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Da ciência moderna à pós-moderna: percursos e percalços

Da ciência moderna à pós-moderna: percursos e percalços

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Este artigo aborda os caminhos epistemológicos da construção da ciência moderna e sua relação com a pós-modernidade, tecendo reflexões sobre Física Quântica, espiritualidade e outros assuntos.
Este artigo aborda os caminhos epistemológicos da construção da ciência moderna e sua relação com a pós-modernidade, tecendo reflexões sobre Física Quântica, espiritualidade e outros assuntos.

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05/11/2014

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Da ciência moderna à pós-moderna: percursos e percalços
Adilson Marques – doutor em Educação pela USP.Contato: asamar_sc@hotmail.com
"Desse mundo desencantado, os deuses seexilaram, mas a Razão conserva todos ostraços de uma teologia escondida: saber transcendente e separado, exterior e anterior aos sujeitos sociais, reduzidos a condição deobjetos sóciopolíticos manipuláveis, aracionalidade é o novo nome da providênciadivina. Talvez tenha chegado a hora daheresia: a ciência é o ópio do povo." 
Marilena Chaui. Cultura e Democracia: odiscurso competente e outras falas. São Paulo:Cortez, 1990, p. 83
 
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Os caminhos epistemológicos e paradigmáticos percorridos durante a constituiçãoda Ciência Moderna foram descritos por diversos autores, entre eles, SANTOS (1989;1996) e CAPRA (1995)
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. Não cabe aqui refazer esse processo, mas, em linhas gerais, tecer algumas considerações a seu respeito com o objetivo de melhor situar a nossa opçãoteórico-metodológica, visando a constituição de uma
ciência com consciência
(MORIN,1990) ou
 pós-moderna
(SANTOS, 1996), que contribua no plano educacional e da açãocultural, mesmo que singelamente, para o
reencantamento
e
remitização
do mundo(DURAND, 1997; PAULA CARVALHO, 1998).A Modernidade pode ser caracterizada pela pretensão de instituir o conhecimentocientífico como o único saber capaz de orientar o
 sapiens
em todos os domínios da vidasocial
11
e, como apontou DURAND (1998:68), durante séculos pretendeu-se que a Ciênciafosse “
a única dona de uma verdade iconoclasta e o fundamento supremo dos valores
”.Em minha opinião, após os estudos de JUNG (1987), de KUNH (1994), MOLES (1998),entre outros, não é possível concordar com o BACHELARD diurno que, em
 La formationde l’esprit scientifique,
 procurou demonstrar que a Ciência só era possível repudiando asimagens.Como já afirmou DURAND (1998), o iconoclasmo endêmico do
Ocidente
pode ser encontrado remotamente no monoteísmo bíblico e na herança socrática, mas foi, sobretudo,com o advento da Modernidade - atingindo seu auge com o positivismo, no século XIX -que essa caminhada iconoclasta acentuou-se de forma considerável. Sem dúvida, um dosgrandes percursores foi René DESCARTES (1596-1650). Seu método analítico tornou-se o primeiro método científico des-envolvimentista, pois, em primeiro lugar, pressupunha aseparação ou a dissociação do Homem com o Mundo e, em seguida, a fragmentação de
10
É importante ressaltar que CAPRA (1995) chama de “ciência moderna” o que SANTOS (1996) denominoucomo “ciência pós-moderna”. Ao mesmo tempo, quando este último se refere à “ciência moderna”, está sereferindo à “ciência clássica” do primeiro. Neste trabalho, opto didaticamente pela nomenclatura deSANTOS, apesar de me referir diversas vezes ao texto de CAPRA.
11
Essa afirmação pode ser relativizada, pois, na Modernidade – como também na Antigüidade -, apesar damonopolização da razão, sempre existiram pensadores “céticos”, como é o caso de MONTAIGNE (1533-1592) para quem o homem não poderia conhecer nada com segurança, nem sobre o mundo, nem sobre simesmo, criticando os “fanatismos” daqueles que pretendiam impor suas “verdades” a qualquer preço.Podemos pensar também na resistência dos românticos e da hermenêutica aos abusos da razão iconoclasta doIluminismo.
 
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ambos em diferentes partes que facilitariam os estudos científicos. Concomitantemente,tornou-se necessária a formação de especialistas para dominar todas as diferentes partes dohomem e do mundo. Essas imagens que DURAND (1997) chamou de
diairéticas
e que sãotípicas das estruturas heróicas do imaginário, não deixam de estimular uma mentalidade eum comportamento egocêntrico, esquizomórfico e “monárquico” nos especialistas, poisestes devem apresentar uma postura diferente – e superior – em relação a maioria das pessoas que compreendem o mundo através de “pré-conceitos” teológicos ou do sensocomum.Essa fragmentação do mundo foi acompanhada também pelo des-envolvimento deum discurso que, para ser realmente considerado científico, deveria possuir, entre outrascoisas, como afirma SANTOS (1989):a)
 
objetividade e ausência de imagens; b)
 
e um caráter anônimo, ou seja, produto de um sujeito epistêmico.Com essas regras básicas, o conhecimento (ou o saber científico) ao ser construídodeveria adquirir uma materialidade própria e o cientista, por sua vez, passaria a ser “objetivado”, ou seja, tornar-se-ia anônimo
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. Segundo PIAGET (
apud 
SANTOS,1989:15), é justamente no anonimato que se encontra uma das grandes vantagens daCiência sobre outras formas de saber, uma vez que isso torna possível a descentração do
 sujeito individual 
na direção do
 sujeito epistêmico
. Ora, o que isso significa? Em resumo,tornar o produto do saber científico socialmente compartilhado ou através da didática, por exemplo, ou dos manuais de divulgação científica, separado e alienado de seu criador.Em qualquer livro didático podemos conseguir exemplos de como se processa adescentração do sujeito defendida por PIAGET. Tomemos, por comodidade, um exemploencontrado nos livros de História e Geografia para o ensino fundamental e médio. Umconteúdo sempre presente no ensino dessas duas disciplinas é a colonização da América.
12
CORACINI (1991) tece uma profunda discussão sobre o caráter objetivo do discurso científico e revelacomo a pretensa objetividade não deixa ser apenas uma estratégia de persuasão que caracteriza esse tipo dediscurso.

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