Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
4Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Art 053

Art 053

Ratings:

5.0

(2)
|Views: 140 |Likes:
Published by Ut Juris

More info:

Published by: Ut Juris on Jul 20, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/15/2014

pdf

text

original

 
 Emoção e Paixão - Embriaguez no Direito Penal 1. Introdução. A proposta do presente trabalho é traçar um melhor entendimento sobre os temas que nosforam propostos para análise e aperfeiçoamento da área. Através deste estudo, sem pretensãode aprofundar nos temas, mostrar a importância dos mesmos para a sociedade; mostrar que osdireitos estão inseridos em nosso ordenamento jurídico e que, a aplicação correta depende deuma conduta ética dos aplicadores e receptores da lei. 2. A emoção e a paixão. Emoção é um sentimento súbito; é uma viva excitação do sentimento que toma de assaltoa pessoa, tal e qual um vendaval. É uma forte e transitória perturbação da afetividade a que estãoligadas certas variações somáticas ou modificações particulares das funções da vida orgânica, ouseja, fugaz, efêmero, passageiro, esvaindo-se com a mesma rapidez. A paixão é a emoção em estado crônico, é um sentimento lento, que, se vai cristalizandopaulatinamente na alma humana até alojar-se de forma definitiva (amor, ódio, vingança,fanatismo, desrespeito, avareza, ambição, ciúme etc.). Enquanto a emoção é passageira, apaixão é duradoura. Emoção e paixão praticamente se confundem, embora haja pequena diferença entreambas e esta se origine naquela. “Emoção é como uma torrente que rompe o dique dacontinência, enquanto a paixão é o charco que cava o próprio leito, infiltrando-se, paulatinamenteno solo”, como dizia Kant. A emoção dá e passa, enquanto a paixão permanece, alimentando-senas suas próprias entranhas. Alguns pensadores chegam a situar a paixão, pelas suascaracterísticas emocionais, entre a emoção e a loucura. É extremamente difícil distinguir, com segurança, emoção e paixão, uma vez que nãoapresentam diversidades de natureza ou de grau, pois esta nasce daquela, e , assim como há
http://www.utjuris.net
 
paixões violentas e emoções calmas, o inverso também é verdadeiro, embora se diga que aemoção é aguda e a paixão é crônica (Mirabete). A única diferença que se pode afirmar comcerteza é que a emoção é passageira e a paixão é duradoura. No entanto, nem uma, nem outra excluem a imputabilidade, uma vez que o nosso CódigoPenal adotou o sistema biopsicológico, sendo necessário que a causa dirimente (excludente daculpabilidade) esteja prevista em lei, o que não é o caso nem da emoção, nem da paixão (CP, art.28, I). Embora a emoção ou a paixão não afastem a imputabilidade penal, em várias se suaspassagens, o Código Penal valorou tais sentimentos, seja para diminuir ou mesmo para aumentara pena aplicada, a exemplo do art. 65, III, c, última parte, que prevê como circunstância legalgenérica, denominados atenuante, o fato de ter o agente cometido o crime sob a influência de“violenta emoção”, provocada por ato injusto da vítima. No homicídio privilegiado, o juiz podereduzir a pena de um 1/6 a 1/3 quando o agente comete o crime sob “violenta emoção” (incluindoa paixão, usando a analogia in bonam partem), logo em seguida a injusta provocação da vítima.Diferem as duas circunstâncias (genérica e específica), pois a primeira se contenta com ainfluência da emoção ou paixão, enquanto a segunda exige que o fato seja praticado sob odomínio desses estados. Na lesão corporal, o legislador prevê diminuição da pena quando o fatoé cometido pelo agente sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocaçãoda vítima (art. 129, § 4º). Sendo assim, a emoção como causa minorante pode funcionar como causa específica dediminuição de pena (privilégio) no homicídio doloso e nas lesões corporais dolosas, mas, paraisso, exige quatro requisitos: a) deve ser violenta; b) o agente deve estar sob o domínio dessa emoção, e não mera influência; c) a emoção deve ter sido provocada por um ato injusto da vítima; d) a reação do agente deve ser logo em seguida a essa provocação (CP, arts. 121, § 1º, e 129, §4º). José Frederico Marques, diz que, se a emoção ou a paixão tiverem caráter patológico, a hipóteseenquadrar-se-á no art. 26, caput (doença mental). Galdino Siqueira, invocando as lições de Krafft-Ebing, acentua que “as paixões, pertencendo aodomínio da vida fisiológica, apresentam, quando profundas, perturbações físicas e psíquicasnotáveis, das mesmas se ressentimento a consciência; isto, porém, não pode implicar nairresponsabilidade, porquanto o direito penal não deve deixar impunes os atos cometidos em um
 
estado passional, pois esses atos constituem frequentemente delitos graves. O efeito perturbadorda paixão no mecanismo psíquico pode reduzir a capacidade de resistência psíquica, constituídapor representações éticas e jurídicas, a grau inferior ao estado normal... os atos passionais quedevem ser recomendados à indulgência do juiz são os devidos a um amor desgraçado(assassínio da pessoa amada, com tentativa de suicídio), ao ciúme (assassínio por amordesprezado ou enganado), à necessidade e ao desespero (assassínio de mulher e filhos, noextremo de uma luta improfícua pela vida)”. Entendemos que somente a paixão que transforme agente em um doente mental, retirando-lhe acapacidade de compreensão, pode influir na culpabilidade. Mesmo nas hipóteses de ciúmedoentio e desespero, se não há doença mental, não se pode criar um nova causa excludente daimputabilidade. A não influência da emoção e da paixão sobre imputabilidade nada tem que ver com a teoria daactio libera in causa, tratando-se de medida de política criminal, tal como acontece no erro deproibição (o qual estudaremos mais adiante). Como ensinava Aníbal Bruno, com muito menosrazão ainda do que em relação à embriaguez voluntária ou culposa, aplicar-se-ia à emoção oupaixão o princípio da actio libera in causa. Ninguém procura voluntária ou culposamente entrarem estado emocional. Não é possível equiparar esse estado ao de inimputabilidade provocadadolosa ou imprudentemente pelo sujeito, para a prática de um crime. 3. “Actio Libera in Causa”.A imputabilidade deve existir ao tempo da prática do fato (ação ou omissão), de modo quenão cabe uma imputabilidade subseqüente. Se o agente, por exemplo, praticou o fato ao tempoem que não tinha capacidade de compreensão e de determinação por causa de uma doençamental, não será considerado imputável se após a ocorrência readquirir a normalidade psíquica.É possível também o caso de a doença sobrevir à prática da conduta punível. Neste caso, oagente não será considerado inimputável, suspendendo-se a ação penal até que se restabeleça(art. 152 CPP). Pode ocorrer o caso de o agente colocar-se propositadamente em situação deinimputabilidade para a realização da conduta punível. É célebre a hipótese de sujeito que seembriaga voluntariamente para cometer o crime, encontrando-se em estado de inimputabilidadeno momento se execução (ação ou omissão). A doutrina se refere também ao fato do guarda-chaves que, pretendendo causar em desastre ferroviário, embriaga-se e, no momento dapassagem do trem, devido ao estado de inconsciência, deixa de combinar os binários. Surge a questão das actiones liberae in causa, sive ad libertatem relatae (ações livres emsua causa, relacionada com a liberdade), ou simplesmente actio libera in causa. São casos de

Activity (4)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 thousand reads
1 hundred reads
lindinalves liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->