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HOMO SPIRITUALIS
Centro de Cultura e Educação Espiritualista
Educação, Saúde e Espiritualidade a partir de um enfoque transpessoal
 Adilson Marques - Doutor em Educação/USPPalestra apresentada pela primeira vez na ONG Círculo de São Francisco, na cidade de SãoCarlos/SP, em outubro de 2003, dentro do projeto
Quintessência
.Texto original revisto e ampliado em novembro de 2008.
 
Introdução
A chamada Psicologia Transpessoal vem se consolidando como a “quarta força” nomeio psicológico, ao lado da abordagem comportamentalista, da psicanálise e da humanista(da qual deriva). Lentamente, os estudos transdisciplinares de RHINE, GROF, MASLOW,CAPRA, entre outros, são estudados com seriedade e se constituem em um novo ramo de pesquisa acadêmica.As investigações sobre o inconsciente e o imaginário são as que mais podem se beneficiar com a Psicologia Transpessoal, que possibilita ao cenário acadêmico abarcar novos fenômenos antes execrados pelas correntes tradicionais. Nos EUA, estes pesquisadores, desde a década de 1960, vêm se debruçando sobreas filosofias orientais e suas práticas meditativas para compreender fenômenosincompreensíveis à mentalidade cartesiana ocidental: a reencarnação, a vida após a morte eos estados ampliados de consciência. No Brasil, a rica literatura mediúnica e a fenomenologia espirítica e umbandística, por exemplo, gradativamente se tornam recursos obrigatórios de pesquisa para quem desejacompreender o homem e a mulher holísticos. Somados as Terapias orientais como o TaiChi, a Meditação (budista, veda, zen etc.) o Yoga, o Reiki, entre outras práticas estudadasou praticadas por psicólogos transpessoais, o arcabouço teórico e doutrinário das religiõesmedianímicas brasileiras enriquecem este campo da pesquisa, ajudando a compreender adimensão espiritual humana.A Psicologia Transpessoal contribui para a desconstrução das teorias materialistasda predominância genética na condição das doenças e enfermidades mentais e outrosfenômenos. Assim, o
 self 
(alma), o corpo bioplásmico (o
corpo astral 
dos esotéricos ou
 perispírito
dos espiritistas e umbandistas) e o corpo físico estudado em sua plenitudenecessitam de um outro olhar, um outro paradigma. O paradigma clássico que estrutura ascorrentes materialistas das escolas psicológicas tradicionais não consegue explicar osfenômenos mediúnicos como a clarividência, as ectoplasmias, a psicografia, entre outros,reduzindo tudo a regressões mentais ou patologias. Somente um paradigma que possibilite
 
abarcar o ser humano em sua estrutura física, psíquica e transcendental será capaz de trazer respostas convincentes para estes fenômenos humanos, conhecidos e vividos desde a pré-história.
A questão paradigmática
Para Jean-François LYOTARD, a pós-modernidade caracteriza-se pela crise dosrelatos, ou seja, pela transformação do pensamento do homem em relação à existência deuma Verdade, caracterizada por um tipo específico de linguagem. Sua obra transcende osdomínios da filosofia e refletem, por exemplo, na do sociólogo português Boaventura deSouza SANTOS. Sua contribuição também pode ser pensada tendo em vista a constituiçãode uma
ciência com consciência
(MORIN, 1990). O conceito de pós-modernidade nos possibilita elucidativas reflexões no âmbito sócio-educacional e acadêmico. No seu famoso texto
O pós moderno
, podemos compreender que a Modernidade pode ser caracterizada pela pretensão de instituir o conhecimento científico como o únicosaber capaz de orientar o homem em todos os domínios da vida social. Nela estariamcontextualizados os metadiscursos de “pretensões atemporais e univeralizantes”. Podemosrelacionar tal pretensão da modernidade como fruto das imagens que Gilbert DURAND(1997) chamou de
diairéticas
e que são típicas das “estruturas heróicas do imaginário”, ecapazes de estimular uma mentalidade e um comportamento egocêntrico, esquizomórfico e“monárquico” nos especialistas, pois estes devem apresentar uma postura diferente – esuperior – em relação à maioria das pessoas que compreendem o mundo através de “pré-conceitos” teológicos ou do senso comum.Com essas regras básicas, o conhecimento (ou o saber científico), ao ser construído,deveria adquirir uma materialidade própria e o cientista, por sua vez, passaria a ser “objetivado”, ou seja, tornar-se-ia anônimo, tornando o produto do saber científicosocialmente compartilhado, por exemplo, através da didática ou dos manuais de divulgaçãocientífica, separado e alienado de seu criador.
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