em órgãos, oferecendo estes a maior proteção possível contra o mundoexterior; é tudo o que consideramos participante da esfera do cérebro e da medulaespinhal. Tudo o que pertence à natureza humana nessa área — cérebro e medula espinhal— está firmemente envolto por estruturas ósseas seguras e protetoras. Se quisermosrepresentar esquematicamente o que pertence a esses dois âmbitos, poderemos fazê-lo da
3
Leave a Comment
esse livro parece interesante e revelador... obrigado