Introdução
De há muito considero a ficção científica como um instrumento em potencial, inspirador e útil, para o ensino. Para esta antologia, portanto, selecionei dezessete histórias que, penso eu, podem inspirar curiosidade e podem conduzir o estudante dentro dos esquemas de indagação de seuinteresse particular, que mais o entusiasmem, que podem até mesmodeterminar a futura diretriz da sua carreira. Isto não quer dizer, entretanto, que todas as histórias sãocientificamente corretas, embora, naturalmente, algumas sejamrealmente acuradas pelos padrões do nosso tempo. Afinal de contas ahistória de ficção científica não pode ser (exceto por inspiradoraconjectura) mais acurada do que torna possível o conhecimento científicodos nossos tempos. Uma história escrita em 1925 somente por acidente pode ser acurada, em parte, com referência a Plutão, o nono planeta; a situação é similar quanto a histórias, sobre a bomba atômica, escritas em1935; sobre satélites artificiais, escritas em 1945; sobre quasars, escritasem 1955 e assim por diante. Em muitas histórias de ficção científica um princípio cientifico édeliberadamente destorcido, com a finalidade de tornar possível umdeterminado enredo.É uma realização que pode ser conseguida com perícia por um autor versado em ciência ou de modo canhestro por umoutro menos versado na matéria. Em ambos os casos mesmo no último, ahistória pode ser útil. Uma lei da natureza que é ignorada ou destorcida, pode suscitar mais interesse, algumas vezes, do que uma lei da naturezaque é explicada. São possíveis os eventos apresentados na história? Senão o são, por que não? E ao tentar responder a tal pergunta o estudante pode algumas vezes aprender mais a respeito da ciência, do que com uma série de demonstrações corretas feitas em salas de estudo. Esta antologia foi preparada, portanto, obedecendo a diferentes níveis. Em primeiro lugar, as dezessete histórias aqui reunidas são todas deboa qualidade, engenhosas e excitantes, cada uma à sua maneira. Todosos que assim desejarem podem lê-las pelo prazer que por si mesmasoferecem, sem fazer nenhum esforço consciente para com elas aprender algo, podendo mesmo ignorar totalmente os comentários particulares que faço depois de cada uma delas.
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