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Viver Bem Com Pouco - Reportagem da Revista Época

Viver Bem Com Pouco - Reportagem da Revista Época

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Reportagem da revista época sobre como viver bem com pouco. Retirado do Site que tem o link no final do documento, e colocando aqui pra facilitar quem quiser ler tudo de uma só vez. Todo o mérito é da revista, apenas estou disponibilizando uma cópia aqui.
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Viver bem com pouco
30/12/2008 - 19:42 - Atualizado em 30/12/2008 - 23:12
Foi-se a era de esbanjar e ostentar. A nova ordem global impõe consumir com parcimônia e priorizar a recompensa emocional 
Andres Vera, Celso Masson e Luciana Vicária
No início do culo XIX, quando a economia dos Estados Unidos aindaengatinhava em direção ao que viria a ser a maior nação capitalista do planeta,o escritor americano Henry David Thoreau (1817-1862) questionava oconsumismo desenfreado que tomara conta de seus conterrâneos.Desiludido com os rumos da “terra das oportunidades”, Thoreau trocou a vidana cidade por uma experiência de dois anos na Floresta de Walden, emMassachusetts. Em plena expansão da economia capitalista, ele buscava asimplicidade de viver em harmonia com a natureza. Nascia ali uma dasprimeiras vozes modernas a pregar a frugalidade. “Um homem é rico naproporção do número de coisas das quais pode prescindir”, escreveu Thoreauno livro
Walden, a vida nos bosques
, obra em que ele relata seu período comoeremita.Quase 150 anos depois, o despojamento perseguido por Thoreau parece enfimestar na moda – inclusive no Brasil. Ele é motivado, em parte, pela crisefinanceira mundial. A atual escassez de crédito pode encerrar o ciclo deesbanjamento dos últimos anos e dar início a uma nova era de austeridade.Antes do estouro da bolha forçar um basta à extravagância, porém, outrosfilósofos do cotidiano se propunham a recuperar e atualizar teorias parecidascom as de Thoreau e também com as de clássicos como os gregosArisfanes e Epicuro. o ideias que propõem uma revio radical dasescolhas e dos hábitos de consumo. No lugar da gastança, o comedimento. “Afrugalidade é uma maneira de recuperarmos coisas imateriais importantes quehaviam sido perdidas: tempo, saúde e felicidade”, disse a ÉPOCA o escritor edocumentarista americano John de Graaf, autor do livro
 Affluenza: the all-
 
consuming epidemic 
(algo como A epidemia do consumo total), ainda semprevisão de lançamento no Brasil. Affluenza é um trocadilho criado a partir deinfluenza, nome inglês do vírus causador da gripe. Segundo Graaf, o consumotambém seria uma doença, caracterizada por “sintomas de ansiedade, dívidase desperdício”.Antes que Graaf descrevesse o consumo como doença, a pressa já havia sidodiagnosticada como um sintoma de desvio comportamental típico da nossa era.“Vivemos o delírio do tempo. Tudo tem de ser veloz. O processo e a reflexãoo sempre pouco importantes”, diz o fisofo rio rgio Cortella, daPontifícia Universidade Católica de São Paulo. “A gente só faz o urgente, oimportante fica para depois”. Uma vacina contra essa mentalidade da urgênciasurgiu na Itália, em 1986. Foi quando alguns donos de restaurante italianos seuniram para barrar o avanço das redes de fast-food. Surgia assim o slow food,um movimento para resgatar os prazeres da mesa que iam se perdendo comas refeições rápidas e industrializadas. A ideia deu origem a uma filosofia dedesaceleração. Em 2002, a cidade japonesa de Kakegawa se autointitulou aprimeira cidade “slow” do mundo. A prefeitura lançou um manifesto com ideiaspara uma vida mais saudável – e devagar. A população de 118 mil habitantesfoi conclamada a andar a pé, construir casas com bambu e papel e cultivar ohábito do tradicional chá japonês. A prefeitura também passou a tomar medidaspara negociar a redução da carga horária dos trabalhadores da cidade. A lógicado slow food ainda serviu de exemplo para o conceito do
slow travel 
(turismosem pressa), que propõe conhecer menos destinos com mais profundidade,mergulhando na cultura local.
A “TURMA DA LAJE”
Paulo Marques (
com a garrafa de vinho
) e seus convidados. Em vez derestaurantes, jantares na casa dos amigos
Kakegawa, no Japão, se autointitula a primeiracidade “slow” do mundo. Ali, a pressa não faz sentido
 
Lentamente, como é de esperar, o “movimento slow” avança para além daculinária e do turismo. “Quando olharmos para trás, vamos reconhecer queviver de maneira tão intensa e rápida não nos trouxe felicidade”, disse ementrevista a ÉPOCA o escritor escocês Carl Honoré, um dos pioneiros dessafilosofia (
leia trechos da entrevista na última página
). Depois de escrever o livro
Devagar 
(Editora Record), Honoré dedicou-se a investigar como as relaçõesentre pais e filhos são afetadas pela velocidade do cotidiano. A experiênciaresultou no livro
Under pressure
(
Sob pressão
), que será lançado no Brasil em julho. “Gastamos muito dinheiro e tempo planejando atividades complexas paranossos filhos. Na realidade, seria melhor para eles – e para nós mesmos –simplesmente passar o tempo juntos”, diz.Dedicar mais tempo à convivência com os filhos ou amigos é uma das chavesdessa revisão de valores. “O importante é reunir os amigos, e melhor ainda senão tivermos nenhum motivo para isso”, diz o empresário do setor de plásticosPaulo Marques, de 44 anos. Ele é um dos anfitriões de uma confraria informalque surgiu num prédio de classe média alta, no Morumbi, em São Paulo. Asreuniões da “turma da laje”, como os próprios se denominam, primam pelorequinte gastronômico, sem perder o espírito festeiro. Ao som de Tim Maia,bebem champanhe, sque e cerveja. Os dez casais que participam daconfraria aos poucos foram substituindo os jantares em restaurantes e asconversas em barzinhos pelo encontro no apartamento do vizinho. Numa dasúltimas reuniões, Rose, a mulher de Marques, que é designer de interiores,descobriu que uma das vizinhas assaria um cordeiro. Prontificou-se a levar ovinho e as taças. “Se eu saísse de casa para consumir isso, gastaria cincovezes mais”, diz João Carlos Mello, empresário do setor de energia, outrointegrante do grupo. O custo-benefício não é, porém, a principal motivaçãopara as reuniões. “Muitos daqui não têm família em São Paulo, e ficar perto dosamigos tira um pouco a impessoalidade da cidade”, afirma Herbert Andrade,diretor-comercial do canal de TV Fox. O grupo também enumera outras razões,como a fiscalização da Lei Seca, o tempo perdido no trânsito e a distância dosfilhos pequenos. “Nada melhor que ficar em casa durante o fim de semana. Sóprecisamos procurar alguma luz acesa pelo prédio”, diz Marques.Embora tenham escolhido o apelido de “turma da laje”, os vizinhos de prédio doMorumbi poderiam ser chamados de “neoepicuristas”. Epicuro de Samos (341a.C.-270 a.C.) foi o filósofo que propôs uma vida de prazer como chave para afelicidade. Mas o prazer de Epicuro o é o dos excessos, como nohedonismo. O prazer a que ele se refere é espiritual, algo que se relaciona aopassado e se desdobra no futuro. O prazer imediato, na outra ponta, estáassociado ao materialismo e ao consumismo e, segundo ele, deveria ser evitado.

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