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Etnoconservacao Como Politica de Meio Ambiente

Etnoconservacao Como Politica de Meio Ambiente

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Published by: Marcelo Angra Machado on Oct 18, 2013
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Agroecol.eDesenv.Rur.Sustent.,PortoAlegre,v.3,n.3,Jul/Set2002
A
rtigo
EtnoconservaçãocomopolíticademeioambientenoBrasil:desafiospolíticosderesisnciaeintegraçãoaomundoglobalizado
Alexandre, Agripa Faria *
Resumo
: O prositodesteartigoconsisteem discutir a especificidade cultural brasilei-raeseus conflitos relacionados comapolíticanacional de unidades de conservação. Nesteparticular,otextoconferedestaqueaoquehojese discute como etnoconservação (ou, ainda,gestão comunitária dos recursos naturaisrenováveis)associadaparticularmenteàspro-postas de destaque das experiências das Re-servas Extrativistas ea outras políticas dere-sistência eintegração ao mundo globalizado.
Palavras-chave
:etnoconservão;políticanacional brasileira;unidadesdeconservação;globalização.
Introdução
Num mundo cada vez mais globalizado ehomogêneo, muitas vezes, cresce a idéia deque a continuidade da diversidade de cultu-ras humanas éelemento fundamental para aconstituiçãodesociedadespluralistasedemo-cráticas, atrelando-se a isso a imutabilidadedos padrões culturais emquesedeveriaman-ter as populações tradicionais nas unidades
* ProfessordoDepartamentodeCiênciasSociaiseFilosofiadaUniversidadeRegional deBlumenaueDoutorandodoProgramaInterdisciplinaremCiênciasHumanasdaUniversidadeFederal deSantaCatarina.PesquisadoreCoordenadorGeraldoInstitutodeEcologiaPotica. Paracontatocomoautor: telefone:(48) 322-0916ee-mail:agripa@cfh.ufsc.br.
 
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deconservação (Diegues, 2001: 96-97).Entrea valorizaçãodas atividades mantidaspor essas comunidades, uma margem deflexi-bilidadeparaainovãodeveserpermitidaparanão se correr o mesmo risco das experiênciasdenaturezasintocadas”,impostaspelalegisla-çãodascadasde60e70noBrasil enomun-do, que marginalizaram e expulsaram popula-ções inteiras de suas áreas comuns, seguindoaexperiênciadomodeloamericanodosparquesnacionaisbaseadosemconcepções
preservacio-nistas
domundoselvagem”(
wilderness
), comoode
 Yellowstone
,criadonosEUAem1872(Allut;Guha; Sarkar; Pompa e Kaus; Castro; Pretty ePimbert;Colchester;Schwartzman eArrudaIn:Diegues,2000).Aesserespeito,consultarotam-mlebretrabalho
Onossolugarvirouparque
,deAntônioCarlos Diegues (1999).Nesse mesmo sentido, o surgimento daspreocupaçõescomaspopulaçõestradicionaismoradoras de parques nacionais vem moti-vando a valorização do ambientalismoecoconservacionista. O sentido histórico decapturadosproblemasdedesenvolvimentonoBrasil já foi narrado por Caio Prado, SérgioBuarquedeHolanda, EuclidesdaCunha, en-treoutros, epor J oAugustoPádua, quere-centemente (1987) recuperou os registroshistóricosdeJ oBonifácio,J oaquimNabuco,André Rebouças e Alberto Torres, entre ou-tros, abolicionistas monarquistas, liberais edesenvolvimentistas do Brasil imperial e re-publicano, defensores da causa da naturezacomo patrimônio brasileiro exclusivo.Recentemente ainda se lamenta que exis-ta no Brasil somente um tipo de unidade deconservação que contempla e favorece a per-manência de
populações tradicionais
, ao ladoda única reserva da biosfera da UNESCO doBrasil (criada em 1992 equeabrangeas regi-ões Sul eSudeste)equeprevêtambém a pre-sença de populações tradicionais: a reservaextrativista, definida como área natural oupoucoalterada,ocupadaporgrupossociaisqueusam como fonte de subsistência a coleta deprodutos da flora nativa ou a pesca artesanalequeasrealizamsegundoformastradicionaisde atividade econômica sustentável e condi-cionadas a regulamentação específica(DIEGUES,2001:122).
Etnoconservação como política de meioambiente: desafios políticos de resistên-cia e integração ao mundo globalizado
Como reação política, existem diversosmovimentos de
populações tradicionais
emáreas protegidas no Brasil. Como destacamdiversos trabalhos organizados por Diegues(2000; 2001), pode-se contar duas espéciesdesses movimentos:a)
os movimentos autônomos localizados seminserçãoemmovimentossociaisamplos;
eb)
os movimentos locais com inserção emmovimentossociaisamplos:asexperiênciasdasReservasExtrativistas.
Os primeiros desses movimentos divi-dem-se em:i)
movimentoslocaisespontâneos
:omovi-mentos organizados de pequenos produtoresextrativistas organizados na defesa de suaárea. Destacam-se aqui os movimentos depequenos produtores pela preservação de re-cursos haliêuticos que têm levado ao fecha-mento de áreas de pesca para uso exclusivo
"RecentementeaindaselamentaqueexistanoBrasil somenteumtipo de unidade de conservaçãoquecontemplaefavoreceapermanência de populaçõestradicionais..."
 
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dacomunidade,comonoscasosregistradosnoRio Cuiabá, próximo de Santo Antônio doLeverger, e na região amazônica, com o fe-chamentodelagos pelas populações locais.
ii) movimentos locais tutelados pelo Estado
:mesmo com a interdição da presença depopu-lações em áreas de preservação, autoridadesestatais vêm dando acolhida às
populações tra-dicionais
queforamexpulsasdesuasáreas,coma criação desses parques. É o caso do ParqueEstadual da Ilha do Cardoso, litoral sul deSãoPaulo,criadoem1962.SegundoDiegues(2001),"exemplo dessetipo desituação das popu-lações tradicionais em áreas naturais prote-gidas é a existente no Estado de São Paulo.Nesseestado, emcercade37,5%dos parquesexisteocupação humana, tradicional ou não.Essas populações são heterogêneas quanto aorigem geográfica, laços históricos com a re-gião, situação fundiária e tipo de uso de re-cursos naturais. De um lado, as que invadi-ram oparquena época ou depois desua cria-ção e que são fruto da estrutura agrária in- justa no Brasil, e, deoutro, populações tradi-cionais que residem há várias gerações naárea transformada em parque e que mantêmvínculos históricos importantes com ela, de-pendem para sobrevivência do uso dos recur-sos naturais renováveis, dos quais têm gran-deconhecimento.”(DIEGUES,2001:138).Nessas áreas, há certa sensibilidade detécnicos das agências ambientais dispostosà integração das populações. O mesmo ocor-re com:iii)
movimentoslocaiscomaliançascomONG's
:sãoexemplosdeincorporaçãorecentede
popu-lações tradicionais
em unidades de conserva-ção,comonocasodoprojetonaEstaçãoEco-gica Manirauá, noEstadodoAmazonas, queéadministrada pela SociedadeCivil Manirauá eapoiadapelaWorldWildlifeFund(WWF),apesarde ali tratar-se de uma unidade de conserva-ção deuso restritivo.Neste caso, vale registrar o acontecimen-to deperseguição política eeconômica regis-trado por Diegues (2001), com o movimentodosEx-quilombosNegrosdeTrombetas.É sa-bido que a região amazônica constitui-se naárea de maior conflito entre populações tra-dicionais eunidades deconservação no Bra-sil, ocorrendo por isso enorme expropriaçãodos espaços, recursos esaberes da partedaspopulações locais pelaimplantação, desdeasdécadas de 60 e 70 do regime militar, tantode grandes projetos de mineração quanto deáreas naturais protegidas, estas últimas porpressãointernacional subseqüenteà posiçãopró-acolhimento de indústrias poluentes nopaís, assumida pelos diplomatas brasileirospor ocasião da conferência de Estocolmo so-breMeioAmbienteHumano, em 1972. Comoressalta Diegues, a fim de conseguir recur-sos internacionais e aprovação nos meiosambientalistas oficiais (setores do BancoMundial, por exemplo), nos chamados pólosde desenvolvimento se propunha a instala-ção de áreas naturais de conservação para“minimizar” os graves impactos ambientaisdecorrentes dos grandes projetos."aspopulaçõeslocais,espalhadaspelasmar-gens dos rios, foram então duplamentedesti-tuídas.Osestudosdeviabilidadeedeimpactoambiental, no geral, negavam visibilidadeaosmoradores locais queviviam da coleta decas-tanha, da pesca, da lavoura de subsistência.Para esses estudos os moradores locais, queviviam espalhados pelo território, simples-mente não existiam, e quando se lhes reco-nhecia a existência, era para cadastrá-los, li-mitar-lhes as atividades extrativistas e, final-mente, expulsá-los usando de várias formasdecoerção, incluindoasicaeapolicial. Esseprocessoocorreu nofinal dacadade70comas populações negras, remanescentes de an-tigos quilombos do rio Trombetas, queviviampróximas aÓbitos, noPará. Em1979, oIBDF(depois IBAMA) criou a Reserva Ecológica de Trombetas, numa área secularmente utiliza-

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