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O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do BrasilDarcy RibeiroAgradeço aqui, muitíssimo, àqueles que mais me ajudaram a concluir este livro.A Mércio Gomes, meu colega, pela paciência de ler comigo página por página dotexto original.A Carlos Moreira, meu companheiro, cuja pré-leitura jamais dispenso, que também oleu, inteiro, e derramou sobre meu texto sua frondosa erudição.Confesso, porém, que agradecimento maior e mais fundo e sentido é a Gisele Jacon,minha assessora. Este livro é obra nossa. Se eu o pensei, ela o fez materialmente, lhedando a consistência física de coisa palpável e legível.Gratíssimo,DarcySUMÁRIOPrefácio, 11Introdução, 19I. O NOVO MUNDO1 MATRIZES ÉTNICASA ilha Brasil, 29A matriz tupi, 31A lusitanidade, 372 O ENFRENTAMENTO DOS MUNDOSAs opostas visões, 42Razões desencontradas, 49O salvacionismo, 563 O PROCESSO CIVILIZATÓRIOPovos germinais, 64O barroco e o gótico, 69Atualização histórica, 73II. GESTAÇÃO ÉTNICA1 CRIATÓRIO DE GENTEO cunhadismo, 81O governo geral, 86Cativeiro indígena, 982 MOINHOS DE GASTAR GENTEOs brasilíndios, 106Os afro-brasileiros, 113Os neobrasileiros, 121Os brasileiros, 126O ser e a consciência, 133
 
3 BAGOS E VENTRESDesindianização, 141O incremento prodigioso, 149Estoque negro, 160III. PROCESSO SOCIOCULTURAL1 AVENTURA E ROTINAAs guerras do Brasil, 167A empresa Brasil, 176Avaliação, 1792 A URBANIZAÇÃO CAÓTICACidades e vilas, 193Industrialização e urbanização, 198Deterioração urbana, 2043 CLASSE, COR E PRECONCEITOClasse e poder, 208Distância social, 210Classe e raça, 2194 ASSIMILAÇÃO OU SEGREGAÇÃORaça e cor, 228Brancos versus negros, 231Imigrantes, 2415 ORDEM VERSUSPROGRESSOAnarquia original, 245O arcaico e o moderno, 248Transfiguração étnica, 257IV. OS BRASIS NA HISTÓRIA1 BRASISIntrodução, 2692 O BRASIL CRIOULO, 2743 O BRASIL CABOCLO, 3074 O BRASIL SERTANEJO, 3395 O BRASIL CAIPIRA, 3646 BRASIS SULINOS, 408V. O DESTINO NACIONALAs dores do parto, 447Confrontos, 452Bibliografia, 457Índice remissivo, 467-- Página 11PREFÁCIOEscrever este livro foi o desafio maior que me propus. Ainda é. Há mais de trintaanos eu o escrevo e reescrevo, incansável.O pior é que me frustro quando não o faço, ocupando-me de outras empresas.
 
 Nunca pus tanto de mim, jamais me esforcei tanto como nesse empenho, sempre postergado, de concluí-lo. Hoje o retomo pela terceira vez, isto se só conto aquela primeira vez em que o escrevi e completei, e a segunda em que o reescrevi todo,inteiro, esquecendo as inumeráveis retomadas episódicas e inconseqüentes.Ultimamente essa angústia se aguçou porque me vi na iminência de morrer semconcluí-lo. Fugi do hospital, aqui para Maricá, para viver e também para escrevê-lo.Se você, hoje, o tem em mãos para ler, em letras de fôrma, é porque afinal venci,fazendo-o existir. Tomara.Acabo de ler, meio por cima, a última versão. Aquela que escrevi no Peru e que atéfoi traduzida em castelhano, mas que eu vetei. Era um bom livro, acho agora. Bem podia ter sido publicado tal qual era. Ou ainda é, uma vez que aí está tal e qual:desafiante. Mas eu não quis largá-lo. Pedia mais de mim, me prometia revê-lo, refazê-lo, até que alcançasse aquela forma que devia ter. Qual?-- Página 12Creio que nenhum livro se completa. O autor sempre pode continuar, por um tempoindefinido, como eu continuei com esse, ao alcance da mão, sem retomá-lo. O queocorre é que a gente se cansa do livro, apenas isto, e nesse momento o dá por concluído. Não tenho muita certeza, mas suspeito que comigo é assim.Por que só agora o retomo, depois de tantos, tantíssimos anos, em que me ocupeidas tarefas mais variadas, fugindo dele? Não sei! Não foi para descansar, certamente. Foi para me dar a outras tarefas. Entreelas, a de me fazer literato e publicar quatro romances, retomando uma linha deinteresses que só me havia tentado aos vinte anos. Nessa longa travessia, também politiquei muito, com êxito e sem êxito, aqui e no exílio, e me dei a fazimentostrabalhosos, diversos. Inclusive vivi, quase morri. Nesses anos todos, o livro, este, ficou por aí, engavetado, amarelando, esperando atéhoje. Agora, estou aqui na praia de Maricá, para onde trouxe as pastas com o papelório de suas várias versões.A primeira tentativa de escrevê-lo, que nem chegou a compaginar-se, se deu emmeados da década de 50, quando eu dirigia um amplo programa de pesquisas socio-antropológicas no órgão de pesquisas do Ministério da Educação, o Centro Brasileirode Pesquisas Educacionais (CBPE). Eu o concebia, então, como síntese daquelesestudos, com todas as ambições de ser um retrato de corpo inteiro do Brasil, em suafeição rural e urbana, e nas versões arcaica e moderna, naquela instância que, a meuver, era de vésperas de uma revolução social transformadora.Eu o abandonei, então - lá se vão trinta anos -, para ocupar-me de planejar eimplantar a Universidade de Brasília.Esta tarefa me levou a outras, tais como as de ministro da Educação, de chefe doGabinete Civil do presidente João Goulart, com a missão de concatenar o Movimento Nacional pelas Reformas de Base.-- Página 13Tudo isso resultou, sabe-se, no meu primeiro exílio, no Uruguai. Lá, a primeiraversão deste livro, umas quatrocentas páginas densas, tomou forma, depois de doisanos de trabalho intenso. Não era já a síntese que me propusera. Era, isto sim, a
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