Carta aos leitores
É impossível soprar a poeira sem que um bom número de pessoascomece a tossir.
Príncipe Philip, duque de Edimburgo,consorte da rainha Elizabeth II.Prezada leitora, prezado leitor:Um erudito — acho que foi o professor Alphons Silbermann —, aoestudar nossos hábitos de leitura, constatou que uma "geração de leitores" perdura quatro anos. Fazendo as contas, parece que ele tem razão. Do primeiro ao sexto ano de vida, são livros ilustrados e resistentes que formama primeira geração de leitores. Depois vêm os maçantes livros escolares e oscontos de fada. Aos dez anos — hoje em dia! —, seguem-se as histórias emquadrinhos, e para meninos e meninas mais desenvolvidos, romances juvenis, relatos de viagens e de aventuras, bem como descrições do mundoanimal. A partir dos catorze anos mais ou menos, os jovens já incluemromances de todo tipo em sua leitura e se interessam pelos primeiros livrosde divulgação. Aos dezoito anos, começam a aparecer as primeiras preferências por temas específicos, que poderão prosseguir pela vida inteirase não houver, novamente, uma mudança no ritmo das gerações de leitores,em decorrência de opções profissionais, da vida particular, de passatemposou de acontecimentos especiais.Considerando esse ritmo, passaram-se, desde a publicação de meu primeiro livro, em 1967, três gerações e meia de leitores. Os que em 1967tinham dezesseis anos hoje têm trinta. O prezado leitor talvez tenha seencontrado comigo já naquele tempo, fazendo parte do grande círculo defiéis leitores que acorrem prontamente à livraria quando, mais ou menos acada dois anos, é editado um novo livro.Mas há certamente muitos novos leitores que se juntam aos antigosquando passo a comprovar, num novo livro, as minhas "velhas" teses, comdescobertas recentíssimas. É o destino de todas as hipóteses, por maiscientíficas que sejam; elas precisam seguir seu processo normal dedesenvolvimento. Confesso que é neste ponto que começa o meu dilemasempre renovado: para meus leitores habituais, não há dúvidas quanto às
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