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Introdução à anima-ação cultural

Introdução à anima-ação cultural

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Artigo que aborda a relação entre Lazer, Tempo Livre e Ação Cultural, apontando a dimensão hermesiana do trabalho sociagógico voltado para o (re)envolvimento humano.
Artigo que aborda a relação entre Lazer, Tempo Livre e Ação Cultural, apontando a dimensão hermesiana do trabalho sociagógico voltado para o (re)envolvimento humano.

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05/11/2014

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Introdução à
anima
-ação cultural:A alma hermesiana do (re)envolvimento humano
Adilson Marques – doutor em Educação pela USP.Contato: asamar_sc@hotmail.com"
O mundo de Hermes não é de modoalgum um mundo heróico. (...) Sua essência possui a liberdade, a amplidão e o fulgor por meio dos quais reconhecemos o reino de Zeus
."Walter F. Otto In Rafael LÓPEZ-PEDRAZA. Hermes e seus filhos. São Paulo:Paullus, 1999, p. 150.
 
 74
Este artigo tratará da Ação Cultural e, particularmente, da
anima
-ação cultural. AAção Cultural pode ser um campo de atuação voluntária ou profissional, porém, sua “ação”atinge, na maioria das vezes, um determinado público em um momento específico de suavida cotidiana: aquele em que não se encontra
trabalhando
. Mas que momento é esse? Odo “Tempo Livre”, o do “Lazer”, o do “Ócio”? Seriam esses termos sinônimos?Apesar de os projetos de Ação Cultural serem elaborados e colocados em prática para atingir um determinado público que possui "Tempo Livre" e, quando tais projetos sãoelaborados pela Indústria Cultural e do Entretenimento, normalmente, são pensados comoatividades de “Lazer”, ou seja, como uma forma de
neg-ócio
rentável, acredito que é no“Ócio” (
 scholé
) que a Ação Cultural irá, em um sentido hermesiano, conseguir semanifestar sociagógica e psicagogicamente de uma forma plena. Quando isso ocorre, o“Tempo Livre” se enriquece e poderíamos chamá-lo, por exemplo, de
 sacerdÓcio
.É importante, porém, lembrarmo-nos de
BRIGHTBILL (
1963, p. 03) que nosinformava que
... o lazer ou ócio tem significado coisas diferentes em culturasdiferentes, e hoje em dia, infelizmente, não há unanimidade de opiniãoquanto ao seu significado e ao que encerra. Há os que insistem em que oócio envolve tantas implicações e formas de sentido que desafia umadefinição ou mesmo uma discussão inteligente, exceto em termos de
 
valores, normas e orientação cultural em relação ao comportamento, de grupos particulares de classe, de etnia, ou de religião...
 Apesar dessa dificuldade se manifestar tanto sincrônica como diacronicamente, noBrasil ou fora dele, inúmeros pensadores
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propõem Teses que ora valorizam um ou outrotermo, muitas vezes tratando-os como auto-evidentes.
26
A famosa revista Reflexão da PUCCAMP em seu número 35 apresenta uma série de artigos de pensadores brasileiros que discutem o tema Lazer e Trabalho. A diversidade de opiniões e perspectivas teóricasdemonstram que também no Brasil não há consenso sobre o significado e alcance de cada uma dessas noções.
 
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Um dos estudiosos que pretendeu traçar com certa objetividade as diferenças em o“Tempo Livre”, o “Ócio” e o “Lazer” foi o sociólogo francês Joffre DUMAZEDIER emseu livro Sociologia Empírica do Lazer (1999).O autor faz uma leitura diacrônica da noção de “Lazer” e critica o que chamou deabordagem “comportamentalista”, que define como Lazer tudo “
o que dá prazer, o feitocom alegria
”. Para DUMAZEDIER, esta definição é muito vaga, pois desconsidera quemuitas atividades podem ser realizadas com prazer e nem por isso seriam, cotidianamente,chamadas de Lazer. Outra definição que o sociólogo critica é a que opõe Lazer ao TrabalhoProfissional e Remunerado. Esta concepção, em sua opinião, possui um sério problema:deixar na esfera do Lazer, por exemplo, as obrigações "doméstico-familiares".Para DUMAZEDIER, o “Lazer” deve ser pensado em relação com duas dimensõesimportantes: o tempo e a atitude. Assim, em primeiro lugar, ele procura opor em camposdiferente o trabalho remunerado e obrigações doméstico-familiares (incluindo aqui o tempoescolar), de um lado, e o "Tempo Livre" ou o "Tempo Disponível" do outro.Esse “Tempo Livre” será, em sua opinião, ocupado com algumas atividades: assócio-religiosas, as sócio-políticas e, por fim, os lazeres. A conclusão de sua Tese é óbvia:o “Ócio” será considerado como algo necessariamente negativo. O Lazer, inclusive, nãoseria uma forma de negar o trabalho, mas de negar o Ócio. Possivelmente, não era essa aintenção de DUMAZEDIER, mas se o Lazer deve negar o Ócio, significa dizer que o Lazer é um
neg 
-
ócio
, o que de fato veio a se transformar, hoje em dia, com a Indústria doEntretenimento e do Turismo.Preocupado com o campo sociológico do Lazer, DUMAZEDIER (1980) procurou,também, historicizar esse fenômeno. Em sua opinião, o “Lazer” surge na sociedadeindustrial como resultado, de um lado, do progresso científico-técnico que liberou uma parte do trabalho profissional e doméstico e, de outro lado, pela regressão do controle social pelo trabalho familiar, religioso e político.Essa preocupação em historicizar o Lazer também é polêmica. Se pensarmos oLazer como complemento ao Trabalho e em oposição ao Ócio, como sugereDUMAZEDIER, teremos uma questão interessante para analisar. Se o Lazer é fruto doTempo Liberado pelo Trabalho e não do Tempo Desocupado (Ócio), no atual cenário “pós-

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