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Direito Do Negro

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Published by Paulo Cezar
Novos itinerários na pesquisa em Sociologia Jurídica
Novos itinerários na pesquisa em Sociologia Jurídica

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INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA JURÍDICA DA LUTA PELACIDADANIA E DIREITOS HUMANOS DO NEGRO NO BRASIL
Paulo Cezar Borges Martins
1
RESUMO Não há esquema teórico que permita entender a luta dos afro-brasileiros por direitos humanose cidadania. Os autores clássicos escreveram suas teorias de acordo com a experiênciahistórica européia. Assim sendo, seus esquemas não explicam a trajetória do movimentonegro. Este artigo discute como a manipulação do sistema jurídico pelas classes dominantestem motivado o protesto negro. São também apresentadas algumas das estratégias de lutasocial dos afro-descendentes. Finalmente, mostra-se como as estratégias dos negros podemvariar em função de sua origem de classe social..Palavras-chave: Sociologia Jurídica. Cidadania do Negro Brasileiro. Manipulação do SistemaJurídico. Estratégias de Luta Social das Classes Sociais Populares. Cultura Popular Afro-Brasileira.ABSTRACTThere isn’t a theoretical schema in order understanding Afro-Brazilian people fight for humanrights and citizenship. Classic authors wrote their theories according to European historicalexperience, so they can’t provide useful explanations about Brazilian black people movement.This paper discusses how law system manipulation by ruling classes can motivate some black  people resistance behavior. It presents some Afro-Brazilians people social fights strategies.Finally, it shows that black people strategies can be different according to their social class pertaining.Key words: Law Sociology. Black Brazilian People Citizenship. Law System Manipulation.Popular Classes Social Fight Strategies. Black Brazilian People Popular Culture.
1
Doutor em Sociologia, UnB- Universidade de Brasília. Professor da UESB.
1
 
INTRODUÇÃO
Este artigo foi escrito com a preocupação, basicamente, de discutir as razões dodesencontro entre, por um lado, algumas teorias clássicas sobre a construção da cidadania edos direitos humanos e, por outro, as trajetórias dos negros brasileiros na e afirmação dosdireitos que emolduram sua cidadania.Sustenta-se aqui a hipótese de que a luta dos afro-descendentes pela construção dacidadania brasileira é multifacetada e lábil, na medida em que pode ser caracterizada pelacontestação direta da discriminação e, ao mesmo tempo, por ações dissimuladas de negação doracismo. Essas maneiras de ser são perceptíveis e perpetuadas nas ricas manifestações dacultura afro-brasileira. Na primeira seção, são abordadas as principais contribuições dos clássicos sobre acidadania; na segunda, discutem-se alguns aspectos sociológicos que parecem ter importantesreflexos na configuração específica que, no Brasil, assume a luta contra o racismo; na terceiraseção, apresentam-se aspectos da cultura afro-descendente que perpetuam esse modo peculiar de edificar a cidadania.
IDAS E VINDAS NA TRILHA DOS DIREITOS HUMANOS
Do ponto de vista judico, a efetiva garantia da protão das minorias es principalmente nos direitos humanos. Um dos pioneiros no estudo da anatomia desses direitosfoi o inglês Marshall (1967:63-4), para quem estes direitos são civis, políticos e sociais. No primeiro conjunto, estão: a proteção à liberdade individual; liberdade de pensamento e de suamanifestação, especialmente por imprensa; liberdade contratual; direito à propriedade e aodevido processo legal; as instituições implicadas são os tribunais. O conjunto seguinte degarantias abarcou o direito de participar da vida do Estado, votando e sendo votado para ainvestidura em cargos do Legislativo e do Executivo; as instituições são, então, parlamentos egoverno. Finalmente, no terceiro, incluem-se os direitos a um nível básico de bem-estar e de participação no patrimônio social comum; agora as instituições são o sistema educacional e oschamados serviços sociais, tendo estes últimos a previdência como seu núcleo.2
 
O desenvolvimento histórico destes direitos, corroborou Norberto Bobbio (1992:32-3),teria passado por uma seqüência de três fases: primeiramente, direitos ou liberdades civis, que,limitando o poder do Estado, preservam uma esfera de liberdade para os indivíduos; emsegundo lugar, direitos políticos para garantir a participação destes últimos na direção doEstado; por derradeiro, direitos sociais que asseguram bem-estar e igualdade real, porématravés do Estado.Reinhard Bendix também adotou a conceão ora exposta sobre a natureza dorelacionamento entre cidadania e direitos humanos. Ele procurou, no entanto, lançar luz sobreo fato de que a extensão desses direitos contemplou os ‘
 setores inarticulados da população,dando um significado libertário positivo ao reconhecimento legal da individualidade
’. Cadaindivíduo passou, então, a ter o ‘
direito de agir como uma unidade independente
’, com baseno princípio abstrato de igualdade. O grande problema teria sido a expansão dessa igualdadelegal num contexto marcado por profundas desigualdades econômicas. Assim, no passadomedieval, o paternalismo das classes dirigentes constituía-se em proteção aos dependentes. Asuperveniência do contrato de trabalho pusera a perder esse escudo, sem colocar nada que osubstituísse; ao contrário, preconceitos de classe e as desigualdades excluíam
‘a grandemaioria da classe baixa do gozo dos seus direitos legais’ 
(BENDIX,1996:112,115).Uma outra forma de conceber essas gerações ou ondas sucessivas de direitos humanos,mostra, como ponto de partida da série, os direitos civis e políticos, conquistados nos séculosXVIII e XIX. Na segunda posição, vêm os direitos sociais, alcançados no século XX comofruto das lutas do movimento operário. A terceira geração compreendeu direitos cujatitularidade é de grupos humanos como o povo, nação, comunidades étnicas e, em últimaanálise, a própria humanidade; são os chamados interesses difusos, como direito ao meioambiente, à paz, ao desenvolvimento. Por derradeiro, há, ainda, uma quarta geração tendocomo centro a bioética e que busca não só impedir a destruição da vida, mas tambémdisciplinar processos da engenharia genética, voltados para a criação de novas formas de vida(VIEIRA,1997:22-3).Regressando aos comentários de Bendix sobre os obstáculos sócio-culturais à expansãoda cidadania na Europa, cabe salientar as semelhanças com o que teria ocorrido com a situaçãodos direitos do cidadão negro no Brasil, onde a saga do afro-descendente vem sendo marcada,3

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