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OSCAR WILDEO RETRATO DE DORIAN GRAY
COLECÇÃO NOVISBIBLIOTECA VISÃO - 7Digitalização e ArranjoAgostinho CostaOscar Wilde, que se notabilizou sobretudo como dramaturgo,escreveu um único romance, O Retrato de Dorian Gray, obra quecausou escândalo e controvérsia na Inglaterra vitoriana.Dorian Gray é um homem rico que vende a alma em troca dajuventude eterna. A passagem do tempo não lhe altera a belaaparência, enquanto o seu retrato mágico envelhece e revela adecadência interior. Expressando as preocupações estéticas eos paradoxos morais de Wilde, a narrativa constitui umareflexão sobre o envelhecimento, o prazer, o crime e ocastigo.NOTA BIOBIBLIOGRÁFICAOScAR WIlDE, nome por que se tornou conhecido Oscar FingalOFlahertie Wills, nasceu em Dublin em 16 de Outubro de 1854.Estudou na Faculdade de Trinity em Dublin e depois na deMagdalen, em Oxford, onde ganhou o prémio New-digate com o seupoema Ravena (1874). Depois de terminar os estudos, instala-seem Londres. Com o seu talento e encanto pessoal em breve sedestaca no mundo literário londrino como ensaísta e poeta.Depois da publicação do seu primeiro livro de poesia Poemas(1881), viaja até aos Estados Unidos. Ao chegar à alfândega deNova Iorque, declara: «Não tenho nada a declarar excepto o meugénio.»Depois de dois anos em Paris, casa com Constance Lloyd dequem tem dois filhos.Entre 1887 e 1889 dirige a revista feminina The Woman'sWorld. Deste período fazem parte os seus contos reunidos em OPríncipe Feliz, os dois volumes de crónicas e histórias, OCrime de Lord Arthur Saville e Uma Casa de Romãs e o seu únicoromance O Retrato de Dorian Gray. Em 1892 foi levada à cena asua peça O Leque de Lady Windermere, em 1893 estreou-se UmaMulher sem Importância e dois anos depois Um Marido Ideal. Apeça Salomé, escrita em francês, foi representada em Paris porSarah Bernhard e posteriormente traduzida para inglês por LordAlfred Douglas. O pai deste, marquês de Queenberry,desaprovando a estreita amizade do filho com Wilde, insultou
 
publicamente o escritor. Isto iniciou uma série deacontecimentos que levaram à condenação de Wilde porhomossexualidade.Permaneceu dois anos na colónia penal de Reading, ondeescreveu uma longa carta a Lord Alfred, publicada em parte em1905 com o título De Profundis.Ao sair da prisão, arruinado, viu-se reduzido a viver dacaridade dos amigos em Itália e em França. Aqui escreverá asua obra famosa A Balada do Presídio de Reading (1898),inspirada na sua experiência na prisão. No exílio adoptou onome Sebastien Melmoth, personagem de Melmoth the Wanderer, deMaturin. Morreu em Paris em 1900.Obras mais importantes:Ravena (1874);Poemas (1881);A Duquesa de Pádua (1883);O Príncipe Feliz (1888);Uma Casa de Romãs (1891);O Crime de Lord Arthur Saville (1891);O Retrato de Dorian Gray (1891);Intenções (1891);Salomé (1891);O Leque de Lady Windermere (1892);Uma Mulher sem Importância (1893);Um Marido Ideal (1895);A Balada do Presídio de Reading (1898);A Importância de Se Chamar Ernesto (1898);De Profundis (1905).Título Original:The picture of Dorian GrayTradução de:Maria de Lurdes Sousa RuivoAbril ControljornalPublicação Março de 2000O artista é o criador de coisas belas.O objectivo da arte é revelar a arte e ocultar o artista.O crítico é aquele que sabe traduzir de outro modo ou para
 
um novo material a sua impressão das coisas belas.A mais elevada, tal como a mais rasteira, forma de crítica éum modo de autobiografia.Os que encontram significações torpes nas coisas belas sãocorruptos sem sedução, o que é um defeito.Os que encontram significações belas nas coisas belas são oscultos, Para esses há esperança.Eleitos são aqueles para quem as coisas belas apenassignificam Beleza.Um livro moral ou imoral é coisa que não existe. Os livrossão bem escritos, ou mal escritos. E é tudo.A aversão do século XIX pelo Realismo é a fúria de Calibanao ver a sua cara ao espelho.A aversão do século XIX pelo Romantismo é a queixa deCaliban por não ver a sua cara ao espelho.A vida moral do homem faz parte dos temas tratados peloartista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito deum meio imperfeito. Nenhum artista quer demonstrar coisaalguma. Até as verdades podem ser demonstradas.Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética numartista é um maneirismo de estilo imperdoável.Um artista nunca é mórbido. O artista pode exprimir tudo.Sob o ponto de vista da forma, a arte do músico é o modelode todas as artes. Sob o ponto de vista do sentimento, é aprofissão de actor o modelo.Toda a arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os quepenetram para além da superfície, fazem-no a expensas suas. Osque lêem o símbolo, fazem-no a expensas suas.O que a arte realmente espelha é o espectador, não a vida.A diversidade de opiniões sobre uma obra de arte revela quea obra é nova, complexa e vital.Quando os críticos divergem, o artista está em consonânciaconsigo mesmo.Podemos perdoar a um homem que faça alguma coisa útil,contanto que a não admire. A única justificação para uma coisainútil é que ela seja profundamente admirada.Toda a arte é completamente inútil.Capítulo IPor todo o atelier pairava o aroma intenso das rosas equando a branda aragem estival corria por entre as árvores dojardim, entrava pela porta a fragrância carregada do lilás, ouainda o perfume delicado do espinheiro de floração rósea.Estendido no divã de bolsas de seda persas, a fumar, como eraseu costume, cigarro após cigarro, Lord Henry Wotton sóconseguia vislumbrar do seu canto as flores adocicadas e corde mel de um laburno, cujos ramos trémulos pareciam mal podersuportar o peso de beleza tão fulgurante. De vez em quando,através dos cortinados de tussor de seda que cobriam a enormejanela, via passarem velozes as sombras fantásticas das aves,que produziam como que um momentâneo efeito japonês, o que olevava a pensar naqueles pintores de Tóquio, de rostos cor de

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