Estão assim abrangidos pela mediação penal todos os crimes particulares e certos crimes semi-públicos – os crimessemi-públicos contra as pessoas e contra o património. Os crimes particulares/semi-públicos dependem daapresentação de uma queixa para que haja processo-crime, podendo a vítima desistir da mesma.Por outro lado, a mediação penal é aplicável aos crimes com pena de prisão não superior a cinco anos ou com sançãodiferente da prisão.Estão sempre excluídos da mediação penal os crimes contra a liberdade ou autodeterminação sexual, os crimes decorrupção, peculato e tráfico de influência e aqueles que envolvam uma vítima de idade inferior a 16 anos.Exemplos de crimes sujeitos a mediação penal:
Injúria;
Furto;
Dano;
Ofensa à integridade física simples.
4. Como se chega à mediação?
O processo de mediação pode ser resumido nos 5 seguintes passos:1.º passo – Durante o inquérito, o Ministério Público remete o processo a um mediador quando o arguido e o ofendidoo solicitarem ou se houver recolhido indícios suficientes e se considerar que, dessa forma, se respondeadequadamente às necessidades de prevenção que se façam sentir;2.º passo – O mediador contacta o ofendido e o arguido, esclarecendo-os sobre o que é a mediação penal;3.º passo – Para que a mediação penal se realize, tanto o arguido, como o ofendido, têm de a aceitar expressamente.Se não for aceite, não se realiza e o processo prossegue pela via judicial;4.º passo – Se o arguido e o ofendido aceitarem a mediação penal, têm início as sessões para a obtenção de umacordo;5.º passo – Se for alcançado um acordo, esse acordo é comunicado ao Ministério Público e equivale a uma desistênciada queixa. Se não for alcançado acordo, o processo prossegue pela via judicial.No desempenho da sua função, o mediador está sempre obrigado a observar os deveres de imparcialidade,neutralidade, independência, confidencialidade e diligência e fica vinculado ao segredo de justiça.
5. Qual a duração da mediação penal?
Remetido o processo ao mediador para mediação penal, a mediação deve estar concluída num prazo máximo de trêsmeses, sem prejuízo de o mediador solicitar ao Ministério Público uma prorrogação até ao máximo de dois meses.Decorrido esse período de tempo sem que tenha sido possível obter um acordo em sede de mediação, o processopenal segue os seus termos.
6. O que pode constar do acordo de mediação?
O conteúdo do acordo resultante da mediação penal é livremente fixado pelas partes.Este acordo não pode incluir sanções privativas da liberdade, deveres que ofendam a dignidade do arguido ou deveresque se prolonguem no tempo por mais de 6 meses.Exemplos de acordos possíveis:
O pagamento de quantia em dinheiro (ex: o arguido compromete-se a pagar pelo muro que destruiu);
Um pedido de desculpas (ex: o arguido pede desculpas por ter ofendido publicamente a vítima);
Reabilitação do arguido (ex: o arguido que atropelou a vítima compromete-se a frequentar um curso de conduçãodefensiva);
A reconstrução/reparação de algo que tenha sido danificado (ex: o arguido compromete-se a reparar o automóveldestruído).
7. Quem pode ser mediador penal?
Pode ser mediador penal quem conste de uma lista, a partir da qual o Ministério Público designa o mediador para oprocesso.Nessa lista, podem inscrever-se os mediadores que:
Tenham mais de 25 anos;
Estejam no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos;
Possuam licenciatura ou experiência profissional adequadas;
Estejam habilitados com um curso de formação em mediação penal adequado;
Sejam pessoas idóneas para o exercício da actividade de mediador penal, designadamente, não terem sidocondenadas por sentença transitada em julgado pela prática de crime doloso;
Tenham o domínio da língua portuguesa.Actualmente, existem já 79 mediadores formados e inscritos nas listas de mediadores penais.
8. Onde funciona o Sistema de Mediação Penal?
A mediação penal funcionou, numa primeira fase, a título experimental, nas comarcas de Aveiro, Oliveira do Bairro,Porto e Seixal.
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