não temamos nunca afirmá-lo ser na ciência experimental que devemos procu-rar os elementos de cognição, só com ela devendo marchar.O cepticismo e a dúvida universal imperam no âmago de nossa alma enosso olhar escrutador, que nenhuma ilusão fascina, vigila na cripta dos nossospensamentos. Não nos despraz que assim seja. Não lastimemos que Deus nãonos houvesse tudo revelado ao criar-nos, dando-nos contudo o direito dediscutir. Essa prerrogativa do nosso ser é ótima em si mesma, como condiçãomaior de progresso. Mas, se o cepticismo nos atalaia vigilante, também anecessidade de crença nos atrai.Podemos duvidar, certo, sem por isso nos isentarmos do insaciável desejode conhecer e saber. Uma crença torna-se-nos imprescindível. Os espíritos quese vangloriam de não a possuírem são os mais ameaçados de cair nasuperstição ou de anular-se na indiferença.O homem tem, por natureza, uma necessidade tão imperiosa de firmar-senuma convicção —, particularmente quanto à existência de um coordenador domundo e da destinação dos seres — que, quando não encontra uma fésatisfatória, experimenta a necessidade de se demonstrar a si mesmo que esseDeus não existe e busca, então, repousar o espírito no ateísmo e no niilismo.Diga-se, também, já não ser a questão que ora nos apaixona, a desabermos qual a forma do Criador, o caráter da mediação, a influência dagraça, nem discutir, tão-pouco, o valor de argumentos teológicos. A verdadeiraquestão é saber se Deus existe, ou não.Note-se que, em geral, a negativa é patrocinada pelos experimentalistas daciência positiva, enquanto a afirmativa se ampara nos indivíduos estranhos aomovimento científico.Qualquer observador atento pode, ao presente, apreciar no mundopensante duas tendências diametralmente Opostas.De um lado, químicos ocupados em tratar e triturar, nos seus laboratórios,os fatos materiais da ciência moderna, por lhes extrair a essência e quinta-essência, a declararem que a presença de Deus jamais se manifesta em suasmanipulações.Doutro lado, teólogos acocorados entre poeirentos manuscritos de bibliotecasgóticas compulsando, folheando, interrogando, traduzindo, compilando, citandoe recitando versículos dogmáticos, e declarando com o anjo Rafael, que, dapupila esquerda à pupila direita do Padre-Eterno medeiam trinta mil léguas deum milhão de varas, cada qual equivalente a quatro e meia vezes ocomprimento da mão.Queremos crer que de ambos os lados haja boa fé, que os segundos,como os primeiros, estejam animados do propósito de conhecer a verdade.Pretendem os primeiros representar a Filosofia do século 20, enquanto ossegundos guardam, respeitosos, a do século 15. Os primeiros, passam por Deus sem O ver, como o aeronauta que sulca o espaço celeste, enquanto ossegundos focalizam um prisma que retrai a imagem, colorindo-a.Oobservador imparcial e independente que procura explicar-lhes suastendências contrárias, adimira-se de os ver obstinados no seu sistemaparticular e pergunta a si mesmo se será verdadeiramente impossívelinterrogar, de um modo direto, este vasto Universo e chegar a ver Deus naNatureza.Por nós, isento de qualquer sectarismo, sentimo-nos à vontade emeqüacionar o problema. Diante do panorama da vida terrestre; no âmbito da
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