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Por uma reinvenção das práticas comunitárias - Silvia Federici

Por uma reinvenção das práticas comunitárias - Silvia Federici

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Published by Maria Crise
Entrevista pelo "Coletivo Situaciones". Maio 2009.
Entrevista pelo "Coletivo Situaciones". Maio 2009.

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Entrevista pelo
Colectivo Situaciones
” (05/
2009)
Por uma reinvenção daspráticas comunitárias
Silvia Federici
 
1
Como começa a sua militância feminista nos Estados Unidos?
 Cheguei aos Estados Unidos em 1967. Aqui, envolvi-me com os movimentos estudantis, com osmovimentos contra a guerra, comecei a cooperar com uma revista teórica marxista chamada
Telos
e com um grupo de companheiros ligados ao movimento operaísta
1
e à esquerdaextraparlamentar italiana. Foi através deste processo que entrei em contacto com o texto deMariarosa Dalla Costa:
“O poder das mulheres e a subversão da comunidade”. Esse documento
foi importante para mim ao dar-me uma perspectiva de classe do feminismo, reconhecendoque a discriminação contra as mulheres é o resultado do seu confinamento ao trabalho dereprodução que no capitalismo é totalmente desvalorizado. Foi nessa altura, também, que seiniciou a minha participação no Movimento pelo Salário no Trabalho Doméstico e o meutrabalho político a tempo inteiro enquanto feminista. Em 1972 fundámos o Colectivo FeministaInternacional, que deveria lançar a campanha pelo salário para o trabalho doméstico numplano internacional. Em 1973, com outras companheiras, fundámos o Comité pelo Salário parao Trabalho Doméstico em Nova Iorque e, depois, fundámos vários grupos pelos Estados Unidos.Nas raízes do meu feminismo está, em primeiro lugar, a minha experiência de mulher crescidanuma sociedade repressiva como era a da Itália dos anos 50: anticomunista, patriarcal, católicae com o peso da guerra. A Segunda Guerra Mundial foi importante para o crescimento dofeminismo em Itália enquanto momento de ruptura ou de crise na relação das mulheres com oestado e com a família, porque fez as mulheres entenderem que deviam tornar-seindependentes, que não podiam colocar a sua sobrevivência nas mãos dos homens e da famíliapatriarcal e que não tinham de fazer mais filhos para um estado que depois os mandavamassacrar.Teoricamente o meu feminismo tem sido uma mistura de temáticas que provém tanto dooperaísmo italiano e dos movimentos dos não assalariados, bem como do movimento anti-colonial, dos direitos civis e do
Black Power 
nos Estados Unidos. Com o operaísmo italianoaprendi o papel da luta de classes como motor de desenvolvimento capitalista e a importânciado salário como instrumento político e como modo de organizar a sociedade. Com os
1
Movimento politico neo-marxista anti-autoritário, nascido em Itália nos anos 60, propõe a refundação domovimento operário e da esquerda
 
2
movimentos anti-coloniais e com o
Black Power 
aprendi o significado do trabalho nãocontratual e do não assalariado dentro do capitalismo. A minha reflexão sobre a dimensãopolítica da relação salarial foi um tema central em
Caliban and the Witch: Women, the Body and Primitive Accumulation
. Isto permitiu-me ver que, através do salário e da falta do mesmo, seconstruíram hierarquias dentro do proletariado mundial, que uma imensa quantidade detrabalho não remunerado foi extraído dos não assalariados e que muitas formas de exploraçãoforam consideradas como sendo totalmente normais.Nos anos 70 fui ainda influenciada pelo National Welfare Rights Movement (NWRO), ummovimento de mulheres, na sua maioria negras, que lutava para obter subvenções estataispara os seus filhos. Para nós era um movimento feminista, uma vez que essas mulheresqueriam demonstrar que o trabalho doméstico e o cuidado com os filhos são trabalhos sociais,dos quais todos os empregadores beneficiam e, também, que o estado tem obrigações nareprodução social. Na campanha para o salário no trabalho doméstico temos traçado,constantemente, uma conexão entre o trabalho doméstico e o
welfare
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que, naquele período,estava a começar a ser muito atacado.O nosso principal objectivo era demonstrar que o trabalho doméstico não é um serviçopessoal/familiar mas sim uma verdadeira actividade, pois sustenta todas as outras formas detrabalho ao produzir a própria força de trabalho. Fizemos conferências, eventos, manifestações,sempre com a ideia de fazer ver o trabalho doméstico num sentido amplo: na sua implicaçãocom a sexualidade, na relação com os filhos e sempre apontando os factores de fundo nanecessidade de alterar o conceito de reprodução e de colocar a questão de reprodução nocentro do trabalho político. Por essa ocasião e
screvi um texto que se chamava “Salário etrabalho doméstico contra o trabalho doméstico”,
afim de demonstrar que, para nós, a luta porum salário era a luta contra a ideia de que o trabalho doméstico é natural enquanto trabalhofeminino. Reivindicar que esse labor/actividade seja pago foi romper com muitas mentiras, commuita mistificação. Que se veja essa realidade enquanto trabalho não remunerado e enquantoprodução da força de trabalho foi importantíssimo.
2
Em inglês no original; welfare enquanto estado social ou que presta assistência social 

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