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Habermas

Habermas

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"O ESPAÇO PÚBLICO", 30 ANOS DEPOIS*Jürgen HabermasEste texto constitui o prefácio, redigido por Jürgen Habermas em 1990, da 17a edição alemã de "OEspaço Público" (cuja primeira edição data de 1962). Sua publicação foi autorizada pelo autor e suaeditora Suhrkamp Verlag. A tradução foi feita por Felipe Chanial, em colaboração com TobiasStraumarn. Nós agradecemos a Werner Ackerman, que de boa vontade releu o conjunto, assim como aDany Trom e Laurence Allard por seus conselhos.A questão desta reedição se colocou por ocasião de circunstâncias exteriores. A venda da editora Luchtrhand,que encorajou minhas primeiras obras, tomou necessária a troca de editor.Por mais que eu tentasse, quando relia este livro 30 anos depois, fazer modificações, apagar, reajuntar, mais eu percebia a impossibilidade de tal procedimento: a primeira intervenção obrigaria-me a explicar porque eu nãohavia remanejado totalmente o conjunto da obra. Isto teria ultrapassado em muito as forças desse autor que,neste meio tempo, dirigiu-se para outras coisas e que não continuou no pico da literatura de pesquisa da qualderivou a obra. Desde o principio de sua elaboração, meu trabalho repousava sobre a síntese de uma fusão,sofridamente dominada, de contribuições provenientes de numerosas disciplinas.Duas razões podem justificar a decisão de publicar uma versão inalterada da 1
a
edição, hoje em dia esgotada.Por um lado, a demanda constante de um livro que se introduziu em diversos ciclos de estudo como um tipo demanual; de outro, a atualidade das transformações estruturais da esfera pública oferecida aos nossos olhos, pelas“revoluções de reciclagem” na Europa Central e do Leste(1).Em favor da atualidade deste tema –e de um tratamento do mesmo, rico em múltiplas perspectivas– testemunhaa recepção recente da obra nos EUA, que, somente no ano passado, foi objeto de uma tradução inglesa (2-3).Eu adoraria aproveitar a ocasião desta reedição para oferecer comentários que deverão menos ultrapassar oafastamento de uma geração, do que clareá-lo. Depois do seu período de elaboração, nos anos 50 e inicio dosanos 60, pesquisas e questões teóricas foram evidentemente modificadas; modificou-se depois do fim do regimede Adenauer o contexto extracientifico do horizonte da experiência contemporânea, a partir do qual as ciênciassociais estabelecem sua perspectiva; modificou-se, finalmente, minha própria teoria, no entanto, menos nos seustraços principais que no seu grau de complexidade. Após me submeter à primeira impressão, seguramentesuperficial, sobre os domínios pertinentes da pesquisa, eu desejaria lembrar das modificações de uma maneira pelo menos ilustrativa – e para estimular as pesquisas ulteriores. Eu seguiria desta forma, a estrutura da obra: eume demoraria, a principio, sobre a formação histórica e sobre o conceito de esfera pública burguesa ( I a III),depois sobre a transformação da esfera pública sob o duplo aspecto da transformação do Estado do Bem Estar Social e da mutação das estruturas comunicacionais produzidas pelas mídias (V e VI). Eu discutiria em seguidaa perspectiva teórica da análise e de suas implicações normativas (IV e VII); Eu me interessaria, neste sentido, pela contribuição que o presente estudo pudesse trazer às questões atuais novamente pertinentes, abordadas pela
 
teoria da Democracia. É sob este aspecto que a obra foi antes de tudo recebida, menos quando da sua primeiraaparição, que no contexto da revolta estudantil e da reação neo-conservadora que ela provocou. Esta questão foitratada, na ocasião, de maneira polêmica tanto pela esquerda quanto pela direita.I – A FORMAÇÃO HISTÓRICA E O CONCEITO DE ESFERA PÚBLICA BURGUESA1 — Como se pode perceber no prefácio da primeira edição, eu me fixei como primeiro objetivo entender o tipoideal da esfera pública burguesa a partir dos contextos históricos próprios ao desenvolvimento inglês, francês ealemão no sec. XVIII e início do XIX.A elaboração de um conceito inscrito em um período histórico especifico exige sublinhar, estilizando-os, certostraços característicos de uma realidade social muito mais complexa. Como em toda generalização sociológica, aseleção, a pertinência estatística e a avaliação das tendências e dos exemplos históricos constituem um problemaque comporta riscos importantes, sobretudo quando não se tem recursos às fontes como o historiador, e que seapoia muito sobre uma literatura de segunda mão.Pelo lado dos historiadores, reprovaram-me e com razão, as "lacunas empíricas". O julgamento amigável de G.Eley me oferece um ligeiro apaziguamento. Ele constata em sua contribuição, detalhada e precisamentedocumentada, na conferência mencionada: "relendo a obra... é flagrante ver a que ponto, sob uma forma muitosólida e mesmo imaginativa, o argumento é historicamente fundado, dando a dimensão do pouco valor daliteratura então disponível".A síntese de H. U. Wehler, que se apoia sobre uma importante literatura, confirma as teses centrais de minhaanálise. Na Alemanha, se formou "uma esfera pública crítica de discussão de dimensão restrita" (6) até o fimdo séc. XVIII. Com um público generalizado de leitores, composto sobretudo por cidadãos burgueses, queultrapassaram o círculo de eruditos, e que de tanto ler e reler intensivamente somente algumas obras clássicas,adapta doravante seus hábitos de leitura às novas publicações que aparecem forma-se quase que unicamente noseio da esfera privada uma rede relativamente densa de comunicação pública. Ao crescimento súbito do númerode leitores corresponde uma produção consideravelmente ampliada de obras, de revistas e jornais, um aumentodo número de autores, de editoras e de livrarias, a criação de bibliotecas de empréstimo e de cabines de leitura,sobretudo de sociedades de leitura, como tanto outros pontos de junção social de uma nova cultura da leitura.Desde a publicação da obra , aceita-se também a importância das associações que nascem na época das Luzestardias alemãs; elas recebem uma significação indicativa do futuro mais através de suas formas de organizaçãodo que pelas suas funções manifestas(7). As sociedades das Luzes, os círculos de educação, as sociedadessecretas dos franco-maçons e as ordens dos iluminados eram associações que se constituíam por decisões livres,quer dizer, privadas, de seus fundadores e que somente recrutavam seus membros sob a base do voluntariado e praticavam em seu seio formas de comunicação igualitárias, a liberdade de discussão, as decisões majoritárias,etc... Nessas sociedades, que se compunham com certeza, exclusivamente de burgueses, podiam se exercer os princípios de igualdade política de uma sociedade futura (8).
 
A revolução francesa tornou-se então catalisadora de um movimento de politização de uma esfera pública antesde tudo impregnada de literatura e de crítica da arte. Isto não é verdadeiro somente para a França, masigualmente para a Alemanha (9). Uma politização da vida social, a emergência da imprensa de opinião, a lutacontra a censura e pela liberdade de opinião caracterizam a transformação da função da rede de comunicação pública em plena expansão até meados do séc. XIX (10). A política de censura, pela qual a Confederação dosEstados Alemães se defende contra a institucionalização, retardada até 1848, de uma esfera pública política, nãofaz senão entusiasmar ainda mais a literatura e a crítica de arte na contracorrente da politização. Peter U.Hohendahl utiliza meu conceito de esfera pública para seguir este processo em detalhes; no entanto, ele já percebia no insucesso da revolução de 1848 uma cisão na mutação estrutural de uma esfera pública pré-liberalque começava a se instaurar (11).G. Eley volta sua atenção para as novas pesquisas sobre história social inglesa que se integra bem no quadroteórico proposto na análise da esfera pública. Na verdade, estas estudam o processo de formação de classes, deurbanização, de mobilização cultural e de emergência de novas estruturas de comunicação pública na linha das"voluntary associations" que se constituem no sec. XVIII (12) e do "popular liberalismo" na Inglaterra do séc.XIX (13). No que concerne às transformações de uma esfera pública inicialmente influenciada pela instrução burguesa e a literatura, exercendo sua razão sobre a cultura, em uma esfera dominada pelas mídias e a cultura demassa, as pesquisas em sociologia da comunicação de R. Williams são particularmente esclarecedoras (14).Eley reitera, e ao mesmo tempo justifica, a objeção segundo a qual minha sistematização da noção de esfera pública burguesa conduziam a uma idealização injustificada e, não somente, a acentuar fortemente ascaracterísticas racionais de uma comunicação pública mediatizada pela leitura e orientada para a discussão.Mesmo se partimos do ponto de vista de uma certa homogeneidade do público burguês que poderia ver nointeresse de classe comum – tão fracionado ele estava – o fundamento de um consenso acessível, pelo menos em princípio, para as lutas entre partidos, é errôneo empregar o termo público no singular. Abstração feita por diferenciações internas ao público burguês que podem ser operadas no seio mesmo do meu modelo modificandoos centros de observação, se levarmos em consideração desde o início uma pluralidade de esferas públicasconcorrentes e se, além disso, levarmos em conta a dinâmica do processo de comunicação que são exclusivos daesfera pública dominante, toda uma outra imagem se forma.2 — Pode-se falar em exclusão no sentido de Foucault, uma vez que se trata de grupos cujo papel é constitutivona formação de uma esfera pública específica. Exclusão recebe um sentido diferente, menos radical, quandovárias arenas se formam ao mesmo tempo no seio das mesmas estruturas de comunicação, nas quais, ao lado daesfera pública burguesa hegemônica, se apresentam outras esferas públicas subculturais ou particulares àsclasses, sob premissas próprias e que não são imediatamente suscetíveis de compromisso. Eu não considerei emminha obra o primeiro caso e ainda que eu tenha mencionado o segundo em meu prefácio, eu não o tratei.Em referência à fase jacobina da Revolução Francesa e do movimento cartista, eu falei de um esboço de esfera pública plebéia, e acreditei poder negligenciar esta variante da esfera pública que foi reprimida no curso do processo histórico. Mas, no decorrer da obra de E. P. Thompson "A Formação da Classe Operária Inglesa" (15),

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