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Fotografia e Direitos de Autor 
© Mário Pereira/2006 1
É Domingo, madrugada... saímos para o Sado com oobjectivo de ver golfinhos. O Mestre António tem o barco àespera. O sol começa a nascer... mais algumas voltas e elesaí estão! São tão bonitos e colaborantes… parecem posar para a foto.De repente, eis que surge um, num perfeito contraluz, com oseu “pequeno-almoço” na boca…
“click!”…
E depois deste gesto? Que direitos assistem a quem captou a imagem? Como se pode proteger esta imagemúnica? É o que sinteticamente procuraremos ver ao longo deste texto.
Obra original e protegida
Depois do clique, o negativo ou o cartão de memória guardam algo precioso que pode constituir um bem apreservar especialmente, embora as imagens apenas gozem de protecção após a sua exteriorização(revelação, impressão ou outra): só após esta fase a lei confere protecção à fotografia independentemente dasua divulgação, publicação, utilização ou exploração. É por isso que, por exemplo, os laboratóriosfotográficos, em geral, apenas se alegam na obrigação de fornecer ao autor/fotógrafo igual quantidade denegativo no caso de o que foi entregue para revelação se perder ou estragar.Esta ideia decorre logo do previsto no Artigo 1.º (Definição) do Código dos Direitos de Autor (CDA):
“Consideram-se obras as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo
exteriorizadas
, que, como tais, são protegidas nos termos deste Código, incluindo-se nessa protecção os direitos dosrespectivos autores” 
Pode entender-se então que se uma obra não chegou a ser “exteriorizada” (no caso, revelada), não podegozar de protecção. O que não significa que não haja direito a indemnização, mas isso é outra questão:trata-se de danos morais ou materiais comprováveis.A este respeito, vejamos o Decreto-Lei n.º 446/85, de 25 de Outubro, que regula as chamadas “CláusulasContratuais Gerais”. O artigo 18.º diz:
“São em absoluto proibidas, designadamente, as cláusulas contratuais gerais que:a) Excluam ou limitem, de modo directo ou indirecto, a responsabilidade por danos causados à vida, à integridademoral ou física, ou à saúde das pessoas;b) Excluam ou limitem, de modo directo ou indirecto, a responsabilidade por danos patrimoniais extracontratuais,causados na esfera da contraparte ou de terceiros;c) Excluam ou limitem, de modo directo ou indirecto, a responsabilidade por não cumprimento definitivo, mora ou cumprimento defeituoso, em caso de dolo ou de culpa grave;d) Excluam ou limitem, de modo directo ou indirecto, a responsabilidade por actos de representantes ou auxiliares,em caso de dolo ou de culpa grave;(…)h) Excluam a faculdade de compensação, quando admitida na lei;(…)
 
Fotografia e Direitos de Autor 
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Assim, se um laboratório alega que apenas pode devolver o filme e isso está traduzido em contrato (por exemplo nas saquetas do laboratório), sendo isso contrário ao referido diploma, não tem sustentação. Istonão quer dizer que não avancem logo com a ideia de que apenas podem substituir o negativo usado por igualmetragem de filme.Passemos à obrigação de indemnizar. Os laboratórios constituem-se na obrigação de indemnizar por danosmorais e materiais comprováveis, nos termos gerais do Código Civil. Naturalmente, o problema coloca-se aquanto à prova. Como provar que as imagens (potenciais, ainda não reveladas) contidas no rolo são as dadeslocação ao Pólo Sul e não as do aniversário do animal de estimação? E como provar que, mesmo estasúltimas, não têm um valor inestimável por qualquer motivo razoável?A este propósito, mais adequado que os tribunais, poderão ser as associações de defesa do consumidor ouos centros de arbitragem de conflitos de consumo, se a situação ocorrer numa área que esteja por estesabrangida.
O direito de autor em geral
O direito de autor abrange os chamados “direitos de carácter patrimonial” e os “direitos de natureza pessoal”ou “direitos morais”. No âmbito dos
direitos de carácter patrimonial
o fotógrafo tem o direito exclusivo dedispor da sua obra. Independentemente dos direitos patrimoniais, e mesmo depois da transmissão ouextinção destes, o autor goza de
direitos morais
sobre a sua obra, designadamente o direito de reivindicar arespectiva paternidade e assegurar a sua genuinidade e integridade, opondo-se à sua destruição e, de ummodo geral, a todo e qualquer acto que a desvirtue e possa afectar a sua honra e reputação. Este direito éinalienável, irrenunciável e não prescreve.O direito de autor pertence ao fotógrafo, salvo disposição expressa em contrário e é reconhecidoindependentemente de registo, depósito ou qualquer outra formalidade. Este pode delegar em associações eorganismos nacionais ou estrangeiros constituídos para gestão do direito de autor a sua representaçãoperante terceiros.Em Portugal existe a Sociedade Portuguesa de Autores “associação criada sob a forma de cooperativa com avocação de satisfazer, sem fins lucrativos, as necessidades culturais, económicas e sociais dos seusmembros e administrar em representação destes e bem assim dos seus membros de associações,organismos ou outras entidades estrangeiras, as obras intelectuais de cujos direitos autorais sejam titulares”.Contudo, e para as obras inéditas, a própria SPA recomenda que os autores ou titulares de direitos autoraisprocedam também ao seu registo, contactando para o efeitos a Inspecção Geral das Actividades Culturais.O direito de autor sobre obra fotográfica ou obtida por qualquer processo análogo ao da fotografia, caduca,na falta de disposição especial, 70 anos após a morte do criador intelectual, mesmo que a obra só tenha sidopublicada ou divulgada postumamente e esta cai no
domínio público
.A simples
autorização concedida a terceiro
para divulgar, publicar, utilizar ou explorar a obra por qualquer processo não implica transmissão do direito de autor sobre ela. Esta autorização só pode ser concedida por escrito, presumindo-se que implica uma retribuição e o seu carácter não exclusivo. Da autorização escrita
 
Fotografia e Direitos de Autor 
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devem constar obrigatória e especificadamente a forma autorizada de divulgação, publicação e utilização,bem como as respectivas condições de tempo, lugar e preço. A transmissão total e definitiva do conteúdopatrimonial do direito de autor só pode ser efectuada por escritura pública, com identificação da obra eindicação do preço respectivo, sob pena de nulidade.Não são admitidas
modificações da obra
sem o consentimento do autor, mesmo naqueles casos em que,sem esse consentimento, a utilização da obra seja lícita, excepto em colectâneas destinadas ao ensino.É lícita, embora obedecendo a certos requisitos (art. 75.º do CDA), por exemplo:a) A reprodução, distribuição e disponibilização pública, para fins de ensino e educação, de partes deuma obra publicada, contanto que se destinem exclusivamente aos objectivos do ensino nessesestabelecimentos e não tenham por objectivo a obtenção de uma vantagem económica ou comercial,directa ou indirectab) A inclusão de peças curtas ou fragmentos de obras alheias em obras próprias destinadas ao ensino;c) A utilização de obra para efeitos de publicidade relacionada com a exibição pública ou venda deobras artísticas, na medida em que tal seja necessário para promover o acontecimento, comexclusão de qualquer outra utilização comercial.A este respeito, convém ver o art. 76.º, o qual refere as obrigações que limitam esta utilização. A utilizaçãolivre deve ser acompanhada da indicação, sempre que possível, do nome do autor e do editor, do título daobra e demais circunstâncias que os identifiquem. As obras reproduzidas ou citadas não se devem confundir com a obra de quem as utilize, nem a reprodução ou citação podem ser tão extensas que prejudiquem ointeresse por aquelas obras.
 
A protecção da fotografia
Nesta matéria regulam em especial os artigos 164.º a 168.º do CDA.
Para que a fotografia seja protegida
é necessário que pela escolha do seu objecto ou pelas condições dasua execução possa considerar-se como criação artística pessoal do fotógrafo. Isto significa que é o olhar dofotógrafo sobre um dado tema que torna o resultado captado único e diferente de quaisquer outros.O autor da fotografia tem o direito exclusivo de a reproduzir, difundir e pôr à venda. Existem, porém,restrições:a) Referentes à exposição, reprodução e venda de retratos.b) Os direitos de autor sobre a obra reproduzida, no que respeita às fotografias de obras de artesfigurativas.Quando publicada, a fotografia deve conter as seguintes indicações:a) Nome do fotógrafo;b) Em fotografias de obras de artes figurativas, o nome do autor da obra fotografada.
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