(entidade que deveria fiscalizar com independência o governo,mas abdicou desta função permi-tindo nomeadamente que asobras se iniciassem sem que doponto de vista legal estivessemcumpridas todas as exigências);· Direcção Regional do Ambientede Lisboa e Vale do Tejo (compareceres estranhos, omissões erecusa de fornecimento de docu-mentos ao MPI);· Os senhores consultores daempresa IPA (empresa responsá-vel pelos estudos encomendadospela RESIOESTE, que os mani-pularam com omissões e errosgrosseiros);· O Sr. Professor CatedráticoManuel Oliveira (Hidrogeólogo daFaculdade de Ciências da Univer-sidade de Lisboa), figura destaca-da do PS, membro da Assem-bleia Municipal de Torres Vedrase um acérrimo crítico do MPI,tendo chegado a afirmar que nãoexistia um aquífero na quinta deS. Francisco onde está construí-do o ASO!!!;· Os jogos de interesses na Comis-são Europeia (ao serviço dosgovernos e não das populaçõesonde as nossas queixas caíramem saco roto);· O Sr. Presidente da República(que acusou o MPI de fundamen-talista).Não nos interessa saber quemganhou com esta política verdadeira-mente desastrosa pois não é essa anossa razão de existência, nem anossa função.Interessa-nos, isso sim, éque o país perdeu.Infelizmente constatamosque para muitos políticos e responsá-veis pela governação a sociedade civilé meramente uma figura decorativaem Portugal.E constatamos que a classecientífica vai marcando pontos no seudescrédito perante a sociedade civil.Felizmente há excepções enestas não podemos deixar de referir o Sr. Professor Martins de Carvalho ea Sra. Eng.ª Inês Batalha Reis, reco-nhecidos técnicos que desde a primei-ra hora se manifestaram disponíveispara nos ajudar a encontrar a verdadee que com sacrifício da sua vida pes-soal deram um precioso contributopara a valorização do nosso trabalhosempre pautado pelo rigor e contrárioa teses oportunistas ou sem funda-mento técnico e científico.Oxalá que este triste exem-plo possa servir para uma mudançade atitudes e para a moralização dosistema em que nos sentimos
atola-dos
.Com os nossos melhores cumprimen-tos,O MPI
EDITORIAL da revista “ÁGUA E AMBIENTE” de Maio de 2004
se ignore que os aterros são apenasdispositivos a jusante dos sistemas,sujeitos portanto às suas lógicas emodos de funcionamento.A evolução dos sistemasditará o tipo e quantidade de resíduospara deposição final, sendo inexorá-vel, pelas limitações de eficiência,que se necessitará sempre de locaispara acumulação de materiais resi-duais, seja na forma de actuais ater-ros ou de novas concepções paraaquele efeito.Uma vez que os aterrosreflectem o funcionamento dos siste-mas, facilmente se compreende por-quê entre nós, e de modo geral, este- jamos próximos de atingir a sua satu-ração. Produção de resíduos crescen-te e deficiente recolha selectiva têmsido ingredientes bastantes para talsituação, podendo prever-se que difi-cilmente atingiremos as metas dereciclagem e de valorização a queestamos obrigados perante a UniãoEuropeia. Ou seja, é urgente, para omédio prazo, encontrar soluções cre-díveis (atente-se de facto nas condi-ções reais do País), económica eambientalmente sustentadas, que nãose limitem a assegurar que haverádestino final para os resíduos, sobpena de ao contrário garantirmosapenas a continuidade de lixeiras,embora de outro tipo.À semelhança das imposi-ções comunitárias, incidindo directa-mente nos sistemas, ou a jusante(limitações à deposição) para que serepercutam naquelas, há que respon-sabilizar os utentes. Já não resolveesperar pela evolução positiva daconsciência ecológica. Com equida-de, garantida por regulação adequa-da, com sensibilização para a neces-sidade, com... principalmente comcoragem política para inverter a situa-ção, cobrando aos utentes os servi-ços que lhe são facultados, proporcio-nalmente aos seus comportamentos.
Fernando Santana
fernandosantana@about.pt
Dos aterros
Quando na maior parte dospaíses europeus já se utilizavam, ouensaiavam, soluções tecnológicasmais ou menos elaboradas para otratamento e destino final de resíduossólidos urbanos, Portugal descobria,com honras de inauguração ministe-rial, os aterros sanitários. Há quereconhecer que, para um país quecomeçava a aperceber-se dos incon-venientes das lixeiras, os aterros sur-giram como um verdadeiro “must”,qual corolário de sistemas de resí-duos a justificar-lhes a respectivacapacidade.Contudo, e apesar das técni-cas de minimização de impactes queadoptavam (impermeabilização, reco-brimento de resíduos, tratamento delixiviados, etc.) constituíam a mesmasolução de destino final, com deposi-ção indiferenciada de resíduos, mate-rializando portanto uma solução pou-co interessante, potenciadora de ver-dadeiros legados de lixo para asgerações futuras. Ainda assim, não
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