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CARTA ABERTA
Exmo Sr. Professor FernandoSantana,A revista ÁGUA EAMBIENTE, número de Maiode 2004, escolhe como temade capa “67 % dos ATERROSSANITÁRIOS VIOLAM A LEI”,sendo o Editorial assinado por VExa. O Movimento Pró –Informação para a Cidadaniae Ambiente
 
(MPI) leu comtoda a atenção (e redobradointeresse) o editorial de VExa,bem como o artigo referidoacima, dada a importanteintervenção do Sr. Professor no processo do Aterro Sanitá-rio do Oeste.No artigo constatam-se gravíssimos problemasnos aterros sanitários e um rolde ilegalidades identificadaspela Inspecção Geral doAmbiente.Sobre esta matériapouco ou nada já nos sur-preende pois foram situaçõesprevistas pelo MPI, quandoousou, há cerca de 4 anos,pôr em causa a estratégiaescolhida pelo governo doPartido Socialista para aplica-ção dos cerca de 1.000milhões de euros de fundoscomunitários para implemen-tar uma correcta e sustentadaPolítica de Gestão dos Resí-duos Sólidos Urbanos (RSU),estratégia esta que contrariouas recomendações dos estu-dos que tinham sido elabora-dos para a região ao longo decerca de quatro anos (1992 a1996, Plano Director de Resí-duos Sólidos Urbanos da Sub-Região Oeste - PDRSU).Como se recordará,o MPI surgiu de forma expon-tânea aglutinando cidadãosinteressados no processo doAterro Sanitário do Oeste(ASO), com o desejo de parti-cipar nas decisões e exercer o seu legítimo direito de fisca-lização nesta área tão sensí-vel como é a da gestão dosRSU.O MPI rejeitou sem-pre formas demagógicas decontestação pelo que estudouos processos e documenta-ção existentes e a legislaçãoem vigor (nacional e comuni-tária), tendo recorrido a técni-cos credíveis e juristas con-ceituados.Aliás, a contestaçãoe as questões levantadas peloMPI surgiram sempre dosestudos efectuados pelasentidades que supervisiona-vam na matéria, nomeada-mente os que foram concreta-mente elaborados para aResioeste.Infelizmente osgovernantes e as autoridadesque superintendem nestaárea entenderam que o MPIera uma organização incómo-da e em vez de promoveremo diálogo sério e isento assis-tiu-se a uma verdadeira esca-lada de silenciamento do MPIpor parte do poder.Ainda acalentámosa esperança de haver isençãoe coragem crítica por parte daclasse científica ligada aoprocesso. Mas em vão.A “limpeza do sécu-lo” estava em marcha de for-ma imparável e os aterroseram anunciados como overdadeiro “MUST”, parafra-seando o Sr. Professor.Mas em vão.A “limpeza do sécu-lo” estava em marcha de for-ma imparável e os aterroseram anunciados como overdadeiro “MUST”, parafra-seando o Sr. Professor.Calou-se a opiniãopública e o MPI com o argu-mento aliciante (e correcto) danecessidade do encerramentodas lixeiras. Nada mais haviaque questionar pois o encer-ramento das lixeiras davaprotagonismo e resolvia pro-blemas de muitas autarquias.Uma estratégia que a curtoprazo dava enormes frutos(eleitorais e de visibilidade,dado o protagonismo para osseus executores).
Outras questõeschave para o sucesso doprograma e sua sustentabi-lidade a longo prazo eramesquecidas, nomeadamen-te:= Eram os aterros integraisa melhor solução tecnológi-ca da altura?= Estava-se a proteger oambiente e as populações
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MPI responde ao Prof. FernandoSantana
Fevereiro de 2005
 Editorial
Cá estamos maisuma vez.Esperamos quetenha sido do vosso agradoa primeira edição do nossoboletim informativo.Nesta edição,continuarmos a publicaçãode memorandos sobre ocomplexo processo do Ater-ro Sanitário do Oeste e des-tacamos a realização daAssembleia Geral Ordináriaque se realizará na 4ª-feira,dia 30 de Março, pelas21.00 horas, na nossa sede,ou seja, no edifício da Juntade Freguesia do Vilar. (Verconvocatória na última pági-na)Desejando umóptimo ano de 2005, des-pedimo-nos até à Assem-bleia Geral.
O Presidente da Direc-ção Humberto Pereira Ger-mano
Nesta edição:
Boletim informativo
MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente
Editorial do Prof. Fernando Santana 3 Aterro Sanitário do Oeste 
— Incongruências do Estudo de Localização do ASO 
4 e 5 Ambiente e Cidadania - Compostagem doméstica
 
com os locais escolhidos para cons-truir os aterros?= Porquê aterros em cima de aquífe-ros e na Reserva Ecológica Nacio-nal ? = Estava-se a contar com o cumpri-mento das orientações de Bruxelas ea cumprir as leis internas?A ausência de resposta edebate sobre estas questões prova-ram que os fins justificaram os meios.Os políticos do governo e osresponsáveis autárquicos da regiãooptaram por tentar calar o MPI, comargumentos populistas de que estaría-mos a manipular e a ser egoístas. Ofácil argumento de que tudo não pas-sava de uma tentativa de desacreditar o governo veio à baila, mais uma vez.O costume!A Resioeste empenhou-seem campanhas milionárias de contrainformação.A classe científica ligada aoprocesso abdicou das suas responsa-bilidades pois viu-- se comprometida com o sistema e“abençoou-o”. Veja-se só a manipula-ção clara dos estudos sobre o AterroSanitário do Oeste que a classe cien-tífica elaborou e validou.Não vale a pena aprofundar,aqui, estas questões.Mas vale a pena, isso sim,lembrar o que o Sr. Professor defen-deu e disse na altura.Recorda-se certamente, Sr.Professor, de ter participado, em2000, numa reunião de esclarecimen-to na Assembleia Municipal do Cada-val, como consultor convidado pelaResioeste.Nesta sessão o Sr. Professor Fernando Santana defendeu com todaa convicção as teses que agora atacaas quais não são mais do que umareprodução dos alertas, receios, críti-cas e previsões do MPI (perdoe-nos aimodéstia, mas é uma realidade públi-ca e que consta nos nossos documen-tos).Afinal, perguntamos:· Qual das teses é a do Sr.Professor Fernando Santa-na?· Se a tese que valida é a doseu editorial acima referido,porque razão colaborou nastentativas de ridicularizar ascríticas do MPI e dos seusrepresentantes, e aceitoudefender as mentiras doGoverno e da Resioesteusando para isso a sua
auto-ridade
científica?· Que poder exerceu sobre sio governo socialista, aResioeste ou, eventualmen-te, o Sr. Eng.º José Sócrates,pai da solução que o Sr. Pro-fessor agora põe em causade forma tão contundente?Perguntas certamente incó-modas para o Sr. Professor, mas queforam feitas por quem não tendo osseus conhecimentos sobre a matériateve, no entanto, mais coragem emais capacidade critica para antever os problemas.Com as suas incoerências efaltas de rigor, o Sr. Professor pareceque se juntou ao grupo dos consulto-res e técnicos que em Portugal dãopareceres e/ou fazem estudos con-soante as conclusões desejadas por quem os encomenda.Em nossa opinião, o Sr. Pro-fessor perdeu uma excelente oportuni-dade de contribuir para que Portugalaproveitasse uma ocasião históricacom a dádiva dos 1.000 milhões deeuros da Europa para implementar uma política moderna e sustentada degestão dos RSU.É que na sua posição(Responsável pelo Departamento deAmbiente da Faculdade de Ciências eTecnologia da Universidade Nova deLisboa), qualquer opinião técnicaenvolve um grau de responsabilidadeque o MPI não dispõe. Com as suasteses em defesa da Resioeste, o Sr.Professor iludiu muita gente de boa fée contribuiu para dar força a decisõesperniciosas para os interesses daeconomia do nosso país e bem estar das populações.Com a exposição pública emediática que teve, o Sr. Professor assumiu especiais responsabilidadesno processo e perdeu uma oportuni-dade de dar voz a um movimento pró-activo e participativo da sociedadecivil.O Sr. Professor é, assim, umdos responsáveis pela grave situaçãoque temos agora em matéria de ges-tão dos RSU.Porque o Sr. Professor sabiaque estava a induzir as pessoas emerro como o provam as suas afirma-ções feitas, agora, no editorial acimareferido:- Portugal não utilizou SOLUÇÕESTECNOLÓGICAS MAIS OU MENOSELABORADAS para o tratamento edestino final dos RSU, quando namaior parte dos países europeus já seutilizavam;- Contudo, e apesar das técnicas deminimização de impactes(impermeabilização, encobrimento deresíduos, tratamento de lixiviados,etc.), constituíam a mesma solução dedestino final, SOLUÇÃO POUCOINTERESSANTE, POTENCIADORADE VERDADEIROS LEGADOS DELIXO PARA AS GERAÇÕES FUTU-RAS;- Os aterros são APENAS, dispositi-vos a jusante dos sistemas;- De um modo geral ESTAMOS PRÓ-XIMOS DE ATINGIR A SATURAÇÃO;- É urgente encontrar soluções credí-veis, económica e ambientalmentesustentáveis que não se limitem aassegurar que haverá destino finalpara os resíduos, sob PENA DE AOCONTRÁRIO GARANTIRMOS APE-NAS A CONTINUIDADE DAS LIXEI-RAS, embora de outro tipo;- A produção de resíduos é crescentee deficiente a recolha selectiva;- Há que ter CORAGEM POLÍTICA;Desculpe-nos Sr. Professor mas estas suas palavras deveriam ter sido proferidas quando se exigia desua parte CORAGEM POLÍTICA eISENÇÃO, não agora quando é fácilconstatar a verdade dos factos ecomeçam a aparecer muitos“profetas”.Mas o MPI sabe, infelizmen-te, que o Sr. Professor não está só.Não nos esquecemos dou-tros nefastos contributos para estadesgraça anunciada, a saber:· O Instituto dos Resíduos
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(entidade que deveria fiscalizar com independência o governo,mas abdicou desta função permi-tindo nomeadamente que asobras se iniciassem sem que doponto de vista legal estivessemcumpridas todas as exigências);· Direcção Regional do Ambientede Lisboa e Vale do Tejo (compareceres estranhos, omissões erecusa de fornecimento de docu-mentos ao MPI);· Os senhores consultores daempresa IPA (empresa responsá-vel pelos estudos encomendadospela RESIOESTE, que os mani-pularam com omissões e errosgrosseiros);· O Sr. Professor CatedráticoManuel Oliveira (Hidrogeólogo daFaculdade de Ciências da Univer-sidade de Lisboa), figura destaca-da do PS, membro da Assem-bleia Municipal de Torres Vedrase um acérrimo crítico do MPI,tendo chegado a afirmar que nãoexistia um aquífero na quinta deS. Francisco onde está construí-do o ASO!!!;· Os jogos de interesses na Comis-são Europeia (ao serviço dosgovernos e não das populaçõesonde as nossas queixas caíramem saco roto);· O Sr. Presidente da República(que acusou o MPI de fundamen-talista).Não nos interessa saber quemganhou com esta política verdadeira-mente desastrosa pois não é essa anossa razão de existência, nem anossa função.Interessa-nos, isso sim, éque o país perdeu.Infelizmente constatamosque para muitos políticos e responsá-veis pela governação a sociedade civilé meramente uma figura decorativaem Portugal.E constatamos que a classecientífica vai marcando pontos no seudescrédito perante a sociedade civil.Felizmente há excepções enestas não podemos deixar de referir o Sr. Professor Martins de Carvalho ea Sra. Eng.ª Inês Batalha Reis, reco-nhecidos técnicos que desde a primei-ra hora se manifestaram disponíveispara nos ajudar a encontrar a verdadee que com sacrifício da sua vida pes-soal deram um precioso contributopara a valorização do nosso trabalhosempre pautado pelo rigor e contrárioa teses oportunistas ou sem funda-mento técnico e científico.Oxalá que este triste exem-plo possa servir para uma mudançade atitudes e para a moralização dosistema em que nos sentimos
atola-dos
.Com os nossos melhores cumprimen-tos,O MPI
EDITORIAL da revista “ÁGUA E AMBIENTE” de Maio de 2004
se ignore que os aterros são apenasdispositivos a jusante dos sistemas,sujeitos portanto às suas lógicas emodos de funcionamento.A evolução dos sistemasditará o tipo e quantidade de resíduospara deposição final, sendo inexorá-vel, pelas limitações de eficiência,que se necessitará sempre de locaispara acumulação de materiais resi-duais, seja na forma de actuais ater-ros ou de novas concepções paraaquele efeito.Uma vez que os aterrosreflectem o funcionamento dos siste-mas, facilmente se compreende por-quê entre nós, e de modo geral, este- jamos próximos de atingir a sua satu-ração. Produção de resíduos crescen-te e deficiente recolha selectiva têmsido ingredientes bastantes para talsituação, podendo prever-se que difi-cilmente atingiremos as metas dereciclagem e de valorização a queestamos obrigados perante a UniãoEuropeia. Ou seja, é urgente, para omédio prazo, encontrar soluções cre-díveis (atente-se de facto nas condi-ções reais do País), económica eambientalmente sustentadas, que nãose limitem a assegurar que haverádestino final para os resíduos, sobpena de ao contrário garantirmosapenas a continuidade de lixeiras,embora de outro tipo.À semelhança das imposi-ções comunitárias, incidindo directa-mente nos sistemas, ou a jusante(limitações à deposição) para que serepercutam naquelas, há que respon-sabilizar os utentes. Já não resolveesperar pela evolução positiva daconsciência ecológica. Com equida-de, garantida por regulação adequa-da, com sensibilização para a neces-sidade, com... principalmente comcoragem política para inverter a situa-ção, cobrando aos utentes os servi-ços que lhe são facultados, proporcio-nalmente aos seus comportamentos.
Fernando Santana 
fernandosantana@about.pt
Dos aterros
Quando na maior parte dospaíses europeus já se utilizavam, ouensaiavam, soluções tecnológicasmais ou menos elaboradas para otratamento e destino final de resíduossólidos urbanos, Portugal descobria,com honras de inauguração ministe-rial, os aterros sanitários. Há quereconhecer que, para um país quecomeçava a aperceber-se dos incon-venientes das lixeiras, os aterros sur-giram como um verdadeiro “must”,qual corolário de sistemas de resí-duos a justificar-lhes a respectivacapacidade.Contudo, e apesar das técni-cas de minimização de impactes queadoptavam (impermeabilização, reco-brimento de resíduos, tratamento delixiviados, etc.) constituíam a mesmasolução de destino final, com deposi-ção indiferenciada de resíduos, mate-rializando portanto uma solução pou-co interessante, potenciadora de ver-dadeiros legados de lixo para asgerações futuras. Ainda assim, não
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