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O Fenômeno das Secas no Nordeste do Brasil

O Fenômeno das Secas no Nordeste do Brasil

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O fenômeno das secas no Nordeste do Brasil sempre foi marcado por inúmeras
discussões. Entretanto, a maioria dessas discussões restringe-se a uma abordagem histórica ou a uma análise superficial do fenômeno, não adentrando em seu caráter técnico-científico. Em alguns casos, são abordados aspectos relativos aos seus impactos econômicos e sociais. Neste artigo, contudo, é descrita uma abordagem conceitual, apresentando os condicionantes climáticos
relacionados ao fenômeno das secas no Nordeste brasileiro, bem como sua variabilidade espacial e temporal. São tratados aspectos relacionados à definição e classificação de secas, além dos métodos adequados para sua análise regional integrada.
Em citações:
FREITAS, M. A. S. . O Fenômeno das Secas no Nordeste do Brasil: Uma Abordagem Conceitual. In: IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste, 2008, Salvador. Anais do IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste. Porto Alegre : ABRH, 2008.
O fenômeno das secas no Nordeste do Brasil sempre foi marcado por inúmeras
discussões. Entretanto, a maioria dessas discussões restringe-se a uma abordagem histórica ou a uma análise superficial do fenômeno, não adentrando em seu caráter técnico-científico. Em alguns casos, são abordados aspectos relativos aos seus impactos econômicos e sociais. Neste artigo, contudo, é descrita uma abordagem conceitual, apresentando os condicionantes climáticos
relacionados ao fenômeno das secas no Nordeste brasileiro, bem como sua variabilidade espacial e temporal. São tratados aspectos relacionados à definição e classificação de secas, além dos métodos adequados para sua análise regional integrada.
Em citações:
FREITAS, M. A. S. . O Fenômeno das Secas no Nordeste do Brasil: Uma Abordagem Conceitual. In: IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste, 2008, Salvador. Anais do IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste. Porto Alegre : ABRH, 2008.

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 IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste
1
 
O FENÔMENO DAS SECAS NO NORDESTE DO BRASIL: UMAABORDAGEM CONCEITUAL
 Marcos Airton de Sousa Freitas
1
RESUMO ---
 
O fenômeno das secas no Nordeste do Brasil sempre foi marcado por inúmerasdiscussões. Entretanto, a maioria dessas discussões restringe-se a uma abordagem histórica ou auma análise superficial do fenômeno, não adentrando em seu caráter técnico-científico. Em algunscasos, são abordados aspectos relativos aos seus impactos econômicos e sociais. Neste artigo,contudo, é descrita uma abordagem conceitual, apresentando os condicionantes climáticosrelacionados ao fenômeno das secas no Nordeste brasileiro, bem como sua variabilidade espacial etemporal. São tratados aspectos relacionados à definição e classificação de secas, além dos métodosadequados para sua análise regional integrada.
ABSTRACT ---
The phenomenon of drought in northeastern Brazil has always been marked bynumerous discussions. However, most of these discussions has been restricted to a historicalapproach or a superficial analysis of the phenomenon, not entering into its technical-scientificaspects. In some cases, are addressed aspects of their economic and social impacts. In this article,however, a conceptual approach has been described, weather conditions related to the phenomenonof drought in northeastern Brazil have been presented, as well its spatial and temporal variability.Aspects like definition and classification of droughts are also treated, in addition to the methods forits integrated regional analysis.
Palavras-chave:
secas, Nordeste do Brasil, análise regional._______________________
1) Professor Assistente da Universidade de Fortaleza (licenciado) e Especialista em Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas – SPO Área 5Quadra 3 Bloco L, Brasilia – DF, 70610-000. e-mail: masfreitas@ana.gov.br.
 
 IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste
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1 - INTRODUÇÃO
Grande parte de nosso planeta pertence à denominada área de risco à seca. São regiões onde omontante precipitado aproxima-se do limite permitido à prática agrícola. Exemplos são o Sahel, oNordeste do Brasil, grande área da China, o platô Dekkan, na Índia, e parte da África do Sul.Tratam-se, portanto, de áreas de enorme vulnerabilidade para a agricultura. As maiores perdasagrícolas verificam-se devido à escassez de umidade do solo, notadamente durante a fase decrescimento vegetativo das culturas (Lauer, 1993).Nas décadas mais recentes aparentemente as secas têm se apresentado com uma freqüência euma intensidade cada vez maiores em grande parte dos países, o que pode estar relacionado aofenômeno das mudanças climáticas. Consideráveis áreas das Américas do Norte e do Sul, Austrália,Europa e Ásia foram atingidas por secas extremas, acarretando relevantes prejuízos econômicos,sociais e ecológicos. Na Austrália, por exemplo, no período de cerca de 100 anos, compreendendode 1864 a 1965, oito períodos de secas extremas foram registrados, os quais, em média,apresentaram uma duração de cinco anos. As secas de longa duração ocorridas no México, queatingiram mais de 60% da superfície do país, apresentaram um desvio negativo em relação ao totalmédio anual precipitado maior do que 30% (Sancho y Cervera, 1981). No Nordeste do Brasil, osúltimos períodos de secas foram os de 1981 a 1983, de 1992 a 1993 e o ano de 2002 a 2003.O Nordeste Brasileiro é caracterizado por larga variação interanual de sua precipitação(Magalhães, 1993). Períodos de secas extremas trazem como conseqüências fome e êxodo dapopulação rural, essencialmente agrícola, preponderantemente em direção ao sul do País (década de70 e 80) ou em direção às grandes metrópoles do Nordeste (Fortaleza, Recife e Salvador),localizadas no litoral (a partir da década de 90). O denominado "Polígono das Secas" cobre umaárea de cerca de 940.000 km², envolvendo partes de quase todos os estados do Nordeste. Sendo aagricultura ainda a base da economia da região, períodos prolongados de secas reduzem a umidadedo solo, acarretando enormes perdas às culturas. A perfeita compreensão do fenômeno das secasfaz-se, portanto, extremamente necessária para o uso sustentável dos limitados recursos hídricos daregião. Além disso, estudos para a melhoria da previsão de secas, com base nos dadoshidrometeorológicos disponíveis, e em tempo hábil, de forma a que as medidas a serem tomadas nosentido de minorar seus efeitos possam ser efetivamente implementadas, são de grande valia para aregião Nordeste do Brasil.Marengo (2006), assim como Salati et al. (2007) realizaram estudos dos impactos dasmudanças climáticas globais para diversas áreas do território brasileiro, como Amazônia Brasileira,Nordeste Brasileiro, Pantanal e Bacia do Prata, evidenciando as anomalias de chuva e temperatura,assim como balanço hídrico para o século XXI. O semi-árido Nordestino que apresenta curta,
 
 IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste
3porém, crucialmente importante estação chuvosa no clima do presente, poderia, em um clima maisquente no futuro, transformar-se em região árida.As secas são um fenômeno natural que se diferenciam nitidamente das demais catástrofesnaturais. Uma diferença básica reside no fato de que, ao contrário de outras ocorrências naturaiscomo cheias, furacões e terremotos, as quais iniciam e terminam repentinamente, além de serestringirem, normalmente, a uma pequena região, o fenômeno das secas tem, quase sempre, uminício lento, uma longa duração e espalha-se, na maioria das vezes, por uma extensa área. Bryant(1991) analisou 31 catástrofes naturais (climáticas e geológicas), dentre furacões, cheias,terremotos, tsunamis, vulcões etc., com base nos parâmetros característicos e efeitos causados pelasmesmas, tais como duração da catástrofe, área de atuação, número de vítimas fatais, prejuízoeconômico, duração dos efeitos, conseqüências sociais, etc. e concluiu que as secas são, dentretodas, a mais grave.O fenômeno climático da seca é desde muito tempo conhecido. A ele foram acrescidas, nosúltimos anos, as influências antrópicas. Exemplos evidentes são o sobrepastoreio, métodosinadequados de agricultura, queimadas, desmatamentos e excessiva exploração das águassubterrâneas. Visando minimizar os impactos decorrentes são, via de regra, empregadas medidasemergenciais de combate à fome e à escassez de água (Li & Makarau, 1994). Diretamenterelacionados aos prejuízos cita-se ainda a degradação dos solos. Nas regiões semi-áridas o processode desertificação é nitidamente acelerado durante os períodos de secas.Os prejuízos econômicos devido à seca de 1988 nos Estados Unidos da América foramestimados por Wilhite (1993) em cerca de 40 bilhões de dólares. Para isso, foram computados oscustos diretos e indiretos, tais como as ajudas financeiras e a redução do crescimento econômico.Na Austrália, a seca de 1982 a 1983 ocasionou uma redução de 18% da produção agrícola, a qualrepresenta 3% do total das exportações do país. Isso equivale em termos financeiros a uma perda dedivisas da ordem de 7,5 bilhões de dólares (White et al., 1993). Particularmente grave é a situaçãodos países em desenvolvimento, onde os custos de uma seca atingem diretamente as finanças dospaíses. Na Índia, onde 50% do Produto Social Bruto provêm da agricultura, os períodos de seca de1918, 1965, 1966, 1972, 1979 e 1982 tiveram uma perda na produção de grãos variando de 3,7%nos anos de 1982-83 até um valor de 32,3% na seca de 1918.A seca é um fenômeno dito recorrente em regiões semi-áridas. Os efeitos de um duradouroperíodo de seca em uma determinada região dependem, entretanto, não somente da duração eintensidade da seca, mas também das condições sócio-econômicas e culturais da populaçãoatingida. Secas, notadamente, em regiões onde a demanda por água é maior do que adisponibilidade ou onde haja uma grande variabilidade da oferta d’água, trazem quase sempreconseqüências de larga escala. Grandes projetos de irrigação e concentrações urbanas densamente

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Prezados, grato pelos comentários. Não deixem de ver o artigo da Revista Geografia que cita este trabalho. Fonte: http://geografia.uol.com.br/geografia...
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