O interesse pelos direitos fundamentais não se limitou à vida acadêmica.Ainda como estagiário da 2ª Vara da Fazenda Pública (1998), tive a oportunidade deauxiliar o juiz titular daquela Vara (Dr. Francisco Chagas Barreto Alves) a elaborar umadecisão favorável a uma mulher, portadora do HIV, que pedia que o Estado do Cearácusteasse seu tratamento.Como Procurador do Estado de Alagoas (2000), acompanhei um mandadode segurança em que um rico advogado requeria que o SUS (Sistema Único de Saúde)pagasse seu transplante de pâncreas, no melhor hospital do país (Albert Einstein
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SP),devendo, inclusive, o poder público pagar a sua hospedagem e transporte, bem como deum acompanhante. Esse caso, apesar de eu não ter atuado diretamente, foi fundamentalpara a construção do meu pensamento sobre o direito à saúde. A partir daí, percebi quedeveria haver limites à concretização judicial de direitos fundamentais.Pois bem. Já em 2002, como juiz federal, uma oportunidade ímpar bateu-me às portas: a de participar de um curso de especialização em direito sanitário pelaUniversidade de Brasília (UnB) em parceria com a FIOCRUZ. O curso proporcionou-me conhecer mais profundamente o Sistema Único de Saúde e fez-me escrever uma
monografia cujo tema foi precisamente “A Efetivação do Direito Fundamental à Saúde
pelo
Poder Judiciário”.
Na defesa da monografia, em Brasília, todos gostaram dasminhas teses e sugeriram que eu aprofundasse ainda mais o estudo da matéria, poispraticamente nada existia sobre o assunto na literatura nacional.Coincidentemente, iniciei o mestrado em 2003 e minha pretensão édesenvolver a dissertação sobre o mesmo tema (direito fundamental à saúde), dando umenfoque mais abrangente e mais aprofundado em relação ao que escrevi naespecialização.Em abril de 2003, atuando como juiz federal, ao apreciar um pedido doMinistério Público Federal em uma ação civil pública, tive a oportunidade de colocarem prática várias idéias que desenvolvi no curso de especialização.Antes de comentar a decisão, é preciso situar historicamente o problema.
2. A falta de UTIs em Fortaleza no início de 2003
A chuva, em Fortaleza, geralmente é mais intensa no início do ano. Com achuva, aumenta-se a demanda por leitos hospitalares em decorrência do incremento donúmero de casos de doenças como a dengue.
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