Julho.2009p3
A CULPA É DO SÓCRATES?
Para a CDU/Viana e para o actual exe
-cutivo municipal, a culpa de todos os malesdo Concelho de Viana do Alentejo é do PS
e do Sócrates.
Está na moda dizer-se que a culpa é do
Sócrates pelo que se fez, pelo que não se
fez, pelo que se há-de fazer, pelo que se não
há-de fazer, enm, por tudo o que dê jeito
ao actual executivo por forma a branque-ar a incompetência revelada em matéria degestão dos meios e recursos ao seu dispor em dezasseis anos de exercício do poder,que conduziram ao atraso vergonhoso emque nos encontramos – último lugar! -, re-lativamente a todos os outros concelhos doAlentejo.
O próprio presidente armou recente
-mente que Viana é uma ilha isolada de tudoo que se passa à sua volta. Obviamente emais uma vez, na sua opinião, a culpa é do
PS e do Sócrates, como já foi do Durão,
do Santana, do Guterres, do Cavaco, etc.A culpa nunca é dele, qual sumidade que paira por cima dos restantes mortais, om-nipresente Deus do Olimpo que nunca temdúvidas e raramente se engana
Infelizmente somos nós, habitantes des
-te concelho, que temos o fado de aguentar a ortodoxia e partidarite aguda de persona-gens que colocam à frente dos interesses das
populações os interesses partidários. Prefe
-rem o atraso à modernidade, movimentam-se nos meandros da confusão e demagogia, preferem não participar em programas ou projectos de desenvolvimento patrocinados pelo poder central ou por outros parceiros,apenas com o objectivo de manterem umaguerrilha político-partidária aberta, de des-gaste constante, contra quem se encontrano poder central, seja de que partido for,
não sabendo separar as questões de política
nacional e de política local, colocando em primeiro lugar os interesses caciquistas.É pena que não sigam o exemplo de
outro camaradas edis, que perlhando a
mesma ideologia partidária tiveram discer-nimento para aproveitar as oportunidades eos recursos disponíveis, desenvolvendo osseus concelhos, não se coibindo de partici- par em projectos ou programas com outros parceiros, nomeadamente o poder central,desde que isso representasse mais valia,desenvolvimento e progresso para as suasterras.As pessoas devem fazer uma análise
ao recente comportamento da CDU/Viana,
onde depois de proscrito, até mesmo dentro
do próprio partido, o actual presidente foi
repescado com a exclusiva e desesperadaintenção de manterem mais um concelho nacontabilidade dos resultados eleitorais. Seera reconhecido, mesmo dentro das estru-turas do partido, que o homem já não serve, porque não fez trabalho, porque se tornouarrogante e prepotente, porque tratou male desrespeitou muitos trabalhadores da au-
tarquia (também culpa do Sócrates?), por
-
que razão a CDU/Viana não avançou com
a esperada renovação, indo de encontro aoslegítimos anseios de grande maioria da po- pulação, onde se incluem também muitosdos seus militantes e simpatizantes, apro-veitando para limpar alguns personagensque se colaram ao poder e que tanto têm prejudicado a gestão municipal?
É lamentável que a CDU/Viana não
esteja interessada em avaliar as competên-cias do homem para governar o concelho.
A CDU/Viana pretende apenas ganhar a
qualquer preço, mesmo que isso representemais quatro anos de marasmo, de política
de compadrio e favores, que atroa o mu
-nicípio há muitos anos.É do domínio público que o (des)gover-no do concelho, nos últimos quatro anos,
foi afectado por relações perigosas que
criaram profundas clivagens, ao ponto dos
conitos serem dirimidos no seio do comi
-té central do PCP.
A culpa continua, claro, a ser do Sócra
-tes, mas toda a gente sabe que a D. Ritanão pode com o Sr. Diamantino, que o Sr.Diamantino não pode com o Sr. Presidentenem com a D. Rita, que o arquitecto e amulher estão fartos do Sr. Presidente e daD. Rita, que há funcionários encostados ou perseguidos que também não podem comesta dupla, que o presidente não deu umúnico sinal de mudar seja o que for neste
tipo de relações, prevendo-se por isso maisdo mesmo. Que, no fundo, a CDU/Viana é
uma casa farta, onde estão todos fartos uns
dos outros (obviamente por culpa do Só
-
crates…). O pior será, para nós munícipes,
se por acaso (cruzes canhoto) este saco degatos assanhados se instalar novamente no poder.Em nome dos superiores interesses par-tidários e na tentativa desesperada de ga-rantir tachos e reforçar a teia de interesses
e relações promíscuas com algumas clien
-telas concelhias, vamos assistir durante acampanha eleitoral a uma farsa representa-da por estes actores que, com falinhas man-sas e palmadinhas nas costas, nos prome-tem mais quatro anos de atraso e escuridão.
Carta recebida na Redacção do Vida Nova
n
P
rivilégio importante e particular, que exis-tia no período medieval para o desenvolvimen-to das feiras, era a isenção de pagamento de
alguns direitos scais, que eram concedidos a
determinadas feiras que passariam, assim, a de-nominar-se de “feiras francas”. Até aos séculos
XVIII/XIX, a utilidade das feiras não depen
-
dia somente do factor económico, era também
factor de aproximação das pessoas, separadasnos seus lugarejos. De facto, as feiras propor-cionavam, àqueles que estavam grande parte dotempo isolados no seu canto e privados de umavida social, o ponto de contacto com o resto domundo.A antiga Feira das Alcáçovas, que se rea-lizava no imenso rossio onde se instalou o Jar-dim Público, não diferia em quase nada do atrásreferido. Conhecida em toda a primeira metadedo século XX pela alcunha de “ Feira da Con-versa”, este evento atingiu grande importânciaa nível regional e mesmo nacional. Do nortevinham os ourives, do Algarve chegavam osfeirantes a vender alcofas. De Évora vinha oCapadinho a vender sapatos e, para tirar foto-
graas, era presença habitual o Sarmento, quechegava a estar nas Alcáçovas oito dias após afeira terminar. As barracas das farturas cavam
ao lado da Casa do Povo e as barracas de tiroinstalavam-se do lado de lá da escola. Animadasempre com um concerto pela banda de música
da vila, o resto dos espectáculos cavam a car
-go da companhia ambulante de teatro Rafael deOliveira.Já na segunda metade do século XX, comtoda a evolução a que se assistiu nos meios detransportes, com o progresso das comunica-
ções, com a introdução dos plásticos e muitas
outras novidades, todos estes factores foram
FEIRA DASALCÁÇOVAS, UMEVENTO SEM IDEIAS…
mais que sucientes para mudar os usos e cos
-tumes das comunidades rurais. Também a Feiradas Alcáçovas se ressentiu dessas mudanças,acabando por perder grande parte do seu fulgor de antigamente.
Dicilmente voltará o tempo em que tudo
era genuíno e em que os namoros eram feitosentre janelas e postigos; da mesma forma, será pouco razoável pensar-se que a feira das Al-cáçovas possa voltar ao antigo espaço do Jar-dim Público. Não pode, porém, toda a identida-
de e memória que caracteriza a população das
Alcáçovas ser esquecida, correndo-se o riscode ser criada uma vila sem personalidade, sem
história e sem alma. Neste sentido é urgente
pensar-se numa valorização da Feira das Al-cáçovas, dando-lhe o alavancamento necessá-rio para que progrida e possa ser uma realidade
e um orgulho para as próximas gerações. Para
além dos novos conceitos de feira que podeme devem ser introduzidos, nunca deverão es-
tes entrar em conito com os usos e costumes
locais, respeitando sempre a originalidade das
nossas memórias. É um equívoco pensar o con
-trário.A valorização da Feira das Alcáçovas, de-verá passar por duas fases. Em primeiro lugar
pela requalicação do Largo da Gamita, orna
-mentando o espaço com a plantação de árvorese aplicando novos conceitos na iluminação, na
disposição dos pavilhões e das barracas, exis
-tindo assim uma valorização clara das estrutu-ras físicas. Este processo permitirá consolidar a vivência do espaço, cativando a presença das pessoas e fomentando a sua utilização. Toda aaridez que o espaço actual oferece às pessoasé, sem dúvida alguma, um factor desmotivante
que, em pleno Verão, leva as pessoas a car ar
-redadas do evento. Em segundo lugar, dever-se-
á apostar mais na valorização das manifestações
artístico-culturais, desportivas e recreativas al-caçovenses. Neste sentido, porque razão não pensar numa integração da Quinzena Culturalna Feira, criando-se assim um único cartaz deFestas da Vila com forte vocação turística, comesta a servir de palco aos mais variados eventos,desde as touradas aos concertos, os cantares, asmarchas populares e apostando fortemente na
participação das associações locais no evento.
Agora que aí vêem tempos novos, é chega-da a hora de tornar novo aquele espaço e apos-tar numa Feira feita de tradição e modernidade.
Nuno Grave
n
O Largo Alexandre Herculano, local onde se realizava a Feira de Alcáçovas, por volta de 1910 - àdireita pode ver-se o primitivo coreto - colecção de F.B.
Buracos na rua José de Sousa Cabral - fotograa de 18 de Julho de 2009 - A culpa é do Sócrates?
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