Os Juristas e os Poetas
George Marmelstein Lima
–
profissão de fé
,
que invejava oourives ao escrever, torcendo, aprimorando, alteando, limando a frase, na buscada Serena Forma, em prol do Estilo
. A estética era tudo. Nada importava que fossevazio o conteúdo, se a
estrofe cristalina, dobrada ao jeito do ourives, saísse daoficina sem um defeito
. A simples descrição de um
Vaso Grego
, por exemplo,exigia do poeta todo o seu talento, fazendo surgir um dos mais belos sonetos emlíngua portuguesa, mas que, no fundo, trazia nenhuma substância. A norma era"
reduzir sem danos a fôrmas a forma
", como o sapo-boi de Manuel Bandeira.No outro extremo literário, apareciam, décadas depois, os dadaístas, paraquem o objetivo seria destruir a forma ou qualquer espécie de ordenação lógica.Para os poetas dadaístas havia, contra tudo e contra todos, "
um grande trabalhodestrutivo, negativo, a executar
" (Tristan Tzara, no seu
Manifesto Dadá 1918
). Ser"dadá" era, antes de tudo, ter como princípio abominar todos os princípios: era umverdadeiro anarquismo poético.Se fôssemos buscar um meio termo entre esses dois movimentospendulares, teríamos uma espécie de poeta romântico. Não os românticos desegunda geração, "
mal do século
", com suas poesias impregnadas de egocentrismo,negativismo, pessimismo e dúvidas; mas uma evoluída geração
condoreira
, cujaforma poética seria apenas um meio de propagar suas idéias libertárias. A estéticanão seria um fim em si mesmo: o importante seria bradar contra o escravismo etodas as formas de aprisionamento humano. Viva liberdade!, era o lema, afinal
a praça é do povo como o céu é do condor
.
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