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Críticas à Teoria das Gerações dos Direitos Fundamentais (2002)

Críticas à Teoria das Gerações dos Direitos Fundamentais (2002)

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Críticas à Teoria das Gerações (ou mesmo Dimensões) dos DireitosCríticas à Teoria das Gerações (ou mesmo Dimensões) dos DireitosCríticas à Teoria das Gerações (ou mesmo Dimensões) dos DireitosCríticas à Teoria das Gerações (ou mesmo Dimensões) dos DireitosFundamentaisFundamentaisFundamentaisFundamentais
Por George Marmelstein Lima, Juiz Federal no Ceará, mestrando emDireito pela UFC
1
 
SUMÁRIO: 1. Um despretensioso discurso; 2. As Críticas; 2.1. Uma geração não substitui a outra; 2.2. Ausência de verdade histórica; 2.3. Perigosa e falsa dicotomia; 2.4. A indivisibilidade dos direitosfundamentais; 3. Pode-se falar em dimensões dos direitos fundamentais? 4. Conclusão. Bibliografia.PALAVRAS-CHAVES: Direitos Fundamentais – Direitos Humanos – Gerações dos DireitosFundamentais – Direitos Civis, Políticos, Sociais, Econômicos, Culturais, Ambientais – Liberdade – Igualdade – Fraternidade – Direitos a Prestações – Direitos Negativos – Estado Liberal – Estado Social.
1. Um despreten1. Um despreten1. Um despreten1. Um despretensioso discursosioso discursosioso discursosioso discursoNo ano de 1979, proferindo a aula inaugural no Curso do InstitutoInternacional dos Direitos do Homem, em Estraburgo, o jurista Karel VASAK utilizou,pela primeira vez, a expressão “gerações de direitos do homem”, buscando,metaforicamente, demonstrar a evolução dos direitos humanos com base no lema darevolução francesa (liberdade, igualdade e fraternidade).De acordo com o referido jurista, a primeira geração dos direitoshumanos seria a dos direitos civis e políticos, fundamentados na liberdade ( 
liberté 
 ). Asegunda geração, por sua vez, seria a dos direitos econômicos, sociais e culturais, baseadosna igualdade ( 
égalité 
 ). Por fim, a última geração seria a dos direitos de solidariedade, emespecial o direito ao desenvolvimento, à paz e ao meio ambiente, coroando a tríade com afraternidade ( 
 fraternité 
 )
2
.O professor e Juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Antônio Augusto Cançado TRINDADE, durante uma palestra que proferiu em Brasília,em 25 de maio de 2000, comentou que perguntou pessoalmente para Karel VASAK porque ele teria desenvolvido aquela teoria. A resposta do jurista tcheco foi bastante curiosa:
1
E-mail: george@jfce.gov.br
2
Cf. entre outros, PIOVESAN, Flávia.
Temas de Direitos Humanos
. São Paulo: Max Limonad, 1998, p. 28.
 
“Ah, eu não tinha tempo de preparar uma exposição, então me ocorreu de fazer algumareflexão, e eu me lembrei da bandeira francesa”.Portanto, segundo Cançado TRINDADE, nem o próprio VASAK levoumuito a sério a sua tese
3
.Mesmo assim, esse despretensioso discurso logo ganhou fama. Osjuristas passaram a repeti-lo e até desenvolvê-lo, como, por exemplo, Noberto BOBBIO,que foi um dos principais responsáveis pela sua divulgação
4
. Aliás, muitos pensamerroneamente que a doutrina das gerações dos direitos fundamentais é de sua autoria.Novas gerações foram acrescidas à tríade inicial
5
, destacando-se a quarta,desenvolvida pelo Professor Paulo BONAVIDES.Para o grande constitucionalista brasileiro, o direito à democracia (direta),o direito à informação e o direito ao pluralismo comporiam a quarta geração dos direitosfundamentais, “compendiando o futuro da cidadania e o porvir da liberdade de todos ospovos” e, somente assim, tornando legítima e possível a tão temerária globalizaçãopolítica
6
.Em síntese, o quadro das “gerações dos direitos fundamentais” ficoudesenhado do seguinte modo:
1111
aaaa
GeraçãoGeraçãoGeraçãoGeração 2222
aaaa
GeraçãoGeraçãoGeraçãoGeração 3333
aaaa
GeraçãoGeraçãoGeraçãoGeração 4444
aaaa
GeraçãoGeraçãoGeraçãoGeraçãoLiberdade Igualdade Fraternidade Democracia (direta)Direitos negativos(não agir)Direitos a prestaçõesDireitos civis epolíticos: liberdadeDireitos sociais,econômicos eDireito aodesenvolvimento, aoDireito à informação,à democracia direta e
3
Palestra proferida durante o “Seminário Direitos Humanos das Mulheres: A Proteção Internacional”. Disponívelon-line: http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/cancadotrindade/Cancado_Bob.htm
4
A propósito, v. BOBBIO, Noberto.
A Era dos Direitos
. 8
a
ed. Rio de Janeiro: Campus, 1992. Interessante notarque até o Supremo Tribunal Federal já teve a oportunidade de reproduzir a teoria das gerações dos direitosfundamentais, conforme se observa no seguinte voto do Min. Celso de Mello: "enquanto os direitos de primeirageração (direitos civis e políticos) - que compreendem as liberdades clássicas, negativas ou formais - realçam oprincípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos, sociais e culturais) - que se identificacom as liberdades positivas, reais ou concretas - acentuam o princípio da igualdade, os direitos de terceirageração, que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formaçõessociais, consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo dedesenvolvimento, expansão e reconhecimento dos direitos humanos, caracterizados, enquanto valoresfundamentais indisponíveis, pela nota de uma essencial inexauribilidade" (STF, MS 22164/SP).
 
5
Já se fala em direitos de quarta, quinta, sexta e até sétima gerações, surgidas com a globalização, com os avançostecnológicos (cibernética) e com as descobertas da genética (bioética). Cf. HOESCHL, Hugo César.
O Conflito eos Direitos da Vida Digital
. Disponível on-line (1º/11/2003):http://www.mct.gov.br/legis/Consultoria_Juridica/artigos/vida_digital.htm
6
BONAVIDES, Paulo.
Curso de Direito Constitucional
. 7ª ed. São Paulo: Malheiros, 1998, p. 524/525.
 
política, de expressão,religiosa, comercialculturais meio-ambiente sadio,direito à pazao pluralismoDireitos individuais Direitos de umacoletividadeDireitos de toda a HumanidadeEstado Liberal Estado social e Estado democrático e social
Conforme se demonstrará, apesar da fama que a teoria das gerações dosdireitos fundamentais alcançou, ela não se sustenta diante de uma análise mais crítica, nemé útil do ponto de vista dogmático. Possui, contudo, um inegável valor didático, já quefacilita o estudo dos direitos fundamentais, e simbólico, pois induz à idéia de historicidadedesses direitos. Além disso, o modelo baseado nas gerações fornece o alicerce para aconstrução de uma nova teoria das dimensões dos direitos fundamentais, esta simimportante e útil.Neste trabalho, busca-se tanto demonstrar o equívoco da teoria dasgerações quanto fornecer subsídios para a construção de uma nova teoria das dimensõesdos direitos fundamentais.2. As Críticas2. As Críticas2. As Críticas2. As Críticas2.1. Uma geração2.1. Uma geração2.1. Uma geração2.1. Uma geração nãonãonãonão substitui a outrasubstitui a outrasubstitui a outrasubstitui a outra A expressão “geração de direitos” tem sofrido várias críticas da doutrinanacional e estrangeira. É que o uso do termo “geração” pode dar a falsa impressão dasubstituição gradativa de uma geração por outra, o que é um erro, já que, por exemplo, osdireitos de liberdade não desaparecem ou não deveriam desaparecer quando surgem osdireitos sociais e assim por diante. Além disso, a expressão pode induzir à idéia de que o reconhecimento deuma nova geração somente pode ou deve ocorrer quando a geração anterior já estivermadura o suficiente, dificultando bastante o reconhecimento de novos direitos, sobretudonos países ditos periféricos (em desenvolvimento), onde sequer se conseguiu um nívelminimamente satisfatório de maturidade dos direitos da chamada “primeira geração”.

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