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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA
2
a
Quinzena de Julho de 2009Ano XXIX - No. 1067 Modesto, California$1.50 / $40.00 Anual
90 Anos a Servir de Vestíbulo para o Céu 
portuguesetribune@sbcglobal.net • www.portuguesetribune.com • www.tribunaportuguesa.com
Pelo S. Martinho prova o teu vinho, ao cabo de um ano já não te faz dano...pintura de Connie Bettencourt, no bar do FDES de Monterey
As vindimas estão por aí...
Portuguese FraternalSociety of America
 ANIVERSÁRIO
“Uma igreja para todo o cristão deve sero vestíbulo para o Céu, nenhum lugarna terra nos deve merecer maior venera-ção”.
 Foi assim que Monsenhor Henrique Augus-to Ribeiro, visionário fundador da Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas, sedirigiu aos paroquianos que a 13 de Julho de1919 inauguraram aquela igreja.
Parabéns à NOSSA Igreja! 
Quatro das cinco Sociedades Frater-nais Portuguesas com sede no Esta-do da California, IDES, SES, UPECe UPPEC, estiveram reunidas numa
Sessão Especial, no m de semana de
20 e 21 de Junho de 2009, no HiltonHotel, em Newark.Devido a ser uma sessão especial, sóum tópico foi permitido para discus-são e o assunto era a fusão destas qua-tro sociedades.IDES e UPPEC encontraram-se noSábado e a UPEC e SES no Domin-go. Em todas as quatro sessões esteve presente um representante do
Califor-nia Department of Insurance
, DavidLagenbacher, que falou sobre os bene-fícios desta fusão. David Lagenbacher explicou com detalhe que as vanta-gens da fusão destas quatro socieda-des assegurará longevidade e sucessono caminho do futuro.
A SES e a UPPEC zeram-se repre
-sentar por Chris Nowatarki e na re- presentação da IDES e UPEC esteveTodd Martin, como seus advogados.Houve muita discussão sobre o assun-to em cada encontro, como seria nor-
mal nestas circunstâncias, mas no m
 prevaleceu a maioria, que aprovou aunião das quatro sociedades. As emo-ções do momento foram compreendi-das por todos, pois cada uma destassociedades tem mais de 100 anos deactividade.O nome escolhido para a nova orga-
nização foi
“Portuguese FraternalSociety of America”
e a fusão terá
lugar ocialmente no dia 1 de Janeiro
de 2010.
 
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15 de Julho de 2009
SEGUNDA PÁGINA
Year XXIX, Number 1067, July 15, 2009
 
Experiência única de vida
EDITORIAL
Hoje
vouapresen-tar-vosum jo-vem pro-fessor 
assistente de losoa, Marcelo Pi
-mentel, que já foi professor do anoem Orange County em 2004-2005,ganhando um cheque de $15,000 do-lares, além de um troféu.Já em 2004 tinha recebido o “Facul-ty Excellence Award” e em 2003 foio “commencement speaker” do seuColegio.
Tem tido uma vida prossional ex
-
tremamente rica e goza no dia-a-diaaquilo que faz. Bom exemplo. Nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, e
seus pais são da Terceira.É muito envolvido na sua escola,Santiago Canyon College na Cidadede Orange, California, com 11 milalunos, e sempre que pode assiste àsnossas festas tradicionais do Sul daCalifornia.Tem sido um professor altamentereconhecido pela sua Escola e muitoem especial pelos seus alunos.
* Aproveito
também para mostrar-vos a foto da Filarmonica da Agualvade 1942, restaurada por José Enes.Conhecem alguém?Há tanta coisa para escrever e o espaço está-se a tornar  pequeno. Tantos assuntos que nos chegam às mãos e quevalem a pena discutir com todos vós.Gostaria de falar-vos hoje da nossa experiência como jurado no Tribunal de Modesto.É uma experiência que todos deveríamos ter. Pela primei-
ra vez, compreendemos que a justiça dos jurados é muitomais sábia e mais valiosa, do que a justiça de um juíz,muitas vezes desfasado do mundo, e que só conhece parte
da vida através dos livros de Direito que leu.
Doze pessoas, de diferentes experiências prossionais,
exercitam o seu direito constitucional de punir ou mandar em liberdade, quem prevaricou, ou quem, acusado foi in-
 justamente. Convém dizer que hoje em dia com as provasdo DNA, a justiça cou mais justa, as deliberações maiscientícas e racionais.
Claro que há jurados e jurados. Toda a gente se lembra doque se passou com um célebre jogador de futebol ameri-
cano. Quando um jurado age em razão da sua etnia e do
nome do envolvido, então esses jurados estão a prestar um mau serviço à justica e deveriam ser punidos.Sinceramente aconselho todos a terem esta experiênciade vida que é única. Normalmente falamos de gripes no Inverno, não em ple-
no verão. Infelizmente a nova gripe veio para car, e todo
o cuidado é pouco.
Ainda ontem lemos no Modesto Bee, o testemunho de
uma senhora americana àcerca dos cuidados que recebeuao chegar ao Aeroporto da Terceira. Ficou impressionada
 positivamente e perguntava porque é que não se faz a
mesma coisa na America, sendo este País tão exposto àmovimentação de pessoas de todo o mundo.Um bom exemplo vindo dos Açores. De aplaudir e derecomendar. jose avila
Crónicas do Perrexil
J. B. Castro Avila
 
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COLABORAÇÃO
Lembranças de São João
Tribuna da Saudade
Ferreira Moreno
V
em já dos tempos an-tigos a tradição ates-tando que a água está benta no diade S. João, desde as ondas do mar embraçando as ilhas às gotinhasde orvalho do sereno enroupandoa madrugada. Por isso, em pre-
núncios de alegria esfuziante, a
gente das ilhas ia banhar-se nomar e dispersava-se por ribeirase nascentes, lagoas e fontanários,numa peregrinação feita de can-
torias e ramalhetes de ores.
 Nos quintais, era costume deixar-se ao sereno um alguidar comágua, cumprindo uma crendicede longa data que atributava aessa água grandes virtudes.
Bebia-se, então, a água p’ra re
- juvenescer a velhice e abater oquebranto. Era crença, igualmen-te observada, em amassar o fer-mento com essa água benta.Daí resultava um pão saborosíssi-mo, que não só nos regalava, mastambém nos livrava das malditasdoenças provocadas por mausolhados.Em chegando o mês de Junho,Mês da minha devoção,Vou festejar o meu Santo,Meu querido S. João.O vinte e quatro de Junho
P’ra muitos é tradição,
Pois se celebram as festasEm louvor de S. João. Não há dia mais bonitoQue o dia de S. João,É de todos o maior Que consegue ter o Verão.Pega lá nessa viola,Toca nela com paixão,Como tocava meu pai Nas noites de S. João. Neste momento estou a lembrar-me da folia criada à volta dasfogueiras na noite de S. João,
com os rapazes saltando numaalgazarra, enquanto as raparigas
mais afoitas davam pulos e griti-nhos semelhantes a guinchos degarajaus.A alegria desdobrava-se em ro-dos de gargalhadas sempre que olume “pegava” no cú das calças
dos rapazes e “pelava” as pernas
das raparigas.Em noite de S. JoãoJunto à fogueira te vi;O lume não me queimou,
Mas ardi d’amor por ti.
Vamos saltar as fogueirasCom grande satisfação,
P’ra vermos qual de nós
É que abraça o S. João.
Dizer o sim certo dia
Foi a minha perdição,Quando pulava contigo Na noite de S. João.Vai de roda, vai de roda,Da fogueira ao luar,
À procura da donzela
Que contigo irá casar. Num testemunho do saudosoManuel Inácio de Melo obtivea informação que, antigamen-
te as famílias organizavam uma burricada p’ra ir ao mato apa
-
nhar louro verde p’ra queimar 
nas fogueiras. Assim, “era rara acasa que, à noite, não tinha à sua porta uma fogueira feita só comlouro do mato e do macho (folhalarga) que estala melhor. As fa-
mílias saíam p’rà rua p’ra ver as
fogueiras maiores ou menores e
o rapazio a saltá-las. As ruas 
-cavam cheias de fumo cheiroso,que entrava nas casas de portas
e janelas abertas, e servia p’ra
as desinfectar das epidemias, dagripe, do sarampo, papeira, tosseconvulsa, etc.” (Santos Tempos,Usos & Costumes Tradicionais,Edição 1993).Vamos, raparigas, todas,Ao rosmaninho que cheira, Na noite de S. João,
A fazer uma fogueira.
Donde vindes, S. João,Que vindes tão molhadinho?Venho de ver as fogueiras,De colher o rosmaninho.Ó S. João, donde vindes
P’las calmas, sem chapéu?
Venho de ver as fogueiras,Que se acenderam no céu.Donde vindes S. João,Com uma capa de chita?Venho de ver as fogueirasDa Senhora Santa Rita.Lá vem S. João abaixo,
C’o’a capa cor de fogo;
Que vem de ver as fogueirasDa Senhora do Socorro.S. João é divertido,Amigo das brincadeiras,Abençoa as criancinhasQuando saltam as fogueiras.Tempos de inocência, certamen-te, sem maldade nestes e tantosoutros divertimentos típicos daquadra anual de S. João quan-do, por exemplo, a gente “tiravaas sortes” com uns papelinhosonde estavam escritos os nomesde namorados e desejados, que asraparigas escondiam cuidadosa-mente lá fora nos quintais. Na noite de S. JoãoPõe sortes à madrugada,
P’ra ver que nome te sai
 Na sorte desenrolada.Eu só vi nascer o Sol No dia de S. João,Quando recolhia as sortesQue tinha posto ao serão.Era crença, então, que o sereno damanhã encarregar-se-ia de abrir este ou aquele papelinho com onome do futuro noivo. Acontecia,
no entanto, que alguns rapazes
malcriados tinham a “mania” de,encobertos pela noite, andarem
 p’los quintais abrindo os bilheti
-nhos.
Botei sortes ao sereno
 Na noite de S. João;
Aquele que m’as roubou,
S. João secai-lhe a mão.S. João não me deixes
 Na incerteza e na dor;Traz-me aquele que seráP’ra sempre o meu amor.
O extenso número e variedade desortes revestia-se duma extraor-
dinária curiosidade, perfazendo
um rol de usos e costumes, tra-dições e superstições, revertendoem meiguice e garridice, desmo-tivando assim a monotonia das
nossas ilhas de bruma e pacatez.
Lá do céu caiu um cravo Na manhã de S. João;Tu é que és o meu bem,Descansa o teu coração.S. João era moreno,E moreno o seu amor;Anda ao sol, anda ao sereno, Nunca perde aquela cor.
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