J. Coelho dos Santos O Direito Aéreo e a Aeronáutica Militar
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1. INTRODUÇÃO
É da assunção internacional de que o território de um Estado tem uma tripla
dimensão, terrestre, marítima e aérea, posição que resulta do reconhecimento da extensão
da soberania nacional no sentido vertical, dando lugar à formação do conceito de
«Estado-volume» em oposição ao de «Estado-superfície», consequentemente, surge um
complexo normativo de formação internacional e interna, que se designa de Direito
Aéreo.
O unânime reconhecimento de que entre as necessidades fundamentais de
qualquer colectividade política se encontra a segurança, faz com que se entenda que a
protecção do Estado em sentido vertical merece a tutela do direito. Esta posição introduz
um complexo de interesses conflituantes de cariz internacional, derivados das
características do espaço aéreo, elemento de relação universal e comum a todas as Nações.Constatação que implica se indique o tráfego aéreo como elemento de relação social que
não conhece obstáculos geográficos e que, revolucionando os conceitos de tempo e de
distância, permite o intercâmbio de bens entre os diferentes mercados mundiais por mais
longínquos que sejam e sem que entre os Estados seja necessário existirem fronteiras
comuns ou vias marítimas de comunicação. Esta é a perspectiva política do problema.
Dum ponto de vista meramente jurídico a questão apresenta-se como um
autêntico conflito de interesses entre o Estado e o desenvolvimento da aviação, opondo--
se a necessidade de limitar a penetração na camada aérea sobrejacente ao território
estadual - que representa uma violação dos seus indiscutíveis direitos de soberania - à
impossibilidade de estabelecer fronteiras aéreas invioláveis, paralisantes da aviação.Na resolução deste conflito de interesses está a história do antagonismo entre três
doutrinas: a de que o espaço aéreo é livre, a de que o espaço aéreo está submetido à
soberania do Estado subjacente e, uma terceira tese ecléctica, que parte do pressuposto deque o radicalismo das anteriores é de abandonar por implicarem o gravoso prejuízo parainteresses fundamentais - a segurança dos Estados e o desenvolvimento da aviação civilinternacional, respectivamente -, surgindo, conforme parte de um ou outro princípio, com
duas formulações: a da liberdade com as limitações decorrentes do legítimo direito de
defesa dos Estados subjacentes e a da soberania com limitações que promovam o tráfegointernacional, sem que seja diminuída a segurança do Estado subjacente. Entende-se ser
estaúltima formulação da tese ecléctica que se encontra consagrada no Direito
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