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NEVES_2006_Museus Para Todos

NEVES_2006_Museus Para Todos

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 Museus Acessíveis… museus para todos?!
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 Josélia Neves
Instituto Politécnico de Leiria joselia@esel.ipleiria.pt 
O século XXI nasceu sob o signo da acessibilidade. As leis são mais explícitas na imposição do direitobásico à igualdade; surgem directivas que se apresentam com o título de “… para todos”; e tomam-semedidas, aqui e ali, de forma a criar condições de acesso para pessoas com deficiência. Embora os passossejam lentos e tímidos, o movimento sente-se: fala-se no direito a iguais oportunidades, à nãodiscriminação, à integração no mundo do trabalho; Preconiza-se a inserção social e reivindica-se o direitoà educação, informação, cultura e lazer.É neste contexto que se aborda o acesso à informação e à cultura em situação museológica e que, à luz daliteratura da especialidade e à análise das práticas vigentes em Portugal, se propõem acções concretaspara a criação de museus mais acessíveis, para visitantes com limitações motoras e sensoriais.Neste artigo apresentar-se-ão os parâmetros a ter em conta quando se tem por objectivo criar condições deacesso para todos -
incluindo
pessoas deficientes - partindo da análise de quatro domínios principais deacesso: divulgação, mobilidade, conforto e experiência.KEYWORDS: Museus – acessibilidades – deficiência – inclusão
Qualquer abordagem ao assunto da criação de condições de acesso a museus que queiraser consentânea com o espírito que preside a este novo século terá de clarificar, no seuponto de partida, os conceitos que assume como premissas basilares.Em primeiro lugar, e no contexto deste trabalho, essencialmente direccionado para adiscussão de condições de acesso a museus por parte de pessoas com deficiência,assume-se “deficiência” como “diferença”, imposta por uma condição de desvantagemem relação à maioria das pessoas. Essa desvantagem poderá resultar de razões físicas,mentais ou sensoriais, de carácter transitório ou permanente, com grau de incapacidadelimitativo da total autonomia do sujeito, levando a que necessite de condições especiaispara que se sinta completamente integrado na comunidade em que se insere. Desta feita,na sua singularidade, tais pessoas serão vistas de forma integrada, pois partilharão a suacondição com outras formas de diferenciação, igualmente marcadas pela necessidade decondições especiais, socialmente identificadas por parâmetros com conotações (mais oumenos positivas ou negativas), como sendo a idade (ex. crianças, idosos), o estado (ex.grávidas), a constituição física (ex. obesos, anões), a condição social (ex. carenciados,analfabetos), a língua (ex. estrangeiros), a condição de permanência no território (ex.
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Comunicação apresentada no
Congresso de Turismo Cultural, Territórios e Identidade. Projecto de Investigação Identidade(s) e Diversidade(s).
Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico deLeiria. Leiria, 29-30 Outubro 2006.
 
 
 2nacional, imigrante ou turista), entre outros. Esta premissa pretende realçar uma noçãode total inclusão que assuma a deficiência como apenas mais um factor de diferenciaçãoque não exige medidas excepcionais, mas sim uma atitude que faça mesmo esbaterpossíveis marcas da discriminação positiva. Tal atinge-se implementando um outroconceito: o de “para todos”. Desenhar para todos significa encontrar soluções que sejamúteis a todos,
incluindo
os deficientes, assumindo a convicção de que ao integrar estespúblicos especiais estaremos a criar melhores condições para todas as outras pessoasque, embora menos marcadas pela diferença, são, na sua essência, também únicas,diferentes e especiais, e que irão igualmente usufruir de tais condições especiais.Apesar de assumir uma perspectiva de integração holística, haverá necessidade defocalizar o grupo específico que esteve na origem desta reflexão: as pessoas comdeficiência. De acordo com estudos da Eurostat
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a grande Europa tem uma populaçãodeficiente de 50 milhões, i.e. 14,5% da população europeia (chegando a 25% nos novosestados), apresenta condicionalismos impeditivos de uma vida “normal”. No contextoportuguês, e de acordo com os censos 2001, teremos uma população deficiente de cercade 636 059 (cerca de 10% da população portuguesa), número que se considera poucoobjectivo se tivermos em conta que estamos perante uma sociedade envelhecida e que adeficiência ainda é estigmatizada a nível social, levando a que seja “escondida” porpreconceito. Se a este factor se acrescer o envelhecimento como potenciador dedeficiência e invalidez
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, e se tivermos em conta que, reflectindo a tendência europeia
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,em Portugal, em 2001, existiam 1 693 493 pessoas com mais de 65 anos (dados dosúltimos censos), será de considerar que cerca de um terço da população portuguesa seencontra entre o grupo de pessoas com necessidades especiais.Se transpusermos estes dados para o contexto dos potenciais utilizadores de museus,partilhando com Lima de Faria (2000:3) a convicção que “[n]ão existe socialmente afigura de ‘visitante de museu’ mas sim uma população mais ou menos local, mais oumenos difusa, ou em trânsito, que poderá constituir-se como um recurso para o museu”,e se tivermos em conta que, à data, maior parte dos museus portugueses ainda não
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Eurobarometer survey 54.2 and Eurostat report: Disability and social participation in Europe. 2001
e
Statistics in focus – Population and Social Conditions – “Employment of disabled people in Europe in 2002”
realizado pelaEurostat.
 
3
De acordo com o US
Census Bureau Report on Americans with Disabilities: 1994-1995 (P70-61)
deAgosto de 1997, enquanto que aos 18-24 anos uma pessoa terá uma incapacidade devida à idade de cercade 9,5%, tal passa para os 21,2% aos 45-54 anos, atingindo os 42,3% aos 65-74 anos e os 64% aos 75+anos.
4
O Departamento para População das Nações Unidas estima que a população europeia decresça 13%entre 2000 e 2050 e que a média etária aumente dez anos, passando então para os 48 anos (cf.
 DiárioEconómico
de 21 de Março de 2003).
 
 3atingiram o seu potencial máximo em termos de condições de acesso e atracção deutilizadores, será de questionar se, ao melhorar as condições de acesso, não estaríamostambém a potenciar a frequência aos nossos museus.Apesar de actualmente se testemunhar um aumento significativo de visitantes aosmuseus portugueses, surgindo mesmo a noticia
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que em 2006 se vêem aumentadas asvisitas em 33%, prevendo-se que este ano se venha a ultrapassar o recorde máximo de1.149.378 visitantes em 1998 (registado graças à realização da Expo98 em Lisboa),haverá motivo para acreditar que esse número poderá ser ainda maior se forem tomadasmedidas concretas para cativar públicos com necessidades especiais.
Acessibilidades em Museus Portugueses
No que toca à inclusão em contexto museológico, a Lei-Quadro dos MuseusPortugueses, nº 47/ 2004 de 19 de Agosto, na sua formulação estruturante, assume umapostura consentânea com as premissas aqui assumidas ao afirmar, na alínea 1b do artigo3.º, que é função do museu “facultar acesso regular ao público e fomentar ademocratização da cultura, a promoção da pessoa e o desenvolvimento da sociedade.”No seu capítulo IV, dedicado ao acesso público, esta Lei-Quadro especifica, no artigo58.º que “[o] museu deve prestar aos visitantes informações que contribuam paraproporcionar a qualidade da visita e o cumprimento da função educativa”. Numamenção expressa a questões de acessibilidades, o artigo 59.º desta mesma Lei-Quadroespecifica que “1 – [o]s visitantes com necessidades especiais, nomeadamente pessoascom deficiência, têm direito a um apoio específico” e que “2 – [o] museu publicita oapoio referido no número anterior e promove condições de igualdade na fruiçãocultural.”Apesar de a lei portuguesa contemplar, nos seus princípios, o estímulo à participação e àinclusão de todos no acesso aos museus, surge pertinente questionar se os nossosmuseus, genericamente considerados como sendo “instituições, com diferentesdesignações, que apresentem as características e cumpram as funções museológicas
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O Jornal “Público” de 24 de Novembro de 06 notícia que “[a] afluência de portugueses aos museusnacionais aumentou este ano 33 por cento, ultrapassando até Outubro os 640 mil, mais 159 mil do que emigual período de 2005, revelou hoje o director do Instituto Português de Museus (IPM). Relativamente aosvisitantes estrangeiros, também se registou um aumento de 16 por cento este ano, com mais 53.274,passando de 339.691 em 2005 para 392.965 em 2006” (inwww.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1277709[acedido a 26/11/06]).

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