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Periklis Pavlidis O carácter social do trabalho e a questão do comunismo

Periklis Pavlidis O carácter social do trabalho e a questão do comunismo

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Grupo de Estudos Marxistas, I Congresso Internacional Marx em Maio. Perspectivas para o Século XXI. Lisboa 2013.
Grupo de Estudos Marxistas, I Congresso Internacional Marx em Maio. Perspectivas para o Século XXI. Lisboa 2013.

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Grupo de Estudos Marxistas
 
O carácter social do trabalho e a questão do comunismo
 por Periklis Pavlidis 
  A crise económica global da abrangente e prolongada degradação da sociedade capitalista marca os limites do modo de produção capitalista e
torna imperativo considerar as condições para o seu derrube. É, para isto,
essencial examinar as mudanças que ocorreram no sistema de trabalho
moderno e as possibilidades que daí decorrem para uma mudança radical
de todas as relações sociais.É importante relembrar que Marx interliga a possibilidade de cons-trução da sociedade comunista com o desenvolvimento, no movimento
mesmo do capitalismo, do carácter social do trabalho. Como é patente no
proeminente trabalho de V.A.Vazyulin,
 A Lógica da História 
, o carácter
social do trabalho é algo que tem vindo a ganhar orma ao longo da 
evolução histórica do trabalho. Por outras palavras, o conteúdo e a evolução
histórica do trabalho consistem no surgimento, ormação e maturação do
seu carácter social, o que equivale ao aparecimento inicial, e consequenteormação e maturação, do trabalho como relação social transormadora do homem com a natureza.
Deste ponto de vista, a transição para a sociedade comunista é defnida 
como o completar eectivo da ormação do carácter social do trabalho
e como transição para um estado maduro do trabalho e das restantes
relações sociais, em suma, como a sociedade amadurecida.
V.A.Vazyulin examina a História como processo inicial de aparecimento
das relações sócio-laborais dentro do quadro das relações do homem entresi e com a natureza (a comunidade primitiva) e de posterior transormação
gradual destas relações por meio da transormação das proprias relações
sócio-laborais. A transormação das relações naturais iniciais por meio
das relações sociais (o período Histórico das classes sociais) represen-
ta o processo de ormação da própria Sociedade. O completar desta 
 
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Marx em Maio 2012
transormação, das relações naturais dos seres com a natureza e entre sipelas relações sócio-laborais, (que implica a revolução socialista) leva à maturação das relações sociais e à emergência da sociedade comunista.
Nesta perspectiva o comunismo é compreendido não apenas como a 
transcendência do capitalismo, mas como uma transormação mais
prounda que transporta e supera (auheben) todas as relações herdadashistoricamente (tanto das sociedades pré-classistas como das sociedadesclassistas).
O desenvolvimento histórico do carácter social do trabalho
Partindo das concepções da História acima desenvolvidas, devemos ter
em conta que o trabalho surge primeiro como uma actividade que visa undamentalmente a produção de meios de subsistência que satisaçamas necessidades biológicas do homem. Assim o trabalho aparece essen-cialmente como produção, e as relações entre os homens como relações
condicionadas por essa produção (Vazyulin 112-113). No quadro de
evolução dominante, a evolução do trabalho é determinada pela eitura 
dos produtos, mas também pelas relações especícas de distribuição e
apropriação desses mesmos produtos. É por esta mesma razão que, até
aos nossos dias, o tipo de evolução social vigente, a orça motora do
desenvolvimento do trabalho e da sociedade é a interacção entre as orças
produtivas e as relações de produção.É aqui mister relembrar que esta interação não é dada inicialmente,
como uma orma acabada para posterior aplicação, nem é tão pouco
repetida da mesma maneira ao longo do processo histórico de desenvol-vimento dos modos de produção.
O ponto de partida desta interacção entre as orças produtivas e as
relações de produção oi o da sua imediata (mas não absoluta) identidade.
 A comunidade primitiva, por meio das ligações naturais entre os seus
membros constituiu a orça produtiva. Esta mesmo comunidade primitiva,
baseada na divisão natural do trabalho (por meio de sexo e de idade),
age produtivamente sobre a natureza de uma orma unívoca, como uma 
única orça. Fora desta unidade não existe qualquer possibilidade de
interacção com a natureza e, consequentemente, de sobrevivência. Neste
caso, podemos considerar convencionalmente o caracter social do trabalho
como a unidade do povo, como uma ligação entre corpos, entre orças
fsico – musculares, que somente conjugadas podem azer rente ao poder
da natureza. Ainda assim, as orças produtivas e as relações de produção
 
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Periklis Pavlidis
(na sua identifcação imediata) são orças e relações sobretudo naturaise não produtivas.O período histórico de ormação do trabalho e da sociedade consisteprecisamente na destruição gradual dos vínculos primitivos dos seres hu-
manos com a natureza e uns com os outros e no desenvolvimento histórico
do trabalho e de relações propriamente sociais, processo que se inicia 
com a transição da comunidade primitiva para a sociedade classista. Na 
medida em que emerge e se desenvolve a propriedade privada dos meios de
produção, esses meios (enquanto meios criados pelo trabalho) e as relações
de produção que lhes estão associadas (enquanto relações historicamenteconstituídas) começam a dierenciar-se das orças produtivas naturais e
das relações naturais primitivas, transormando-as de orma gradual. Claro
que, durante um longo período, que se estende até aos primórdios da 
revolução industrial, as orças produtivas ornecidas principalmente pela natureza (a terra, os animais, o corpo humano) continuam a dominar a produção e as relações de produção mantêm vastos elementos própriosdas relações naturais dos primórdios da humanidade.Em todas as sociedades pré-capitalistas domina o trabalho manual, otrabalho levado a cabo pelo uso de erramentas manuais. Isto signifca que os trabalhadores se encontram ragmentados no interior do processo
de produção, dominado pela relação imediata do trabalhador manual
individual com as suas erramentas. O predomínio do trabalho manual
az com que o uso de cada conjunto de erramentas dependa de cada 
trabalhador separadamente e principalmente da sua constituição fsica,orça, resistência e esorço.
No caso do trabalho manual, o actor determinante da actividade
produtiva é o poder fsico-muscular do trabalhador e o modo como eleé usado (duração, intensidade, velocidade, ritmo), sendo que o uso deoutras orças motoras naturais tais como a orça dos animais, da àgua edo ar é também necessário.
Em todas as sociedades que antecedem o capitalismo industrial o
carácter social do trabalho aparece sob a orma de agregados de pessoas
com o objectivo de realizar tareas particulares. Este agregado é deter-minado pela especicidade do objecto e das erramentas de trabalho.Evidentemente, a concentração de vários trabalhadores manuais num
mesmo espaço e o estabelecimento de ormas simples de cooperação nãoanula de orma alguma a ragmentação dos trabalhadores no interior dosistema produtivo.
Com o aparecimento e o desenvolvimento do modo de produção
capitalista e especialmente com a ormação do sistema capitalista global,

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