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Autos n. 583.00.2006.158529-2 25ª Vara Cível do Fórum Central da Capital V. I.
Cuida-se deação coletivacom pedido de tutela antecipada ajuizada pelaASSOCIAÇÃO DOS ADQUIRENTES DE APARTAMENTOS DO CONDOMÍNIORESIDENCIAL JARDIM ANÁLIA FRANCO em face da COOPERATIVA HABITACIONALDOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO – BANCOOP.
A ACAO E PEDIDOS DAS VITIMAS
Segundo a autora, a ré (bancoop) iniciou, em meados de fevereiro de 2001, naqualidade de incorporadora, a comercialização de apartamentos em quatro torresinerentes ao Empreendimento Jardim Anália Franco.As unidades foram comercializadas pela Cooperativa por meio dos contratos de“adesão e compromisso de participação”.A primeira torre foi entregue em janeiro de 2004 e segunda em maio de 2005.O prazo contratual de entrega da terceira torre era novembro de 2005 (já consideradoos seis meses de carência do contrato); e o prazo de entrega da quarta torre erasetembro de 2006.Diante do não cumprimento do prazo para a entrega das unidades e considerandobasicamente a exigência de pagamento extraordinário, com o apoio em cláusula queprevê rateio de perdas ou sobras, a autora ingressou com a presente demanda.Pede a concessão de tutela antecipada para que a ré, em trinta dias, promova oREGISTRO DA INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA, além de multa contratual edeterminação de publicação de edital para a divulgação das informações quanto àpresente demanda (fls. 1768/1771).Quanto ao mérito fez nove pedidos:1) desconsideração da personalidade jurídica da cooperativa;2) reconhecimento da relação de consumo;3) inversão do ônus da prova;4) declaração de dolo na relação contratual;5) revisão dos contratos para afastar a aplicação da tabela price, adotando-se o índiceCUB-SINDUSCON;6) condenação da ré em restituição em dobro de qualquer valor pago a maior;7) revisão do contrato e declaração de nulidade da cláusula que prevê a apuração finalou, sucessivamente, prestação de contas;8) condenação da ré a adotar todas e quaisquer providências para garantir a outorgade escritura, em definitivo, dos imóveis aos cooperados;9) condenação ao pagamento de multa de 50% sobre a quantia que a ré tiver efetivamente recebido, devidamente corrigida a partir do ajuizamento da demanda, emrelação à aplicação do artigo 35 da Lei n. 4591/64.
 
O Juízo indeferiu, de plano, o pedido de desconsideração da personalidade jurídica.Manteve no polo passivo apenas a BANCOOP. A tutela antecipada foi concedida emparte. A ré (bancoop) agravou e a Colenda Quarta Câmara de Direito Privado doTribunal de Justiça, nos autos do agravo de instrumento n. 471.689.4/9-00, j. 07-12-2006, rel. Des. FRANCISCO LOUREIRO, deu provimento ao recurso.
BANCOOP COMENTA A ACAO DAS VITIMAS
A ré, (bancoop) devidamente citada, contestou a fls. 1872/1933. Em preliminaresdefendeu:a) ilegitimidade ativa;b) falta de interesse processual quanto ao pedido de imposição de obrigação deoutorgar a escritura definitiva;c) falta de interesse processual quanto ao pedido alternativo de prestação de contas;d) pedido juridicamente impossível quanto ao reconhecimento de dolo na relaçãocontratual e de anulação da cláusula 16 do “Termo de Adesão”.No mérito, outrossim, aguarda a improcedência da demanda.Primeiro, defende o reconhecimento da prescrição quanto aos pedidos de dolo narelação jurídica contratual e anulação da cláusula 16ª do termo do contrato. Depois,consigna a legalidade do contrato firmado.As obras estão paralisadas por conta do déficit do empreendimento, e não por opçãoda ré. (bancoop)Nesse passo, torna-se impossível retomar a construção sem o pagamento gradual doreforço de caixa. Infrutífera a tentativa de conciliação.As preliminares foram rejeitadas e o processo saneado, com o deferimento daprodução de prova pericial .A ré (bancoop) não depositou os honorários do perito e, preclusa a prova, designou-seaudiência de instrução.Na audiência foram ouvidas três testemunhas:a) Elídio Tavares Lanna; b) Helena de Campos Malachias c) Isabel Francisca Bragados SantosDeferida a apresentação de memoriais, a autora reiterou a procedência da ação, naforma exposta na inicialb) a ré, (bancoop) por sua vez, propugnou pela rejeição dos pedidosJUIZ DECIDEÉ o relatório. DECIDO. II.
1.
DA INCIDÊNCIA DO CDC. 
 
A relação com os associadosda autora, chamados de cooperados pela ré,(bancoop)é de consumo, sem dúvida, conforme firme orientação do Tribunal deJustiça de São Paulo
(TJSP, Apelação n. 554.925.4/1-00, 4ª Câmara de Direito Privado, j. 27-03-2008, rel. Des. MAIADA CUNHA; TJSP, Apelação n. 557.572.4/1-00, 4ª Câmara de Direito Privado, j. 27-03-2008, rel.Des. MAIA DA CUNHA; TJSP, Apelação n. 303.498-4/5, 4ª Câmara de Direito Privado, j. 23-04-2008, rel. Des. JACOBINA RABELO; TJSP, Apelação n. 413.104.4/6-00, 4ª Câmara de DireitoPrivado, j. 10-04-2008, rel. Des. FRANCISCO LOUREIRO).
Realmente, o fato de estarmos diante de um instrumento de adesão eparticipação em regime corporativoNÃO dispensa, como dito, a sujeição àsnormas do Código de Defesa do Consumidor.Vale dizer, não importa o rótulo que se dê.Deve-se distinguir uma autêntica cooperativa de uma pessoa jurídica queassume essa forma sem qualquer propósito cooperativo.No julgamento da Apelação n. 166.154.4/9-00, da E. Terceira Câmara de DireitoPrivado do Tribunal de Justiça, o Desembargador OLAVO SILVEIRA, comprecisão, verberou que essa formação enquadra "um tipo de associação quemuito mais se aproxima dos consórcios do que propriamente de cooperativa, atéporque, via de regra, nem sempre é o efetivo espírito cooperativo que predominanessas entidades".Em outras palavras, "o associado que a ela adere apenas para o efeito deconseguir a aquisição da casa própria, dela se desliga e se desvincula uma vezconsumada a construção".De fato, "o que se pode observar é que a adesão a cooperativa é um disfarce decontrato de compromisso que melhor define a relação entre as partes.Ou seja, o autor pretendia a casa própria e não necessariamente a participaçãona cooperativa"(TJSP, Apelação n. 299.540-4/6-00).Repita-se: a contratação questionada, embora celebrada pelo sistema decooperativa, submete-se às regras do Código de Defesa do Consumidor, aocontrário do que afirma a ré:"COOPERATIVA - Empreendimento habitacional - Relações jurídicas comcooperados - Incidência do Código de Defesa do Consumidor - Artigos 2º e 3º doreferido diploma legal - Preliminar rejeitada" (JTJ 157/61).
2.
DA APURAÇÃO FINAL –
PROPOSTA DE VENDA QUE INDICA A EFETIVA QUITAÇÃO APÓS OPAGAMENTO DAS PARCELAS – MATERIAL PUBLICITÁRIO QUE VINCULA APREPONENTE – QUITAÇÃO DA UNIDADE APÓS O ADIMPLEMENTO DASPARTES – ABUSIVIDADE DA CLÁUSULA 16ª DO INSTRUMENTO DE
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