O IMORTALPÁGINA 2JULHO/2009
Editorial
EMMANUEL
Como pode ser verificado emuma matéria publicada neste jor-nal, o escritor e professor norte-americano Bart D. Ehrman, chefedo Departamento de Religião daUniversidade da Carolina do Nor-te, EUA, aponta para as inconsis-tências e contradições do NovoTestamento e suas interpretaçõespelos adeptos do Cristianismo.Dentre elas, duas seriam respon-sáveis por consequências graves,como a descrença em Deus e a de-sorientação das pessoas quanto àsalvação.
(Leia na pág. 6 destenúmero a matéria citada.)
Segundo Ehrman, não há comoconciliar a ideia de Deus – comoum ser onipotente, justo e bom –com o caos econômico, político esocial, as doenças, as injustiças e aviolência que imperam na Terra.Um mundo como o nosso não po-deria ser obra da bondade e da jus-tiça. E Erhman faz, por isso, ques-tionamentos muito parecidos comos que Kardec fez há mais de 150anos. O Codificador recebeu, en-tão, todo um conjunto de ensina-mentos que constituem a chave quepermite entender o porquê da vidae o porquê das coisas. E o primei-ro desses ensinos, que revela a jus-tiça e a bondade do Criador, é oque nós conhecemos como lei deDia novo, oportunidade reno-vada.Cada amanhecer representa di-vina concessão que não podes nemdeves desconsiderar.Mantém, portanto, atitude po-sitiva em relação aos acontecimen-tos que devem ser enfrentados; oti-mismo diante das ocorrências quesurgirão; coragem no confrontoAutomaticamente, por força dalógica, elege o homem na contabi-lidade uma das forças de base aopróprio caminho.Contas maiores legalizam asrelações do comércio, e contasmenores regulamentam o equilí-brio do lar.Débitos pagos melhoram ascredenciais de qualquer cidadão,enquanto que os compromissosmenosprezados desprestigiam aficha de qualquer um.*Assim também, para lá do se-pulcro, surge o registro contábil damemória como elemento de aferi-ção do nosso próprio valor.A faculdade de recordar é oagente que nos premia ou nospune, ante os acertos e os desacer-tos da rota.Dessa forma, se os atos louvá-veis são recursos de abençoada re-novação e profunda alegria nosrecessos da alma, as ações infeli-zes se erguem, além do túmulo, porfantasmas de remorso e aflição nomundo da consciência.Crimes perpetrados, faltas co-
Fé e obras
causa e efeito, que é, ao lado danecessidade de progredirmos, averdadeira razão das existênciassucessivas, da lei da reencarnação.A outra dificuldade que é cla-ramente explicada pelo Espiritis-mo é o conceito de salvação. Exis-tem duas correntes interpretativasdo Novo Testamento acerca disso:a que condiciona a salvação à fé ea que considera o valor das obrascomo elemento importante na cha-mada salvação.Mas, em que, segundo o Espi-ritismo, consiste a salvação? Sal-vação é salvar-se do mundo damaterialidade e de suas baixas vi-brações, permitindo-se galgar de-graus que levem a regiões, permi-tindo-se galgar degraus que levama regiixas vibrao acerca disto:aquela que condiciona a salvaer-pretaes espiritualmente mais eleva-das e menos sujeitas à influênciada matéria.Os adeptos da salvação pela fébaseiam-se, especialmente, naEpístola aos Romanos, em que sediz que a salvação só é possívelpela fé. Não haveria, para tal fim,outro meio. As obras, na interpre-tação de Lutero, apenas exornari-am seu autor e indicariam a natu-reza de sua crença, mas em nadacontribuiriam para a sua salvação.Vale notar, preliminarmente,que vários estudiosos não conside-ram essa epístola como autênticae, o que é mais importante, seusuposto autor, Paulo de Tarso, emsua 1ª Epístola aos Coríntios, re-portando-se às chamadas virtudesteologais – a fé, a esperança e acaridade -, afirma enfaticamenteque das três a mais importante eexcelente é justamente a caridade,porque é através da caridade querevelamos se temos realmente es-perança e fé.Em segundo lugar, não pode-mos ignorar que no Sermão daMontanha e na chamada Parábolado Juízo Final o próprio Jesus ele-ge a prática da caridade como con-dição única e necessária da salva-ção, fato esse destacado por Kar-dec no capítulo 15 de seu Evange-lho segundo o Espiritismo, intitu-lado “Fora da Caridade não há Sal-vação”, que acabou tornando-selema da Doutrina Espírita. Segun-do o Espiritismo, cada ato de cari-dade, ou seja, de benevolência, in-dulgência, perdão e de auxílio aopróximo, desmaterializa aos pou-cos a criatura humana, que passa acomungar das benesses do mundodos Espíritos e entrar em comuni-cação com aqueles que se interes-sam por sua evolução.
Um minuto com Joanna de Ângelis
das lutas naturais; recomeço de ta-refa interrompida; ocasião de rea-lizar o programa planejado.Cada amanhecer é convite se-reno à conquista de valores queparecem inalcançáveis.À medida que o dia avança,aproveita os minutos, sem pressanem postergação do dever.Não te aflijas ante o volume de
Memória além-túmulo
metidas, erros deliberados, pala-vras delituosas e omissões lamen-táveis esperam-nos a lembrança,impondo-nos, em reflexos doloro-sos, o efeito de nossas quedas e oresultado de nossos desregramen-tos, quando os sentidos da esferafísica não mais nos acalentam asilusões.*Não olvideis, assim, que, alémda morte, a vida nos aguarda emperpetuidade de grandeza e de luz,e que, nessas mesmas dimensões deglorificação e beleza, a memóriaimperecível é sempre o espelho quenos retrata o passado, a fim de quea sombra, reinante em nós, se dis-solva, nas lições do presente, im-pelindo-nos a seguir, desenleadosda treva, no encalço da perfeiçãocom que nos acena o futuro.JOANNA DE ÂNGELIS,mentora espiritual de Divaldo P.Franco, é autora, entre outros li-vros, de
Episódios Diários
, doqual foi extraído o texto acima.coisas e problemas que tens pelafrente.Dirige cada ação à sua finali-dade específica.Após concluir um serviço, ini-cia outro e, sem mágoa dos acon-tecimentos desagradáveis, volve àlição com disposição, avançando,passo a passo, até o momento deconclusão dos deveres planejados.Não tragas do dia precedente oresumo das desditas e dos aborre-cimentos.Amanhecendo, começa o teu diacom alegria renovada e sem passa-do negativo, enriquecido pelas ex-periências que te constituirão recur-so valioso para a vitória que buscas.
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EMMANUEL, que foi omentor espiritual de FranciscoCândido Xavier e coordenador daobra mediúnica do saudoso mé-dium mineiro, é autor, entre outroslivros, de
Religião dos Espíritos
,do qual foi extraído o texto acima.
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